
Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes.
De Octavio Paz: “A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono”.
É com honra que a Plataforma Nacional do Facetubes se integra ao evento, como órgão divulgador do III Festival da Palavra, em Curitiba, que reafirma a força da literatura como campo vivo de reflexão, encantamento e transformação. Entre os dias 10 e 14 de setembro, a cidade se converte em palco plural onde a palavra, em todas as suas formas — poesia, prosa, música, teatro, cinema, dança, artes visuais — deixa de ser apenas signo escrito para tornar-se experiência estética e existencial. “Pensar e sentir a palavra é transformação”, resume a curadora Luci Collin, em tom que serve de manifesto para esta edição.
DOM
Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la.
(Helena Kolody, in Poesia Mínima, 1986)
O Festival homenageia dois grandes nomes, fundamentais para o aprimoramento da literatura nacional: Helena Kolody (respeitada nacionalmente porque, além de poesias exuberantes, foi pioneira dos haicais no Brasil e referência da literatura paranaense) e Augusto de Campos, um dos fundadores do concretismo. Desse modo, o festival coloca em diálogo tradição e vanguarda, raízes e rupturas.
Kolody, saudada por Drummond e Leminski, soube cultivar uma poesia delicada e intensa, que transformou a observação mínima em grandeza estética. Já Augusto, cuja experimentação sonora e visual revolucionou a poesia nos anos 1950, ainda hoje desafia os limites da linguagem. Entre ambos, há um arco que comprova a atualidade da afirmação de Octavio Paz: “A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono”.
A programação densa evidencia que a literatura se expande quando encontra o outro. Oficinas, saraus, mesas-redondas, performances e sessões de autógrafos aproximam leitores e autores como Jarid Arraes, Noemi Jaffe, Cida Pedrosa, Milton Hatoum, Marcelino Freire, Cristiane Bouger e tantos outros.
Do memorial ao cemitério municipal, passando por teatros, praças, bibliotecas e museus, a cidade é atravessada pela palavra — viva, múltipla, em constante reinvenção. Ao incluir nomes indígenas, afrodescendentes e vozes contemporâneas de diferentes regiões, o evento lembra que a literatura brasileira é feita de diversidade e que nela ecoa a máxima de Guimarães Rosa: “A vida pede é coragem”.
Mais que um festival, a proposta é um gesto de resistência cultural. Num tempo em que a velocidade do efêmero ameaça silenciar as vozes mais profundas, Curitiba celebra o verbo como bem coletivo, capaz de unir gerações e reconstruir memórias.
Cada encontro, cada leitura, cada oficina carrega a possibilidade de transformação pessoal e social. Em tempos de ruído, o Festival da Palavra reafirma: “a palavra é refúgio, jogo, interação”. E sobretudo, a palavra é futuro.
Crédito: Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes.
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