
Antônio Nelson Faria, jornalista e cronista, com passagem em vários locais do Maranhão. Pós-graduado em Marketing e Gestão Portuária. Lançou livro recente: "Banca de Jornal", que aborda narrativas de fatos que marcaram São Luís, citando pessoas, políticos, empresários, figuras populares, bares, quitandas, clubes, eventos artísticos, religiosos e até o jingle marcando a passagem do Papa João Paulo II em São Luís, em 1991, produzido por ele mesmo.
Um dos pontos mais tradicionais de venda clandestinas de camisas de futebol da cidade evaporou pelo ebulição da modernidade, refletida na necessidade de expandir a mobilidade urbana de São Luís, que, com velocidade, vem sendo cobrada pela população. O empreendimento tombou, não por ter ido à derrocada, mas em decorrência de obra do governo estadual, necessária para a liberação do espaço para a ampliação dos eixos de trânsito, permitindo o escoamento mais rápido dos veículos que hoje transitam pela Grande São Luís.
O ponto comercial ao qual me refiro era o espaço de vendas de bandeiras e camisas dos clubes de futebol locais, nacionais e da Seleção Brasileira, localizado em frente da curva do ex-supermercado Lusitana/Bom Preço, na rotatória da entrada para o bairro do Olho D’Água, popularmente conhecido como Shopping Varal, local onde ambulantes comercializavam camisas do Sampaio Corrêa, Moto, Maranhão e de algumas equipes do interior, sem contar os grandes times como Flamengo, Vasco, Fluminense, Corinthians, Palmeiras e também da Seleção Brasileira, além de consagradas agremiações estrangeiras.
A cidade cresce absurdamente. Atualmente, abriga mais de 1 milhão e cem mil habitantes. Possui o quarto PIB do Nordeste, ocupa a 15ª posição no ranking das cidades mais populosas do Brasil e contempla novo rosto social e urbanístico, preparando-se para as grandes transformações da gestão vitoriosa do prefeito reeleito Eduardo Braide.
Por ter sido cliente da loja ao ar livre por longo tempo, guardo na memória como a “calçada-de-vendas” ficava cheia durante as copas mundiais e os grandes embates dos campeonatos maranhenses, brasileiros e europeus. Valia a pena! Quando uma camisa original da Seleção Canarinha fabricada pela Nike custava em torno de R$ 350,00, no mesmo ponto, a cópia pirata não ultrapassava R$ 60,00 e parecia idêntica à original, perfeita e inconfundível.
Lembro ter ido em algumas festas de aniversário de amigos no Olho D’Agua e quando esquecia o presente, a lâmpada acendia e indicava o Shopping Varal para a compra de camisa do clube predileto do aniversariante e ainda pedia para embrulhar em embalagem especial. Quase sempre passava como comprado em loja esportiva, tal a malandragem chinesa do produto.
Essa área de venda funcionou por muitos anos sem incomodar lojistas tradicionais, que geram impostos e empregos ou a própria receita estadual. Foi um fenômeno de vendas nos fins de semana nas idas para as praias do Olho D’Água, do Meio e do Araçagi. Sempre tinha público e me lembro de um dos donos, um caboclo forte, bom negociador e de lábia típica dos antigos marreteiros da rua Grande e do Mercado Central.
O fenômeno comercial funcionou muito tempo e economizou muita grana da clientela do bolso curto, aquela parcela que não dispunha de poder de compra para adquirir o original nas lojas especializadas. E contribuiu para popularizar artigos esportivos, com preços acessíveis, permitindo a inclusão social ao público do esporte de massa.
O pequeno centro de compras fechou demandado pela contemporaneidade, quando o governador Carlos Brandão resolveu dar um basta nos intensos engarrafamentos diários no entroncamento e partiu para realizar a intervenção que otimizou o fluxo de trânsito de acesso à rota oceânica, facilitando a vida dos moradores e descongestionando o tráfego naquela artéria de intensa circulação viária. Deu certo e melhorou a fluidez do tráfego e a vida de todo mundo.
Mas caso ainda estivesse em atividade, o Shopping Varal, iria lavar a burra com a venda de camisetas do Flamengo, Palmeiras, Botafogo e Fluminense – que jogou um bolão na Copa Mundial de Clubes, mas levou azar. Graças a Deus o “SV” cerou às portas bem antes do absurdo de ter que exibir em seu portfólio o novo uniforme vermelho da Seleção Brasileira que chegou a ser produzido pela Nike nos bastidores, mas, com o repúdio do torcedor e da população brasileira, a CBF mandou para a lixeira a esdrúxula vestimenta encarnada, concebida para a torcida do PT, de Cuba, da Venezuela, da Bolívia e de outros paisinhos idolatrados pela esquerda-caviar, que destrói qualquer nação.
A Seleção Canarinha atual, apesar de ruim, sempre será verde, amarela e azul, encantadora e cheia de vida como foi o Shopping Varal.
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