
Editoria de Literatura e Arte – Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln, Pedro Sampaio e Jones Cavancante (correspondente da Platafoprma do Facetubes, no Ceará).
No dia 13 de agosto, Caruaru celebrou com emoção e reverência os 97 anos de vida de Onildo Almeida, mestre da música nordestina e autor da icônica “Feira de Caruaru”. A data marcou não apenas o aniversário de um dos maiores compositores da cultura popular brasileira, mas também a reafirmação de seu legado como patrimônio vivo da cidade e da música nacional.
Nascido em 1928, Onildo construiu uma trajetória marcada por mais de 530 composições, muitas delas eternizadas por nomes como Luiz Gonzaga, Gilberto Gil e Chico Buarque. Sua parceria de mais de três décadas com Gonzagão foi decisiva para projetar Caruaru e o imaginário nordestino no cenário musical brasileiro. A “Feira de Caruaru”, com sua riqueza de imagens e personagens, tornou-se símbolo da originalidade do povo nordestino e da força narrativa de Onildo.
A celebração de seus 97 anos reuniu amigos, artistas e admiradores em uma festa marcada por afeto, música e reconhecimento. Entre os presentes, o mestre Roberto Gercino, do Boi Tira-Teima, exaltou o exemplo de vida de Onildo como inspiração para as novas gerações. Dona Maria do Bolo, também considerada patrimônio vivo da cidade, trouxe o tradicional bolo pé de moleque, enquanto o maestro Mozart Vieira emocionou os convidados ao reger forrozeiros em homenagem ao aniversariante.
A nova geração de músicos também marcou presença, reconhecendo em Onildo uma referência essencial para suas carreiras. Um dos sanfoneiros presentes destacou a importância de ser contemporâneo de uma “sumidade musical”, cuja obra atravessa décadas e movimentos culturais. Nos anos 1970, Onildo levou a Banda de Fitas de Caruaru ao Rio de Janeiro para gravar o primeiro vinil da história do grupo, contribuindo com o movimento Tropicália e ampliando os horizontes da música nordestina.
Em sua casa, rodeado por prêmios, letras e lembranças, o mestre recebeu os convidados com alegria e gratidão. Ao lado da companheira de vida, D. Lenita, compartilhou a emoção de viver cercado por reconhecimento e afeto. “A vida sem arte, cultura e forró não tem sentido”, disse Onildo, com o vigor e a lucidez que surpreendem aos 97 anos. “Sou muito conhecido, muito prestigiado. A minha obra depende da sabedoria de Deus, que tem me conservado com saúde. Que esses momentos se repitam constantemente, para honra e glória daquele que é o maior de todos.”
Em meio ao povo, o mestre seguiu celebrando com alegria, como sempre fez: com música, poesia e a alma nordestina pulsando forte.
*****
Vale acrescentar que coube a Onildo Almeida compor à pedido do próprio Luiz Gonzaga, escrever uma última canção, antes que Gonzaga se aposentasse dos palcos. Depois de muito relutar (porque ninguém aceitava Gonzagão ir para a aposentadoria), escreveu:
O meu cabelo já começa prateando
Mas a sanfona ainda não desafinou
A minha voz vocês reparem eu cantando
Que é a mesma voz de quando meu reinado começou
Modéstia à parte, mas se eu não desafino
Desde o tempo de menino
Em Exu, no meu sertão
Cantava solto que nem cigarra vadia
E é por isso que hoje em dia
Ainda sou o rei do baião
Eu agradeço, ao povo brasileiro
Norte, Centro, Sul inteiro
Onde reinou o baião
Se eu mereci minha coroa de rei
Esta sempre eu honrei
Foi a minha obrigação
Minha sanfona minha voz o meu baião
Este meu chapéu de couro e também o meu gibão
Vou juntar tudo, dar de presente ao museu
É a hora do adeus
De Luiz rei do baião
*****
VÍDEO-BÔNUS
(Imagens cedidas para o radialista Jones Cavalcante - 'Rádio Patacas'. Esta publicação não tem fins comerciais). Quem conversa com o homenageado é o Presidente da Fundação Cultural de Caruaru, Herlon Cavalcanti, a quem agradecemos de público.
EM TEMPO: O poeta Pedro Sampaio escreveu uma peça literária das mais bonitas em homenagem a Onildo Almeida.
"O Mestre da Feira"
O Filho de José Francisco o "Seu Zinha"
E de Dona Flora Camila, a Mãe amada
E lá na Rua dos Guararapes, na Camarinha
Uma Criança pelas mãos d'uma Parteira, era aparada
Pra vir a ser Onildo Almeida, Cantor e Compositor
Ele é da Feira, adorável e admirável Cidadão
Por Caruaru, Onildo sente imenso amor
Um consagrado, Parceiro de Gonzagão
Homens do TREZE, de Agosto e de Dezembro
Dos seus sucessos, todo dia eu me lembro
Tei Tei No Arraiá, A Hora do Adeus, e Sanfoneiro Zé Tatú
Onildo é recorde, com artistas, gravando suas composições
Ele aos NOVENTA E SETE Anos, vive grandes emoções
Salve Onildo, o Mestre amado da Feira de Caruaru.
(Pedro Sampaio)
Mín. 12° Máx. 17°