
No dia 1º de agosto de 2025 celebra-se em todo o Brasil o Dia do Poeta da Literatura de Cordel, uma efeméride que homenageia os homens e mulheres que reinventam, em versos rimados e folhetos populares, a tradição oral nordestina que atravessa gerações.
Instituído como símbolo da preservação cultural e reconhecido como Patrimônio Imaterial pelo IPHAN desde 2018, o cordel vem ganhando cada vez mais espaço em eventos, feiras e acervos institucionais em Brasília, Fortaleza (em todo o Ceará, na verdade), João Pessoa e outras capitais.
Entre os cordelistas destacados, o gênero encontra vida e renovação em vozes femininas e masculinas que se articulam nas academias dedicadas à arte poética popular contemporânea, como é o exemplo da Academia Brasilkeira de Literatura de Cordel e também, da espetacular Academia de Literatura de Cordel do Ceará.
Para a Academia Poética Brasileira, há de se destacar com muita ênfase, a ideia da atual diretoria em abrir vagas, exclusivamente para a poesia de Cordel, reunindo poetas da melhor estipe encontrados no Maranhão e no Ceará, para começo de conversa. Assim, destaque-se hoje a importância das cordelistas Raimunda Frazão, Esmeralda Costa e Goreth Pereira, bem como do cordelista Pedro Sampaio, todos integrantes da família APB, sem dúvida, nomes centrais no renascimento do cordel brasileiro moderno.
Raimunda Frazão, do Maranhão, figura rara entre mulheres cordelistas, com dezenas de cordéis e livros publicados, leva a cultura maranhense a partir de sua vivência e memória popular. Seus versos narram festas, folguedos, histórias reais e lendas locais, consolidando-se como presença constante em eventos literários Brasil afora.
Esmeralda Costa, que além da APB é também expoente da Academia Cearense de Literatura de Cordel, aparece ligada a grupos muito fortes de disseminação do cordel, especialmente em sua titularidade como Colunista Exclusiva da coluna Cordel Brasileiro, junto à Plataforma Nacional do Facetubes ( www.facetubes.com.br - com algo em torno de 150 mil acessos mensais).
Já Goreth Pereira, também maranhense, conquistou destaque nacional ao participar da 40ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro em 2023, onde foi premiada por um cordel contundente contra a violência contra a mulher e exaltou seus pares dentro da Academia Poética Brasileira, incluindo Raimunda Frazão, Esmeralda Costa e Pedro Sampaio.
Por sua vez, Pedro Sampaio desponta como cordelista e poeta que, junto a essas cordelistas, encarna a revitalização do gênero na contemporaneidade. Em relatos recentes, o agrupamento liderado por ele e pelas cordelistas fomenta um renascimento que atravessa as barreiras físicas do Nordeste e alcança leitores brasileiros via Facetubes, valorizando tanto o tradicional como o urgente e moderno.
E é através desse poderoso movimento digital liderado por uma das maiores plataforma de cultura do Brasil - o Facetubes - que tem permitido aos nordestinos e brasileiros no exterior acompanharem diariamente novos versos e novas obras que ampliam a voz do cordel no cotidiano.
Neste Dia do Poeta da Literatura de Cordel, enaltece-se a missão desses escritores-populares – homens e mulheres que, com sensibilidade e engenho, transformam o cotidiano, a história e a imaginação em poesia rimada de raiz popular.
Suas obras tecem a memória do Nordeste e ao mesmo tempo dialogam com a era digital, criando pontes entre gerações, zonas urbanas e ruralidades, preservando a cultura do folheto pendurado em cordel e incorporando gravuras, música e oralidade.
Por isso, a Plataforma Nacional do Facetubes escolheu sua titular do Cordel, professora e poeta Esmeralda Costa para cantar seu dia.
E assim foi:
Dia do Poeta da Literatura de Cordel
Esmeralda Costa
"1º de Agosto"
É dia de festejar,
O poeta do cordel,
Que rima com tanto zelo,
Versar é o seu laurel.
Com talento e com coragem,
À cultura ele é fiel.
Neste primeiro de agosto,
A memória é celebrada.
Nosso artista popular,
Da poesia bem rimada.
Ele encanta, ele ensina,
Com arte tão inspirada.
Cordel é literatura
É riqueza e tradição,
Com a métrica e com rima,
Oração, inspiração.
É saber que vem do povo
E nos fala ao coração.
No folheto bem cuidado,
Cada verso tem razão.
Conta a história, faz denúncia,
Traz riso e reflexão.
Na capa bem ilustrada
Traz a alma do sertão.
Na xilogravura vemos
Um desenho encantador.
Casamento tão bonito
Com o verso do autor.
É imagem que conversa
Com rimas do cantador.
O poeta do cordel
É guardião do saber.
Seja em feira ou em escola,
Nos ajuda a compreender
A beleza do Nordeste
E o valor de bem viver.
É cultura de raiz
Que não deve perecer.
Tem na rima um compromisso
De manter e defender
A memória do seu povo
E a vontade de escrever.
Celebrar o cordelista
Neste dia nacional.
É lembrar que esse poeta
Tem um dom especial.
Com a pena ou na garganta,
A missão ele é leal !
Que viva o verso rimado,
Viva a história bem contada!
Viva cada nordestino
E sua voz afinada!
Que o cordel siga brilhando
Sendo luz na caminhada!
O poeta do cordel
Não escreve por vaidade.
Ele canta sua terra,
Seus amores, a verdade.
Com a força da palavra
É voz da comunidade.
Estandarte do cordel
Da cultura, um baluarte.
Fala de fé e justiça,
Com coragem, toma parte.
Onde o povo é esquecido,
Ele escreve, ele reparte.
Poeta não tem diploma,
Mas tem alma, tem saber.
Vai pegando inspiração
Este dom é seu poder.
Seu diploma é o respeito
Que conquista em seu viver.
Ele ensina em cada canto,
Cordel traz cada lição.
No campo da poesia
Expressa sua emoção.
Traz no verso seu exemplo
De coragem na missão.
Seu saber vem do sertão,
De toda sua existência
Carrega cada palavra
Com força, com persistência
E transforma em poesia
Dor, saudade, resistência.
Quem conhece um cordelista
Não esquece do cordel.
Pois o dom desse poeta
Vem de Deus, feito laurel,
E a riqueza que ele espalha
Vale mais do que papel.
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