
VERDES MARES
*Socorro Guterres, Acadêmica-Efetiva da ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA e colaboradora da Plataforma Nacional do Facetubes.
Um evento em Fortaleza e a oportunidade de rever a bela capital cearense. Eu estava ansiosa pela chegada desses dias em que pertenceria oficialmente a Academia Poética Brasileira. E como gratidão à cidade resolvi escrever esta prosa, maravilhada que estava com as mudanças na orla que transformaram a Avenida Beira-Mar num espetacular complexo turístico; conjunto que integra calçadão e hotéis que se estendem ao longo das praias de Iracema, Meireles e Mucuripe. Mas antes de descrever a modernidade de uma das orlas mais bonitas do Brasil, vamos relembrar sua origem histórica.
Em 1649 os holandeses, sob o comando de Matias Beck, construíram o Forte Schoonenborch, que deu início ao desenvolvimento da cidade fundada oficialmente como vila em 1726. O forte, retomado pelos portugueses recebeu o nome de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, dando origem à denominação atual, que faz referência à antiga edificação militar, tornando-se importante entreposto comercial.
Hoje em dia Fortaleza é uma cidade fervilhante de atrativos turísticos e culturais, sobretudo na área humorística com nomes de reconhecimento nacional e internacional. Na própria orla encontra-se a Arena do Humor, com a apresentação de diversos artistas que com suas irreverências e carismas fazem o riso brotar com facilidade. Além disso, no calçadão do novo aterro, o aspecto cultural é diversificado: sanfoneiros, rock, jazz, samba e pagode podem ser encontrados nas inúmeras casas de espetáculos e restaurantes, estes de rica culinária. Antes de nos rendermos definitivamente aos verdes mares, vamos a um passeio pelo centro histórico, de ruas limpas e casarios preservados como a antiga cadeia pública, atualmente Palácio das Artes e Artesanato, onde rendas, bilros e garrafinhas de areias coloridas, dentre tantos outros encantos, disputam a atenção dos visitantes. O icônico Teatro José de Alencar, de notável arquitetura e jardins projetados por Burle Marx é visita imperdível, bem como a Catedral Metropolitana, em estilo neogótico romano e torres que chegam a alcançar 75 metros de altura. Ademais, o Centro Cultural Dragão do Mar é importante polo difusor de arte e cultura, dispondo de museus, teatros, auditórios e espaços para exposições, mostrando quão diversa e vibrante é a cultura cearense.
Enfim, os verdes mares cantados por José de Alencar, um dos principais nomes do Romantismo brasileiro, que tão bem retratou em Iracema, a fauna e a flora nativas na história que conta o encontro da Índia Iracema e do português Martim, gerando nessa fusão de raças a lenda do primeiro cearense: Moacir. Livro que até hoje costumeiramente é cobrado nos concursos de admissão às grandes universidades brasileiras.
Mas voltemos às praias, com seus prédios altíssimos, torres que lembram a futurista Dubai, e o frenesi do imenso calçadão com esportes para todos os gostos e segurança exemplar, com mais de 300 câmeras que asseguram aos transeuntes e desportistas um perfeito lazer.
Do décimo segundo andar do hotel em que estávamos hospedados eu contemplava os verdes mares; os dias longos, que ainda na primeira aurora chamava os madugadores para as caminhadas saudáveis, e os finais da noite, já quase encontrando a madrugada, em que as luzes ainda traziam a silhueta de um ou outro boêmio (ou admirador) que teimava ainda em render homenagem ao mar.
Ah, Fortaleza, mais vezes quero te reencontrar, pois no meu olhar trouxe um pouco do verde do teu mar. E cada cantinho que percorri entre a Ponte dos Ingleses, com a inusitada escultura "La Femme Bateau", e as jangadas dos pescadores no Mercado do Peixe, na também cantada Mucuripe, soube me conquistar. Se eu pudesse para sempre deixaria o meu barco aventureiro resvalar à flor das tuas águas, assim como fez o imortal cearense José de Alencar.
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