
Mhario Lincoln
Através de uma amiga, conheci Jucimara Vergopolam. Artista, poeta. sem dúvida, uma pessoa de um dom extraordinário. Então, curioso em conhecer mais de perto, solicitei a essa amiga que me enviasse algum trabalho, a fim de que publicasse em nossa Plataforma Nacional do Facetubes. Eis que, de repente, lá estava no meu 'zap' o poema “Pôr do Sol”, assinada por Ju Vergopolam, nome artistico de Jucimara.
Imediatamente imergi nessa lírica e acabei por encontrar uma sutileza construtiva de tal forma que me remeteu ao quase concretismo lírico: palavras dispostas com ritmo e repetição, um eco meditativo que remete ao movimento tortuoso do tempo que corre e se detém no instante da imagem poética.
A repetição insistente de “Sempre que o Sol se põe, ele me fala...”, a mim me pareceu funcionar como uma mandala verbal — um círculo que retorna eternamente ao ponto de partida, gerando um padrão, uma disciplina verbal, e um tipo de visualidade sonora. Aliás ela produz Mandalas físicas excepcionais, diga-se de passagem.
Sim! Ju também é reconhecida por suas mandalas artísticas amplamente aplaudidas, inicialmente em União da Vitória – PR, onde reside e, ao depois, em várias partes deste pais. Claro que essa prática acaba ecoando no poema, ou seja, no mesmo preciso entrelaçar de formas e significados. Assim como na mandala, cada verso vem posicionado com intencionalidade: pausa, repetição, renascimento.
e como eu sempre analiso o que eu gosto inclusindo a filosofia como guia, afirmo que esse lírico (quase) concretismo se mistura à filosofia estoica, e nos ensina a acolher o tempo que passa — o tempo como algo soberano que “não para, que segue, que corre” — e a repousar nele sem desistência.
Marco Aurélio, em seus "Pensamentos", disse que “tudo flui, tudo se transforma” (“panta rheî”) — e Ju Vergopolam reflete essa consciência: mesmo o pôr do sol, ícone de final, fala, paradoxalmente, de recomeço e esperança.
Clarice Lispector, "en passant", em sua prosa-poética minimalista, e também Lygia Fagundes Telles em seus contornos delicados de emoção foram igualmente 'afetadas' por essa questão do tempo/espaço/tempo. Elas em algumas de suas produções - compartilharam reverência ao 'instante fugaz' transformado por quem observa e sente. Parecem criar uma intimidade 'atemporal' entre o leitor e o fenômeno comum, transformado em revelação.
Essa síntese: entre a arte, disciplina, mandala há certa quietude, recomeço, esperança, saudade nesse “Pôr do Sol”, fazendo dele, um verso-transição, um limiar. O poema redime a passagem do tempo, devolvendo ao leitor não angústia mas possibilidade — o bom e o ruim passam, o novo pode ser acolhido.
Desta forma, Ju Vergopolam - em minha opinião pessoal e instransferível - inaugura um modelo de poesia que, como a mandala, exige tempo — de leitura e de silêncio. É poesia - (um quase) concretismo-lírico no ritmo; um poema contemplativo como pensamento estoico, gesto de recomeço, sorriso renovado àquele que observa o Sol que se despede, mas que também convida à esperança e ao continuo nascer.
Fiquei muito feliz em conhecê-la através dessa obra. Volta sempre!
O POEMA
Sempre que o Sol se põe, ele me fala do tempo,
soberano, que não para, que segue, que corre, nos escapa, nos falta…
Sempre que o Sol se põe, ele me fala de quietude
De descanso, de pausa, de renovação, mas jamais de desistência…
Sempre que o Sol se põe, ele me fala da vida
Que tudo passa, que o bom passa, mas o ruim também…
Sempre que o Sol se põe, ele me fala de recomeço
De deixar pra trás o que não nos cabe mais…
Sempre que o Sol se põe, ele me fala de esperança,
de possibilidade, de abraçar o novo, de olhar pra frente…
Sempre que o Sol se põe, ele me fala de Deus,
pois, ele ainda está lá, ainda que eu não possa vê-lo.
Sempre que o Sol se põe, ele me fala de saudade
Pois, afinal, nem tudo é pra ser esquecido…
Mhario Lincoln, presidente da Academia Poética Brasileira.
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QUEM É
Jucimara Gonçalves Meira Vergopolam, nasci em União da Vitória – PR, aos 07 de julho de 1979. Sou casada, mãe de três filhos autistas. Graduada em Letras Português/Espanhol, pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória/PR FAFI (2013). Pós-Graduada em Educação Especial e Inclusiva, pela Universidade Estadual do Paraná campus de União da Vitória/PR UNESPAR (2015). Acadêmica do Curso de Licenciatura em Pedagogia, pelo Centro Universitário Cidade Verde - UniCV, de Maringá/PR. No dia 12 de abril 2025, tomei posse como membro efetivo da Alvi - Academia de Letras do Vale do Iguaçu, também neste ano me tornei membro da Associação dos Artistas Plásticos do Vale do Iguaçu (2025) e da Associação dos Artistas Plásticos Amadeu Bona (2025). Já participei de quatro Exposições Artísticas coletivas e no dia 18 de junho passado, através de um convite da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de União da Vitória, realizei a minha primeira exposição individual chamada “Entre Cores e Versos”, onde expus obras de Mandalas em pontilhismo e Aquarelas. Como artista plástica ainda me dedico a artes de Lettering em giz e pintura com lápis de cor. Como escritora já participei de uma Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, em 2023, e tenho participação em dez Antologias Poéticas com diversos poemas publicados. Também recebi o Título de “Semeadora Cultural”, pelo Jornaliterário de Minas Gerais, em 2023; e certificado de “Honra ao Mérito”, conferido pela Rubi Editorial do Rio de Janeiro, 2025.
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