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Brasil Linda Barros

Linda Barros: “QUAL O REAL SENTIDO DA LITERATURA HOJE?”

Linda Barros é membro-efetivo da Academia Poétic a Brasileira, seccional MA, professora, atriz e poeta.

16/09/2025 12h16
Por: Mhario Lincoln Fonte: Linda Barros
Especial: Linda Barros para a Plataforma Nacional Facetubes.
Especial: Linda Barros para a Plataforma Nacional Facetubes.

 

Linda Barros, Escritora e Atriz. Membro da Academia Poética Brasileira

 

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          Com a liquidez dos tempos – a chamada “modernidade líquida” –  somada à revolução midiática, à adesão da literatura aos suportes digitais ou digitalizados à velocidade da informação, entre tantos outros motivos que podem ser explanados, a literatura hoje conta com uma série de fatores que permitem que ela seja vista e apreciada por todos (ou por muitos). Diante dessa constatação, o questionamento expresso no título deste artigo torna-se algo difícil de ser respondido, até porque se acredita que talvez nem se tenha ainda uma resposta pronta. O que podemos ter são suposições e visões (diferentes) acerca da temática.

          O sentido da literatura hoje depende de quem a lê, de quem a produz e do contexto social em que ela está inserida. Há outros aspectos que não devemos desprezar: a literatura continua sendo um espaço da linguagem. Mesmo em tempos de informação rápida, a literatura, de certa forma, contribui para desacelerar nosso ritmo diário, obrigando-nos à reflexão e à contemplação de sua forma e de seu conteúdo. Partindo da literatura é possível fazer registro de várias vozes, culturas, modos de vida diferentes. Nessa sociedade onde tudo é esquecido (só guardamos na memória aquilo que nos interessa), a literatura ajuda a preservar memórias e histórias, sejam individuais ou coletivas (para que não se percam no tempo e no espaço), faz questionamentos, denuncia injustiças e dá voz aos invisibilizados pelos sistemas dominantes.

         

Texto qualificado!

          Antonio Candido, na página 176 de seu livro Vários Escritos (2004), conceitua literatura como sendo “a maneira mais ampla possível, todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura”.  Segundo ele, a literatura é um direito indispensável como qualquer outro direito aos seres humanos e como um direito, ela deve ser acessível a todos. Nessa perspectiva, o autor acreditava no poder da arte, no poder transformador e de conscientização que a palavra tem. Nesse sentido, a arte da palavra salva e tem o poder não de conscientizar, mas de transformar conteúdos em opiniões, pois quando o leitor se coloca em contato com experiências que não são suas, a literatura dá suporte a esse leitor, fazendo com que ele tenha ampla visão de um horizonte distante ao seu.     

          Querendo ou não a literatura é entretenimento. E, meio a tantas mídias, a literatura continua oferecendo prazer estético, mostra narrativas e imaginários, mesmo sem perder a densidade crítica, mesmo este leitor seja mais ávido por conhecimento e diversão. Nesse contexto, a leitura pode provocar mudanças íntimas muito profundas, pois, ainda que seja uma leitura prazerosa no sentido de entreter, a literatura também traz provocações e novas formas de compreender o mundo e a si mesmo, colocando ledores em contato com experiências que não são suas, o texto literário amplia horizontes, promovendo empatia.

          Em uma recente conversa promovida pelo grupo de estudos Duo Litera e tendo como convidados o filósofo, escritor e professor Rogério Rocha e pelo também  professor, sociólogo e advogado Ruy Pontes, em um evento onde foram abordados diversos temas, entre eles “um olhar crítico sobre a literatura” sob a perspectiva de  Zygmunt Bauman (Sociólogo e filósofo polonês) e Slavoj Žižek (filósofo esloveno). Durante a apresentação, os palestrantes foram provocados pela seguinte indagação: qual o real sentido da literatura hoje”? Em suas respostas, eles foram bastante enfáticos e convincentes. Para Ruy Pontes, a literatura é um ponto fuga, pois um autor escreve para extravasar suas emoções. No ato da escrita, o que mais importa é sua satisfação pessoal, é momento particular e prazeroso, deixando claro, que quem escreve, não escreve somente pra si, mas para o outro também.

          Complementando a resposta, Rogério Rocha, foi cirúrgico ao enfatizar que o imediatismo, as redes sociais e  a grande procura  dos leitores por obras digitalizadas (que possam ser lidas em tablets, em celulares, ou em kindles) contribuem para a escassez de ledores das obras físicas, ele ainda citou aquele leitor que prefere os textos mais curtos, sem muita densidade, que pode ser lido com muita facilidade em alguma rede social de fácil acesso. Ambos concordaram sobre a praticidade das redes sociais, que facilitam o acesso do leitor aos textos/obras, quando postada nos meios digitais.

          Há ainda muito o que se discutir sobre esse tema, mas resumindo o real sentido da literatura da literatura hoje é proporcionar um espaço de liberdade, de imaginação e de pensamento crítico, em meio a um tempo dominado pela velocidade da informação e pelo consumismo imediato. Deixando claro que nossa labuta diária com as palavras não vai parar, talvez só tenhamos que nos adequar à realidade vigente.

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P.S. lembrando que este assunto não se refere ao o que é ou ao que não literatura. Esse tema será abordado em um texto futuro.

@lindabarros

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Judih BittencourtHá 11 meses atrásWhatsApp S.LuisMaLinda Barros em explendida apresentação da literatura como ponto de fuga “ou ganho não previsto” que nos alça a voos interiores.
Jean Lima BarrosHá 11 meses atrásBrasília Distrito Federal.Priscila, aqui é Jean Lima Barros, de Brasília, gostaria de meter minha colher nesse belo texto de Linda Barros. A literatura é uma faca de dois gumes também. Lembro aqui que após o lançamento de “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Wolfgang von Goethe, dezenas de jovens leitores, que passaram a se vestir como o protagonista e foi atribuída à história do livro a culpa por outro fenômeno: uma onda de suicídios na Europa toda. Que tal fazer um outro texto sobre isso? OS Dois Gumes da Literatura?
Priscilla GiantHá 11 meses atrásCalifórnia EUAA Literatura tem dois lados. Um claro, outro obscuro. Basta se aprofundar na obra de Lima Barreto onde o escárnio e a humilhação são explícitos e isso doi muito em que lê, chagando a levar o leitor às raias da Loucura.
Alessandra Tavares, professora e pesquisadora da Língua PortuguêsaHá 11 meses atrásUSPSem literatura o que se sia ler? Tudo gira sob o manto da Literatura. Das placas de trânsito até as placadas dos comércios. Veja. "Pare", nome de um famoso românce inglês. "MacDonald", foi o grande escritor dos contos de fadas. "Pharmácia" são títulos relacionados a textos técnicos. "Laranja". Livro de 1962 e imortalizado pelo filme de Stanley Kubrick. "Bovariano", ter psicológico que vem do livro "Madame Bovary", considerado pioneiro dentre os romances. VÊ, tudo é literatura. Parabéns.
AlhadefHá 11 meses atrásSão Luís MaTextos como esses fortificam a vida da gente. Professores principalmente.
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