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Regra de três: se o poeta vê o amor nos versos, a ciência o enxerga como respostas bioquímicas. Então, amar é...?

Exclusivo da Plataforma Nacional do Facetubes (www.facetubes.com.br).

16/03/2025 às 10h50 Atualizada em 16/03/2025 às 12h52
Por: Mhario Lincoln Fonte: Dra. Flora Guilhonm
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Arte: mhl
Arte: mhl

 Dra. Flora Guilhonm (Orientadora Ocupacional, International correspondent for the Facetubes Network, in England).

Tradução livre: jornalista Mhario Lincoln

 

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“Ainda que a ciência consiga isolar algumas variáveis, a experiência de amar mantém sua natureza única, pois combina o biológico, o psicológico e o cultural em um só fenômeno”. (Marazziti).

 

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Esta semana aqui se discutiu muito sobre as origens do Amor. Parecia assim que todo mundo estava querendo retomar a paixão de forma coordenada e estudada. Tudo começou após a aparição dos estudos da psiquiatra italiana Donatella Marazziti, da Universidade de Pisa, em cujo trabalho, dedica-se a investigar as engrenagens do comportamento humano sobre esse sentimento.

 

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Muita gente republicou por aqui, nas redes, insights de seu estudo publicado na revista Psychological Medicine (1999), onde ela descobriu que as pessoas tomadas pela paixão exibem níveis de Serotonina tão alterados quanto os de indivíduos com transtorno obsessivo-compulsivo.

 

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Eis a ciência, apontando que o amor — longe de ser apenas uma quimera poética — possui bases mensuráveis, ancoradas em processos biológicos que afetam (ou ajudam a melhorar) nossa saúde emocional e nossos vínculos afetivos.

 

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Contudo, não é apenas sob o olhar da psiquiatria que se debruçam os estudiosos do amor. A neurociência também lança mão de suas lentes para iluminar esse enigma, ou seja, a sensação de euforia, tão familiar a quem se apaixona, relaciona-se à liberação de dopamina, neurotransmissor que nos “recompensa” com prazer.

 

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Some-se a isso o papel central de Oxitocina e Vasopressina, hormônios que sedimentam laços duradouros, qual cimento que uns corações. Já a sempre mencionada Serotonina tende a despencar, explicando em parte o fascínio — quase obsessivo — que nutrimos pela pessoa amada.

 

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Da ciência avançamos para a psicologia, onde o amor recebe contornos ainda mais intrigantes. De acordo com o modelo triangular de Robert Sternberg, três elementos são peças-mestras nesse jogo: a intimidade (o afeto em seu cerne), a paixão (o impulso que nos lançam na direção ao outro) e o compromisso (a solene decisão de manter o vínculo). A cada nova combinação dessas três facetas, revela-se um tipo distinto de amor — fugazes excitações ou laços profundos que atravessam o tempo.

 

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É nesse diapasão que retorna à cena a psiquiatra Marazziti, lembrando-nos disso: por mais que a ciência tente capturar variáveis, o ato de amar jamais perde a sua singularidade. “Ainda que a ciência consiga isolar algumas variáveis, a experiência de amar mantém sua natureza única, pois combina o biológico, o psicológico e o cultural em um só fenômeno”, ressalta a pesquisadora.

 

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A autora.

De fato, ao longo de nossa evolução, o impulso de formar vínculos e cuidar da prole incrementou as chances de sobrevivência. O amor firmou-se, então, como um engenhoso artifício de nossa espécie, entrelaçando elementos de perpetuação da vida, companheirismo e consolo.

 

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Eis que, ao final, indagamos: será que o amor existe “de fato”? A resposta, a um só tempo simples e repleto de sutilezas, é sim — e a ciência, com seus fundamentos biológicos, psicológicos e sociais, apenas endossa o que poetas de todos os tempos vêm declamando. Mas nenhuma explicação racional anula a beleza, o mistério e a chama abrasadora do amor.

 

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É por isso que, malgrado todos os argumentos de laboratórios e teorias comportamentais, ainda nos arrepiamos ao ler Luís de Camões: “Amor é fogo que arde sem se ver.” Ou de suspirar diante da sabedoria de Jalal ad-Din Rumi: “Você não é uma gota no oceano. Você é todo o oceano em uma gota”.

 

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Assim, acreditamos que em todos os versos poéticos que brotam da alma, encontramos a prova irrefutável de que o amor é tanto um feitio químico-biológico, quanto uma epifania do espírito humano. E talvez seja essa dupla face — ciência e poesia — o que o torna tão imortal.

 

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Raimundo FonteneleHá 10 meses Barra do CordaMuito bom o texto examinando o amor poesia e o amor ciência. De qualquer ângulo que se olhe o amor possui sempre essa magia lírica e científica. O Mário segue trazendo o que há de melhor em nossas letras, seja ficção ou investigação da realidade que nos rodeia.
Francivaldo MorenoHá 10 meses São Luis MaDra. A senhora foi de uma felicidade muito grande. especialmente no final, quando fala do amor poético sublime. É isso e muito mais.
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