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O que a IA me revelou ao produzir uma imagem de Papai Noel, sem qualquer instrução minha (prompt)

Essa imagem digital, produzida pela GINAI (IA do Facetubes) me emocionou de tal forma que tive que escrever alguma coisa sobre ela.

11/12/2025 às 16h41 Atualizada em 11/12/2025 às 17h14
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
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Imagem produzida por GINAI do Facetubes)
Imagem produzida por GINAI do Facetubes)

*Mhario Lincoln

Em todo Natal, sou tomado por uma espécie de compulsão: preciso ler um ou dois livros sobre a data. Este ano, depois de reler Dickens nos sete primeiros dias de dezembro, pedi à GinAI, (Artificial Intelligence Management of Facetubes), que criasse, sem qualquer 'prompt' meu, ou seja, zero interferência), uma imagem de Papai Noel neste 2025. A máquina devolveu a cena que ilustra esta página: o bom velhinho sentado na areia, ao lado de um homem em trapos, dividindo um cachorro-quente e um refrigerante diante de um pôr do sol, que parece maior do que a própria tristeza.

A vontade de escrever sobre a imagem me levou de volta às aulas de redação no Colégio "São Luís Gonzaga", em São Luís, nos anos 60, com a professora Zuleide Bogea. Ela colocava um grande livro de gravuras num cavalete e pedia à turma do ensino básico que descrevesse a cena. Ali, aprendi que olhar com atenção é o primeiro passo para transformar silêncio em narrativa. Essa foto, mesmo digital, me faz retomar uma velha ideia dos fins de ano: a esperança. Mesmo sabendo que boa parte das promessas se desfaz com a primeira chuva fria.

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Porém, voltando à foto IA, essa imagem do homem magro, com olhos brilhando, não é a de quem ganhou um banquete, mas a de quem, por alguns minutos, voltou a se sentir gente. Então eu pergunto. Será que a máquina teve segundos paradoxais de um insight beirando uma “sensibilidade biônica” ? Isso porque a IA não desenhou um Papai Noel mágico, mas uma figura capaz de preservar, com gestos mínimos, os bons fluidos da humanidade. Veja bem! Quando alguém se senta ao lado, escuta e reparte o pouco que tem, (mesmo só escutando palavras), está dizendo ao outro: “Você ainda faz parte. Você ainda conta”. Está compactuando e reconhecendo que 'ouvir' e 'compartilhar', vale mais do que qualquer presente caro embrulhado em papel brilhante.

 

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Destarte, essa criação digital de forma direta ou indireta acabou  por reforçar minha tarefa íntima. A de não esperar por milagres, em 2026, sejam humanos, profissionais, mentais ou de saúde. Mas que devo participar de 2026 com todas as forças que ainda tenho. E se ninguém me estender as mãos (ou não mais compreender meus atos) que eu - mesmo assim - consiga estender a mão a quem está no fundo do boqueirão, possa compartilhar um lanche simples ou oferecer um abraço inteiro de reconhecimento.

Sei, por outro lado, que meus pequenos atos de bem-aventurança, não deixarão a humanidade feliz, nem matarão a fome do mundo, mas fazendo a minha parte, sem egoísmo, ódio ou rancor, posso ajuda de forma indireta, a preservar o que mais importa para mim, neste momento em que vivo: a certeza de que ninguém está definitivamente condenado ao abandono.

Então, caso meu Natal se resuma apenas em praticar algumas ações positivas, vendo e ouvindo o outro, já me darei por satisfeito. Mesmo que em algum momento da festa, alguém ainda tente revirar ódios antigos ou condenar por erros do passado, insistirei em outra rota: a de Papai Noel na areia, dividindo o pouco que tem com quem quase não tem nada. É nesse gesto simples, repetido longe das vitrines, dos shoppings, das lareiras com presentes infindos, que eu reconheço o verdadeiro espírito natalino.

 

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Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.

 

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ALDIRA MARTINS Há 1 mês Fortaleza-Ceará Oferecer ao outro do nosso cálice de benção Repartir nossa esperança como quem reparte o pão Com um abraço dissipar a lacuna da solidão E, entender que nessa carne todo mundo é irmão O Natal enche de brilho nosso céu de ilusão Quele venha nascer o Cristo dentro de cada coração ❤️ Para paz ser a seiva viva em toda e qualquer nação
Maria Cecília da Costa BastosHá 1 mês São Luís -maEste é o verdadeiro sentido do natal
Carlos Furtado Há 1 mês São Luís Caro ML, é sempre enriquecedor lê-lo. Em sua escrita, há emoções que verdadeiramente comovem, sentimentos que despertam caminhos interiores, reflexões que provocam e orientam, e uma sensibilidade rara que se irradia e contagia. Você é, de fato, um autor extraordinário.
Raimundo Fontenele Há 1 mês Barra do Corda MAPara a maioria das pessoas o o Natal é outra coisa. Aliás nem sabem mais o que significa, a não ser luzes piscando sobre um peru na mesa. Você resgata a história da criança faminta olhando através da vitrine de um restaurante os pratos recheados. O espírito verdadeiro do Natal é o dessa imagem da IA.
Jorge Cruz de Oliveira JuniorHá 1 mês CuritibaMaravilhoso texto, Mhario. Sua sensibilidade é estonteante. Feliz texto para pensarmos no próximo, nem que seja somente nesta data.
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