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“Injustiçado? Talvez! Mas não há complô para que o Brasil não ganhe um Prêmio Nobel”

Disse Sérgio Sacani em recente podcast no Youtube. e você. O que acha? Então leia esta reportagem excluiv a da Plataforma Nacional do Facetubes.

19/08/2025 às 19h53 Atualizada em 19/08/2025 às 20h20
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria-Geral do Facetubes
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Representações fotográficas de Chagas e Prates (Ginai/MHL).
Representações fotográficas de Chagas e Prates (Ginai/MHL).

editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes (Acesse mais: www.facetubes.com.br).

 

No vídeo “‘BRASIL É INJUSTIÇADO NO PRÊMIO NOBEL’,  Sérgio Sacani, conhecido divulgador científico sustenta que a ciência brasileira sofre um déficit histórico de reconhecimento, em parte, por vieses geopolíticos e de visibilidade. O ponto é pertinente — e recorrente em debates sobre o Nobel —, mas exige contraste com evidências e com a memória de brasileiros que chegaram muito perto da láurea.

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O Brasil, de fato, nunca teve um laureado “brasileiro” nas seis categorias do Nobel. Há, porém, um detalhe frequentemente esquecido: o fisiologista Peter Brian Medawar, nascido no Rio de Janeiro, venceu o Nobel de Medicina de 1960 como pesquisador britânico, por descobertas que abriram caminho aos transplantes — um exemplo de talento nascido aqui, mas absorvido por outro sistema científico. (NobelPrize.org)

 

Também é preciso lembrar como o Nobel escolhe e o que é (ou não) público. As indicações são sigilosas por 50 anos; somente passado esse período as nomeações e pareceres vêm à tona. Isso limita qualquer lista de “quase” laureados a casos documentados até esse marco temporal — ou a evidências indiretas, sempre com cautela.

 

SERGIO SACANI: "Injustiça, talvez! Complô, não!"

Entre os casos mais sólidos está o de Carlos Chagas. Descobridor do agente, do vetor, do ciclo, das manifestações clínicas e da epidemiologia da doença que leva seu nome, Chagas foi indicado ao Nobel em 1913 e 1921. Em 1913, o prêmio foi para Charles Richet (anafilaxia); em 1921, a Medicina sequer foi concedida. Pesquisas históricas mostram que Chagas 'enfrentou resistência doméstica e disputas acadêmicas que minaram seu favoritismo", mais ou menos na linha de pensamento de Ozires Silva, em palestras que ele dava (e inclua esse assunto Nobel, sempre) em vários cantos do Brasil.

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Na Física, César Lattes é o símbolo do “quase”. Co-descobridor do píon em 1947 e figura central na física brasileira, ele foi indicado sete vezes, mas o Nobel de 1950 premiou apenas o chefe do grupo, Cecil F. Powell, sobretudo “pelo desenvolvimento do método fotográfico” usado na descoberta — uma decisão que, segundo historiadores da ciência, refletiu práticas e hierarquias da época. Estudos recentes sobre os arquivos do Nobel e análises de FAPESP ajudam a entender por que Lattes ficou de fora, apesar do peso de sua contribuição. (Revista Pesquisa Fapespsymmetry magazineSciELO Brasil)

 

Na literatura, os arquivos oficiais já permitem afirmar que Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade foram, de fato, candidatos — isto é, nomeados por proponentes habilitados — em mais de uma ocasião, o que os coloca entre os brasileiros que “chegaram à antessala” do prêmio. A confirmação está na base de dados de nomeações do Nobel (liberada após 50 anos).

 

Na Paz, o caso de Dom Hélder Câmara é paradigmático: líder católico contra a ditadura e a pobreza, foi múltiplas vezes indicado no início dos anos 1970. Documentos e reportagens mostram que o regime militar brasileiro atuou para "sabotar sua candidatura" — um esforço que ajuda a explicar por que ele não venceu; em 1972, o comitê sequer outorgou o prêmio. O registro de nomeação e o dossiê jornalístico sustentam esse quadro.

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Há, por fim, explicações estruturais menos espetaculares e mais persistentes do que “injustiça”. A correlação entre Nobel e massa crítica de pesquisa (investimento contínuo, redes internacionais, universidades de ponta) pesa. O Brasil investe cerca de 1,1% do PIB em P&D — longe da faixa de países líderes — e ocupa posições intermediárias no Global Innovation Index; ainda assim, brasileiros integraram esforços vitoriosos como o IPCC, co-laureado com o Nobel da Paz de 2007, caso de Carlos Nobre, entre outros. O problema, portanto, não é ausência de mérito, mas a interseção de história institucional, financiamento e visibilidade global. O debate suscitado é oportuno: reconhecer vieses e aprender com nossos “quase” laureados também é parte de construir políticas que mantenham o pesquisador no país, ampliem cooperações e façam a ciência brasileira pesar no centro das agendas internacionais.

 

Essa matéria tem a chancela da Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes.

 

*************

Fontes principais: vídeo citado; Nobel Prize (bases e páginas históricas); Fiocruz/Scielo (Chagas); Revista Pesquisa FAPESP e Symmetry Magazine (Lattes); Nobel nomination archive (Amado, Drummond, Dom Hélder); Folha de S.Paulo (dossiê sobre sabotagem); World Bank/UNESCO e WIPO-GII (dados de P&D e inovação); IPCC (Nobel de 2007). YouTubeNobelPrize.org+2NobelPrize.org+2SciELO BrasilRevista Pesquisa Fapespsymmetry magazinePortal da Doença de ChagasRincón educativoFolhaWorld Bank Open DataWIPOdarstcenter.orgWikipedia

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JaimeHá 10 meses BBSB/DFMagnífico artigo, muito informativo, rico em detalhes e deixa para cada leitor, tirar as suas próprias conclusões.
JaimeHá 10 meses BBSB/DFUm artigo que nos leva a uma reflexão muito profunda, por sua riqueza de detalhes e nos faz tirar as nossas próprias conclusões.
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