Por Rogério Rocha
Hoje é o Dia do Filósofo, uma data que me inspira a compartilhar com vocês o que significa, para mim, viver a filosofia.
A mola mestra do pensamento é a curiosidade de descobrir, desvelar e conhecer mais sobre a realidade interna, externa e além de nossa existência.
Complementarmente, a ciência dos limites naturais da condição humana, de um certo estado de ignorância fundamental que nos acompanha e, em função disso, a postura humilde frente ao que desejamos conhecer, também são pressupostos para que alguém possa fazer uso da reflexão ordenada.
Movidos por um desejo transformado em paixão e amor pelo saber, somos tomados por uma necessidade intensa de deixar para trás uma visão superficial dos fenômenos da vida. É quando decidimos ceder a esse chamado a um mergulho em camadas mais íntimas do ser que nos defrontamos definitivamente com a filosofia.
Ser filósofo, portanto, não é apenas mergulhar em livros, dar opiniões sobre qualquer coisa, defender teses complexas e mirabolantes, escrever artigos imensos e citar dezenas de referências ou repetir ideias antigas, a título de louvor aos argumentos de autoridade.
Ser filósofo é estar disposto a ver o mundo com olhos inquietos. A contribuir com o seu próprio pensamento, ou seja, a pensar por si mesmo. É questionar verdades prontas, lugares-comuns, discursos falaciosos, engodos, fraudes e sofismas, para, daí, tentar compreender as nossas contradições e as do nosso tempo.
Em meio ao caos contemporâneo, a filosofia é, portanto, a ferramenta que me ajuda a não me perder e, ao mesmo tempo, a aceitar que algumas respostas talvez nunca cheguem. Afinal, há mesmo respostas para todas as perguntas? Existem soluções para todos os enigmas? Sempre temos que achar a saída para todos os problemas?
Eu acredito que o papel do filósofo, neste século, é tornar o pensamento vivo, acessível, comunicável, mais próximo das pessoas, capaz de iluminar dúvidas (ao invés de confundir), fomentar reflexões e provocar novos diálogos. Mais do que nunca, precisamos de clareza e profundidade diante das incertezas que nos cercam.
Por isso, celebro hoje não apenas um dia, uma data, uma profissão ou uma área do saber, mas uma forma de estar no mundo: com coragem para pensar, sensibilidade para ouvir e ousadia para questionar.
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