
*Mhario Lincoln
"Antes de mais nada quero agradecer publicamente a maneira carinhosa como intelectuais paranaenses, inclusive do tradicionalíssimo Centro de Letras do Paraná, tem recebido minhas contribuições literárias neste Estado que escolhi para morar, trabalhar e produzir minh’alma lírica, onde nasceram meus netos e netas e onde, também, fiz grandes amigos, como o poeta Daniel Maurício, o qual, por duas vezes, entre seus mais importantes lançamentos, deu-me a chance de escrever seus prefácios". (MHL)
O EVENTO
Na noite de 5 de setembro de 2025, a intelectualidade de Ponta Grossa (PR) convergiu para a Mansão Villa Hilda: em sessão pública promovida pela Academia Ponta-grossense de Letras e Artes (APLA), Daniel Maurício apresentou três novos livros — “PQninos”, “(Des)Importâncias” e “Pedacinhos Poéticos”. Foi um encontro maravilhoso para celebrar uma obra que “reúne a diversidade de estilos do autor em poesia, crônica e narrativa”, como registrou a imprensa local, sublinhando o gesto de partilha com a comunidade.
Poeta, escritor e membro-efetivo da Academia Poética Brasileira (Cadeira 56, seccional PR), Daniel recebeu, em “(DES)IMPORTÂNCIAS”, o meu prefácio — experiência em que vivenciei nessas páginas “(...) autorreformulações, conhecimento, atribuições, reestruturações: micropoemas que compõem o universo da obra, lida com muito prazer e felicidade”.
A festa em Ponta Grossa (PR) ratifica um talento que não se mede por simples criação, mas por consistência de estilo e transferência emocional aos seus leitores (como eu). A mesma reação se dá no Paraná, no Brasil e no Exterior. Isso porque há em Daniel, uma poética de chão e de voo. Natural de Jaguariaíva (PR) e hoje radicado em Curitiba, o autor integra também, além da APB-PR, o CLP (Centro de Letras do Paraná) e a APLA, com trajetória premiada e atuação reconhecida no cenário cultural do estado.
Lembro de Olinto Simões, (pelo qual conheci Daniel), patrono da Cadeira 56 da APB e referência intelectual aqui em Curitiba. Ele disse — e eu guardo como norte: “Daniel é imprescindível à comunidade literária do Paraná porque escreve com um coração imenso, ainda cheio de memórias afetivas de sua cidadezinha Jaguariaíva – PR, um município romântico, onde ele plantou as primeiras sementes de sua lírica abundante”.
Essa máxima olintiana de pertencimento dá lastro ao que escrevi recentemente, afirmando que Daniel tem uma escrita que mastiga letras e devolve ao leitor poemas mínimos; porém máximos em esplendor, remexendo a mesma terra que aprendeu a pisar em seus tempos de menino em Jaguariaíva – PR, sem ser bairrista ou regionalista, mas ampliando seu existencial de infância para plantar estrelas em seu universo lírico de supernovas.
Esse efeito raro de plantar sementes é praticamente encontrado em seus dez livros lançados simultaneamente no Centro de Letras do Paraná, entre eles “Alma Lírica”, “Origamis de Palavras”, “Palavras de Cheiro”, “Amar é”, “Poemininos”, “Poesias da Madrugada”, “Olhares”, “Leve-me”, “Miudezas do Coração” e “Gotas Poéticas”, também lançados, com festas, no Palacete Leão Junior, em Curitiba, em ocasiões diferentes.
Abaixo, o Prefácio que escrevi para “(Des)Importâncias”:
Micropoema: valorização da profundidade do significado
*Mhario Lincoln
Ao iniciar este texto, torna-se impossível não trazer para a mesma mesa os ensinamentos do escritor T.S. Eliot, em cujo ensaio "Tradition and the Individual Talent" ("Tradição e o Talento Individual)", em tradução livre, ele ensina que a força da arte está numa busca constante por sua digital - e para isso - a importância de ler vários autores que rodeiam suas ideias pessoais, para compará-las e, assim, entender com maior profundidade a sua própria arte.
Acho que no caso de "(DES)IMPORTÂNCIAS", uma das muitas dezenas de obras já produzidas e publicadas pelo poeta e confrade Daniel Maurício, aconteceu isso. Além do talento, foram-se somando leituras constantes, reformulações, conhecimento, atribuições, reestruturações, enfim, estudos indeléveis para compor esta obra que ora resenho com muito prazer e felicidade.
Ora, a mim me parece que tal citação de Eliot só reforça a minha ideia sobre a originalidade deste trabalho incrível. Especialmente quando há explícitas razões de analisá-lo enquanto poesia minimalista com inclinação intimista e confessional para micropoesias, à proporção que Maurício utiliza poucos versos, dentro de uma linguagem direta, a fim de conseguir transmitir emoções complexas, convidando o leitor a reflexão profundas. Isso me chamou muita atenção.
Compor versos minimalistas (ou micropoéticos) é por demais difícil. Volto a Eliot para supor que Maurício tenha lido muito esse tipo de construção lírica para originalizar sua produção. Sim. Ele conseguiu! E em muitos casos, o fez com maestria. Neste livro, ele mostra isso para o leitor mais atento.
Impressiona-me a disposição dos versos e a escolha cuidadosa das palavras para ampliar o impacto emocional, alinhando seu trabalho com o de outros poetas, que exploram a profundidade da experiência humana através da simplicidade da forma.
Então, posso afirmar que a técnica de Daniel Maurício é uma micropoesia, vertente importante da poesia minimalista, caracterizada pela economia de palavras e pelo foco na essência do significado, causando um impacto imediato no leitor. Em mim, foi isso que senti.
Destarte, não se pode falar em poesia minimalista (ou micropoemas) sem citar fontes importantes que dignificam esse gênero que Daniel abraçou com muita significância e originalidade (pelo menos em alguns livros que já tive o prazer de ler).
Paulo Leminski, por exemplo, é de grande significância nessa área de criação, e aplaudido por escrever, "A noite me pinga/ uma estrela no olho/ e passa". Por outro lado, li também uma poeta americana interessante: Emily Dickinson, cujos poemas, muitas vezes breves, exploram temas profundos com linguagem simples: "Morrer é nada, passado, / Mas a vida inclui viver/ A morte multiplicada – sem/ O Alívio de morrer".
Ora, a poética de Daniel Maurício - pelo menos neste livro e alguns outras que também li - consegue explorar de maneira genuína exatamente essa relação (de Leminski e Emily), entre 'forma e conteúdo'. E como ele as coloca, é simplesmente espetacular. Ipisis litteris: "Perdi tudo. / Meus pecados/ são as únicas coisas/ que me sobraram. / Mas, vivi!". Isso é simplesmente genial e original.
A mim me resta, afirmar nessas poucas palavras que me foram cedidas, que a poesia minimalista (ou micropoesia) do poeta e membro da Academia Poética Brasileira, Daniel Maurício, revelam suas formas pessoais e intransferíveis de valorizar a profundidade do significado.
Destarte, ao utilizar poucos versos e linguagem direta, ele se torna um mestre na arte de transmitir sentimentos profundos e reflexões existenciais através dessa poética concisa. É visível sua capacidade de expressar o sentido da vida, através da forma sucinta que ele escolheu para poetar, numa tempestade que encharca o leitor - como eu - de essência das emoções.
Por isso, acredito, que essa intensa sensação que permeia sua obra emana, indubitavelmente, de sua alma, de suas experiências e vivências pessoais em sentimentos universais, permitindo que os leitores se identifiquem e se emocionem com seus versos: "Não/ coloque/ a poesia/ no confessionário. / Ela tem a mania
de revelar segredos/ que são só do coração". Genialíssima construção.
Desta forma, quem ler este livro, estará diante de um confessionário lírico, pois o livro é a personificação da poesia, atribuindo-lhe a capacidade de revelar segredos profundos.
Evoé, poeta!
Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.











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