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O alvo certo: Livros que humanizam a periferia brasileira

Projeto premiado do IBEAC prova que acesso mediado faz leitores florescer onde índices apontam queda nacional.

17/06/2025 às 11h10 Atualizada em 17/06/2025 às 17h35
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Literatura e Arte do Facetubes
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Ilustração: Ginai/mhl
Ilustração: Ginai/mhl

Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes

 

A queda de quase sete milhões de leitores em quatro anos, apontada pela 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, parece um dado frio até que se cruza a periferia de Parelheiros, no extremo sul paulistano, e se vê crianças rindo, chorando ou silenciando diante de personagens que se parecem com elas. Ali, o Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC) transformou antigas rotas de ônibus em “Caminhos Literários”, rede de bibliotecas comunitárias que acaba de ganhar o Prêmio Jabuti de Fomento à Leitura. “A literatura nos humaniza”, diz a coordenadora Bel Santos Mayer, recordando noites em que jovens se emocionaram apenas com a força de uma palavra.

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A ideia de que livros podem reorganizar o caos interior ecoa no ensaio O direito à literatura, de Antonio Cândido, para quem negar o acesso ao texto literário é “mutilar a humanidade que nos cabe”.

 

A socióloga francesa Michèle Petit explica por quê: a leitura autoriza o indivíduo a “escolher sua própria estrada”, abrindo veredas de autonomia mesmo nas franjas urbanas.

 

Sob essa lente, o sucesso do IBEAC torna-se mais do que um prêmio: é demonstração de que territórios rotulados como “carentes” carregam capital simbólico pronto para florescer quando o livro chega sem as cercas do paternalismo. 

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Em Parelheiros (SP), os estandartes do bumba-meu-boi dividem espaço com prateleiras repletas de autores negros, indígenas e periféricos; rodas de leitura iluminadas a lamparina viram salas de aula afetiva; e cada empréstimo é também um convite a reescrever o próprio destino.

 

Enquanto os índices nacionais retratam um país que lê cada vez menos, projetos como o Caminhos Literários reitera que o problema não é desinteresse, "mas acesso mediado por quem reconhece a potência da palavra em contexto", afirmam estudiosos.

 

Assim, o desafio que resta aos formuladores de políticas públicas é levar o exemplo adiante: apoiar bibliotecas comunitárias, formar mediadores e garantir que toda criança brasileira encontre nas estantes um espelho — e não um muro.

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Referências:
premiojabuti.com.br
cbl.org.br
pensador.com
revista.unitins.br
redalyc.org

 

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JAIME Há 11 meses BSB/DFUm artigo que nos leva a uma reflexão.
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