
Joema Carvalho
Escrevi um poema pleiteando participar da Festa Literária de Santa Teresa-FLIST, que homenageou o Milton Nascimento e a Adélia Prado.
O poema saiu fora dos padrões definidos pelo edital. Tentei ajustar, mas o poema não permitiu.
Este foi um dos poema, a partir da música Sentinela, do álbum duplo Missa dos Quilombos, dentre os que mais gosto.
Na sequência, graças a uma amiga, assisti ao documentário Milton Bituca Nascimento, que me emocionou muito.
Um dos convidados que falou sobre o Milton Nascimento, disse algo mais ou menos assim, que ele era como o mistério dos cristais de Minas.
Eu busco o mistério dos cristais do subsolo da crosta terrestre para escrever, junto da dinâmica dos fungos, o desconhecido. Isto me conectou com o trabalho do Milton Nascimento.
Sai do cinema com o segundo poema pronto, inspirado pela música Cais.
A música do Milton Nascimento fez parte da minha infância. Acredito que minhas células reconhecem o som dele, que não se enquadra nas teorias que classificam a música, porém, reconhecida por grandes mestres universais.
DA COR DA TERRA
(Inspirado pela música Sentinela)
da cor da terra
reflete a transparência d'água
na tela do céu
morte
vela a vida
na teia
do ciclo em flor
sentinela sou
do presente
que aqui estou
a vida
uma oportunidade
aprender morrer
sentinela sou
das histórias
que constam
nos anéis de crescimento
da árvore defronte
da casa grande
ela está ali
tortuosa
como os traços
das lembranças
desafios do processo
que finda
nos micélios
e renasce em mistério
no choro
dum novo ser
que rebrota
dum ventre
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