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Rossini Corrêa, um dos grandes nomes da intelectualidade brasileira analisa “A Bula dos Sete Pecados”

“A Bula dos Sete Pecados é praticamente o livro de estreia (em amadurecimento) do poeta Mhario Lincoln. Na verdade, esse foi o primeiro grande experimento literário, na poesia, de Lincoln. A materia foi publicada em Portugal.

13/12/2025 às 10h03 Atualizada em 13/12/2025 às 11h16
Por: Mhario Lincoln Fonte: Rossini Corrêa
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Arte: ginai/mhl
Arte: ginai/mhl

Esta matéria foi publicada em uma das revistas literárias mais importantes de Portugal: 

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Capa.

@ROSSINI CORRÊA

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Mhario Lincoln é um consumado artista multimídia, pioneiro em meio à sua geração maranhense, na precoce descoberta de que o mundo se tornaria aquela aldeia global vaticinada por Marshall McLuhan. Compreendeu o poeta de "A Bula dos Sete Pecados", desde a hora zero, o papel que as comunicações teriam no futuro em construção, tornando possível, por cima das assimetrias, a construção de diálogos de civilizações, pulsantes, e em busca de um mundo só. 

Na aurora do seu tempo, Mhario Lincoln já era um homem de comunicação. Jornalista, Advogado, Cronista; do intelectual em questão, pode-se dizer que, em todos os domínios de sua intervenção, havia a presença do signo dialógico, a revelar a condição de homem-ponte, que reservara existencialmente para si, em uma disposição de serviço à vida, como serviço ao outro. 

Mhario Lincoln guardava, entretanto, dentro de si, mananciais criativos multifacetados, que o tempo se encarregaria de trazer à superfície do mundo visível. Eis que o Poeta, o Músico e o Filósofo pediriam que as alas se abrissem, para que pudessem passar sem atropelo de nada nem de ninguém. Ser gregário por excelência, o protagonismo lincolniano tinha por vocação ser exercido na ilha e no continente, com a merecida amplitude do sentimento do mundo em si carregado, a reclamar a sua pronúncia como testemunho do canto, a ser compartilhado como pão da vida, cujo destino é iluminar os espíritos. Assim nasceu o verbo em coral, mergulhado em águas profundas e a sobrenadar sabedoria: 

 

DA DERROTA TOTAL AO REPRINCÍPIO
(Soneto para Shakespeare)

Nem só de principados vive o Homem, nem de aparência. 
Fui e vim ao largo de minha angústia, de corvo a colibri. 
Foi-me dada a oportunidade do arrependimento com decência.
Foi-me dada a chance de mudar o tudo ou o nada, que vivi!
Imprudência, ganância, autopiedade, desordens, luxúria. 
Fui e vim, ao largo de minha prepotência, lavando as mãos. 
Foi-me dada a hora de ajuizar-me e reconhecer toda penúria.
Foi-me concedido o direito de rever meus mimos e padrões. 
A morte, foi-me companheira ao longo desses inteiros anos. 
Fui e vim na certeza de que era perseguido até pelos meus. 
Foi-me dada a acontecer minha paz, sem pensamentos levianos.
Foi-me retribuído o perdão e aflorou a graça maior de Deus.
Justos os que se fizeram nas entranhas do gueto.
Emergiram da lama, aceitando a derrota. Puro sueto!
(Mhario Lincoln).

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De corvo a colibri, o canto lincolniano, ave espalmada no céu da vida do mundo, tematizou alfa e ômega, em busca do sentido do existir, portando uma vontade visceral de transformar pedras em frutos, abismos em montanhas, perguntas em respostas: “Acabou, Tomás de Torquemada, toda maldade?” O itinerário do Poeta revolveu os problemas da vida e os mistérios da morte – “Desço a grande escada da Nuvem” – em uma sondagem do Ser, do Nada e do Tempo, na qual procurou a floração de antídotos para a gula, a avareza, a luxúria, a ira, a inveja, a preguiça e a vaidade, convicto de que, pelo puro e pelo belo, há de começar a reinvenção da vida do mundo. Assim o canto se tornou libertação.

O fazer poético de Mhario Lincoln é um esmeril de lapidação do Ser e tem vínculo intimo com a tradição da escrita filosófica e poética por meio de aforismos. Não por acaso, mas por consciente intertextualidade, "A Bula dos Sete Pecados" carrega consigo o galo que Friedrich Nietzsche sonhou que explodisse em luz, em meio às madrugadas da Alma, como forma de remissão de tudo que é humano, demasiado humano. Diante do espelho do verbo e do espírito natalino, resta-nos, com certeza, pedir ao Poeta que cante a música desse canto, de onde, teimosa e incorruptível, por sobre as trevas do mundo, renasce em vida a Esperança.

 

Rossini Corrêa, um dos nomes maranhenses mais importantes da literatura brasileira

 

Rossini Corrêa: Advogado, Escritor e Filósofo do Direito, com mais de 40 livros publicados, entre os quais se destacam: Saber Direito-Tratado de Filosofia Jurídica; Jusfilosofia de Deus; Crítica da Razão Legal; Bacharel, Bacharéis: Graça Aranha, discípulo de Tobias e companheiro de Nabuco; Teoria da Justiça no Antigo Testamento; José Américo, o Jurista; Política Externa Independente: contribuição crítica à história da diplomacia nacional; O Liberalismo no Brasil: José Américo em perspectiva; Brasil Essencial: para conhecer o país em cinco minutos; O Bloco Bolivariano e a Globalização da Solidariedade: bases para um contrato social universalista; e Romeu e Julieta no Brasil. É membro titular do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal – IHGDF. Pertence à Academia Brasiliense de Letras – ABrL e à Academia Maranhense de Letras – AML. É Patrono da Cátedra Gonçalves Dias, da SVT Faculdade de Ensino Superior e foi Coordenador da Cátedra Daisaku Ikeda, do Centro Universitário de Goiás-Uni-Anhanguera.

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Keila Marta Melo GramaHá 1 mês São LuísReli esta matéria com aquele ar de ineditismo, pois são palavras bem colocadas e num contexto certo. De beleza magnífica e sincera, que vai além de tons elogiosos, trata-se de um texto preenchido com verdade e sensibilidade humana. Mhario sem dúvudas é esse escritor articulado que sabe temperar as palavras e dar forma a belos poemas, e outros textos que escreve. Parabéns!
Raimundo Fontenele Há 1 mês Barra do Corda MAUm presente natalino, poeta, esse texto do Rossini. Uma análise crítica séria e profunda e um aval de peso na tua trajetória poética. Sem quejandos ou rapapés de conterrâneo e amigo.
Monica Puccinelli Há 1 mês Curitba-PR Mhario Lincoln e Rossini Corrêa juntos é, um banho de sabedoria que amplia nosso desejo de mais e mais querer conhece
José Carlos Sanches.Há 1 mês WhatsApp (S.Luís-MA)Parabéns querido amigo e ilustre escritor Mhario Lincoln. Rossini é uma referência, partindo dele a resenha sobre o seu livro, certamente disse tudo sobre a memorável obra. Um forte abraço, saúde, paz e sucesso. José Carlos Sanches.
JaimeHá 6 meses BSB/DFPresidente ML, essa publicação é refinadissimo. Gabarita mais uma vez, em alto padrão de qualidade.
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