TEXTOS ESCOLHIDOS
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ADOROOOOO encontrar um texto tão carne, tão perfume, tão real ( sim o mundo mudou, essas mulheres não fazem mais sucesso e creio, o mundo não é tão machão como nos anos 70) …esse tipo de texto verdade, me tem!
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Era verão no início dos anos 70 e a mulher da sociedade era um terremoto de carne e perfume.
Nada de filtro, nada de pose: só pele quente e vontade. E quanta vontade. Andava pelas festas com aquela insolência deliciosa de quem sabe que é perigo ambulante. Era o escândalo — o bom, o necessário.
Era o tempo em que seios fartos, naturais, valiam mais que qualquer timeline. Seios, como os da estonteante Lucía Curia (à esquerda), que encaravam — e aquilo era bandeira, não defeito.
O corpo falava mais que manifesto. Cheirava a cigarro e a uma doce mistura de Old Parr e um frasco aberto de Halston, um veneno doce. Citava Bocage e, dez minutos depois, ensinava sacanagem ao seu amante com precisão cirúrgica, mas tudo in off.
Transava como se escrevesse blasfêmias. Sem coreografia, sem mentira. Só presença e cheiro. Só verdade. Curvas que existiam, estrias que contavam histórias, risos que desmontavam homens.
Hoje, com essa mania de perfeição de aplicativo, ela virou mito. Mas elas existiram.
Foram mulheres antes de o erotismo virar produto — e o último pecado antes da água com gás gourmetizada.
O prazer não era tutorial, era acontecimento. Era obra. Era o ofício secreto de gozar.
Ela tinha um ventre que se dobrava quando gargalhava — uma escultura viva, não um catálogo. Era uma mulher — completa, chique, densa, contraditória, luminosa.
Na foto, à direita, o mito Regina Rozemburgo, que fez muito playboy bilionário se curvar no Grand Monde atrás de seus provocativos olhos verdes.
A mulher setentista foi a última mulher antes de o erotismo morrer — e a primeira que me fez entender(mesmo sem ter vivido)que o pecado, quando é de verdade, não se comete: se adora.