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José Neres: “A SAÚDE MENTAL DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO” 

José Neres é membro da Academia Poética Brasileira e da Academia Maranhense de Letras.

12/08/2025 às 12h09 Atualizada em 14/08/2025 às 13h15
Por: Mhario Lincoln Fonte: Prof. José Neres
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Imagem do texto oritinal (Imagem criada com auxílio de Inteligência Artificial).
Imagem do texto oritinal (Imagem criada com auxílio de Inteligência Artificial).

José Neres 


Estou na docência desde 1991. De lá para cá são quase três décadas e meia de sala de aula e algo que sempre me deixou preocupado é a saúde mental das pessoas que trabalham na Educação.

 

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Para quem não vive as rotinas de uma escola, a vida do professor e dos demais atores envolvidos com a Educação parece ser algo fácil: “basta dar a aula ou executar algumas tarefas burocráticas e ir embora”. “Os sortudos ainda contam com duas férias por ano”. Mas a realidade não é bem assim.

 

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Existe toda uma dinâmica invisível, que vai além da sala de aula, dos corredores e dos muros de uma instituição de ensino, e que pode levar esses profissionais a um adoecimento físico e mental. Não se trata apenas do esperado cansaço após uma jornada de trabalho, muita vezes em condições adversas, da exposição a ruídos que extrapolam os limites recomendados, do esforço repetitivo diante de um quadro, da vista cansada após uma exaustiva sessão de correção de provas e trabalho ou da certeza de uma remuneração que está muito aquém do esforço despendido. Há outras situações que nem sempre são percebidas por quem não está a par dessa realidade.

 

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Constantemente, vejo colegas com o olhar perdido no horizonte e com as marcas da desesperança estampadas até mesmo nas mais sutis palavras e nos  movimentos involuntários. A angústia tornou-se  parte do uniforme de muitos educadores.

 

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Esses profissionais vivem em constante estado de insegurança. A violência, que antes era apenas tema de algumas aulas, há muito tempo já invadiu o ambiente escolar e tem deixado marcas físicas e psicológicas em suas vítimas, conforme pode ser visto em reportagens e depoimentos que são compartilhados e reproduzidos à exaustão.

 

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Muitos professores e demais funcionários vivem a angústia de não poderem projetar nem mesmo um futuro próximo, pois trabalham assombrados pelo fantasma da dispensa ou de alguma remoção para um lugar afastado do seu perímetro de atuação.

 

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Praticamente todos já perceberam que não têm voz nem vez, pois as decisões são tomadas sem a participação de significativa parte da comunidade escolar. Resta então obedecer ao que foi determinado, de preferência sem questionamentos, pois questionar nem sempre é interpretado como uma tentativa de ajudar a compor um cenário mais democrático, mas sim como uma afronta a uma ordem de quem se julga superior aos próprios colegas. Muitos, então, optam pelo silenciamento das próprias ideias. E isso não traz bons resultados.

 

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Há ainda o caso dos profissionais que recebem tarefas para as quais não foram preparados. Diante da angústia de não poderem executar as atividades da forma que desejariam e, muitas vezes, pressionadas por todos os lados, essas pessoas acabam substituindo o prazer do trabalho por crises de ansiedade ou mesmo por constantes episódios de Burnout, o que geralmente culmina com picos de estresse, desânimo, esgotamento físico, sensação de fracasso e até alteração nas funções básicas do organismo.

 

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Constantemente, escuto colegas dizendo que estão arrependidos da profissão que escolheram ou, pior ainda, abusando de medicamentos, muitas vezes sem acompanhamento profissional. Há também casos daqueles que se entregam a drogas lícitas e ilícitas e ao vício de jogos, o que acaba piorando a saúde mental desses trabalhadores.

 

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Em 2010 escrevi um artigo intitulado “O Do(c)ente” tratando sobre o assunto. De lá para cá parece que nada mudou, ou melhor dizendo, o pouco mudou parece que foi para pior. De lá para cá, tenho sempre tratado do assunto, buscando compreender as causas e as consequências desse fato incontestável, mas que nem sempre é discutido nas chamadas formações e nas reuniões.

 

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Parece que a saúde mental dos profissionais da Educação é um mais um daqueles assuntos que são constantemente varridos para debaixo de um tapete de ilusões.

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Prof. José Neres.

Prof. José Neres: Torna-se Mestre pela Universidade Católica de Brasília (2012), e Doutor pela Universidade Anhanguera (2020), cuja pesquisa teve como foco o "Ambiente e Sustentabilidade na Poética de José Chagas". Foi eleito em 30 de outubro de 2014 para a cadeira n.º 36 da Academia Maranhense de Letras, na sucessão de Ubiratan Teixeira, e sendo recepcionado em 19 de março de 2015, pela professora Ceres Costa Fernandes

É membro-efetivo da Academia Poética Brasileira e indicado para a vice-presidente regional da entidade, no Maranhão.

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Prof. Arnaldo CavalcanteHá 10 meses Rio de Janeiro. RJIncrível. Quando lecionei durante a transformação dos cursos universitários em UFMA eu e o prefeito Haroldo Tavares, em alguns encontros na Base do Germano, conversávamos sobre a grandeza de uma nova geração de maranhenses que estava surgindo. Ele empolgado com a Escola de Engenharia e Agronomia. Hoje, para a minha tristeza, esse fato não aconteceu. Por que? Pergunto-me sempre quando leio uma excelente matéria como esta Parabéns, sr. Neres.
Reynaldo TavaresHá 10 meses São Luís O momento agora professor é de grande reflexão sobre o futuro da nossa cultura maranhense e da nossa educação. Antes do governo Sarney o índice de analfabetismo no Estado era de 75% entre adultos e crianças. Hoje, segundo a Agência Litz, o índice de crianças na escola, mas analfabetas, é de 51%. Se comparar um momento com outro, hoje, o índice é muito maior.
Prof. Carlos (Kaká) de Sousa RochaHá 10 meses Sou professor na Rede Municipal de ensino da Cidade de Fortaleza CEAntes de entrar no portão de minha escola, um caba pequeno, me entregou este bilhete da mãe ou do pai:"Há professores que diante das maiores tempestades, mantêm acesa a luz do saber. Enfrentam não apenas a sala de aula, mas um cenário de incertezas, que, muitas vezes, pulam os muros da escola. Ainda assim, o sr. está firme e seguro, como quem sabe que cada dia é uma nova oportunidade de plantar sementes. Dê seu melhor hoje, professor". Entrei superorgulhoso para enfrentar o dia.
Lilian FeitosaHá 10 meses Belo Horizonte Minas.Os guerreiros tem que continuar na luta para superar esses homens sem lei e sem objetivos que matam todos os dias milhares de alunos públicos, impedindo que nós, professores, façamos a nossa parte.
Norberto LopesHá 10 meses Pindaré-Mirim do MaranhãoParabéns ao Dr Neres por essa bela peça literária.
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