
ROGÉRIO ROCHA (MA)
Na Noite de Cristo
Na noite do Cristo, suaves serenatas,
como que saídas das estrelas,
derramam em meus ouvidos
a sinfonia da aurora.
No mesmo céu, outro tempo,
constelações cintilam e o vento
arranja uma dança nova,
um grande jogral de afeto.
A nave Terra, seguindo o destino,
dança bailarina no manto do espaço,
como sonho do espírito.
Na lareira do meu coração
há poesia em chamas,
já estou vendo,
e arrepios de emoção
crescendo
em imagens que atravessam
memórias de menino,
com o aroma dos versos
mais doces, dos abraços
de carinho.
A face do meu pai faz vigília
em minha mente,
aflora com força,
reaparece,
caminha comigo entre as lutas
que travo com o mundo,
trazendo o alento
de não me deixar sozinho.
Num presépio de sonhos,
um olhar de luz, minha mãe,
minha tia, meu filho,
a esposa e a família,
são o sentido, são esteios,
são os albergues dessa noite,
forças a preencher a vida.
No real imaginado, o instante
se desenha, e o coração-poeta,
na noite do Cristo, também faz festa.
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ALCINA MARIA
Eita Natal
Natal! Alegria pra uns.
E tristeza pra outros.
Reunião de famílias
... mas tem cobras danosas...
Contagiando a alegria, com seu veneno.
O Natal de alegria, poucos sabem viver.
E as investidas do mal, querem sempre tirar o brilho do Natal.
E...no final da festa, todos irão se abraçar, muitas fotos tirar, e um lindo Natal celebrar!
MONICA POCCINELLI (PR)
É Natal
É Natal...
Nasce o exemplo de bondade
Justiça, caridade, o exemplo
Maximo do amor, fraternidade.
E nos meus amigos?
O que aprendemos em dois mil
e oito anos? Nada....
A irmandade, só de quem gostamos, simpatizamos, mas olhamos com antipatia para muitos, porque? Somos cegos, insensíveis, preconceituosos, não merecemos ser filhos do mesmo pai
que nos deu um irmão chamado Jesus.
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ALEX BRASIL (MA)
Deus me falou
Deus me falou,
eu era ainda um menino,
pra rimar espinho e flor,
eu seria um poeta peregrino,
nesta viagem sempre ida;
sem chegada, sem partida;
só amar e sofrer na vida.
Deus me falou
do demônio ao meio-dia,
dos olhos tristes do meu amor,
dessa branca poesia,
quando ela partiu e minha alma chorou.
Deus me falou,
por um anjo (mensageiro)
da minha sina-solidão,
sem régua e aritmética;
que eu não seria engenheiro:
seria apenas um poeta,
da poesia prisioneiro,
carregando um imenso coração.
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RAIMUNDO FONTENELE (MA)
Salmo das Oliveiras
“Pueri hebræorum,
portantes ramos olivarum,
obviaverunt Domino,
clamantes et dicentes:
Hosanna in excelsis”.
Também entrei na cidade aberta,
no meu jumentinho,
portando ramos e palmas nascidos do coração,
em uma manhã chuvosa,
quando o vento úmido balançava
as verdes folhas das palmeiras.
Ao Senhor, todo o meu ser de inocente criança,
sem o pecado da culpa, clamava
para que me desse veredas de salvação,
e me desse alegria, e as horas amargas
deixasse para outros dias
para quando eu crescesse e fosse gente.
Naquele tempo, não. Eu era só um menino
entrando naquela terra estranha,
onde as coisas se moviam diferentes
e invisíveis mãos, a de Deus e a do destino,
semeavam em mim seus grãos e mistérios.
E eu cantava e vivia à toa.
Sim. Entrei naquela cidade
para ouvir e cantar lamentos
no diário aprendizado
de que vigiar e orar é para todo o sempre.
Deus não é um estranho no nosso ninho,
nós é que fugimos, aves de asas tortas.
Que aprendizado diário?
Dar com a mão direita e com a esquerda
furtar o fruto alheio.
Cuspir na face de quem afagou com doçura
os nossos longos cabelos.
Profanar e zombar de quem é nosso alimento.
Sal da terra!, salgas a minha vida
e as chagas que se abrem
são como dias de luta e suor que não findam.
São noites eternas e escuras,
noites para cegos,
noites de nunca mais.
Pregado numa cruz, ouvi o galo cantar
às 16:58, e cantou uma, duas, três vezes,
o suor escorria do meu rosto
como se fosse um banho de sangue,
aí arrancaram-me da cruz
e me deitaram no cimento frio.
Todos meus ossos tremiam.
Todos meus nervos inquietavam-se.
Todo meu corpo enrijecia.
Ouvia ao longe os cânticos da sagração
que animavam a minha vida
e me ressuscitavam entre os mortos.
Todos os meus sentidos embotados.
Toda a cupidez da carne tremia.
Todos os meus órgãos latejavam.
Mas a quietude e a paz do teu sacrário,
a pureza e mansidão do teu nome, Senhor,
extinguiam a sombra entre meu olhar e tua luz.
Eu, um Raimundo perdido nesse mundo.
Eu, um Nonato, só por teu merecimento.
Eu, um Fontenele, que tornaste fonte.
E um Oliveira, qual um ferreiro
fundindo o ferro, que abraça sua profissão
no fogo e na poesia que vem do chão.
Hosana a São Domingos
e a outras cidades dos mapas,
que me acolheram e de onde fui expulso
para se cumprir de Adão e Eva a profecia:
se houve queda e se desci ao inferno
talvez possa voltar um dia ao paraíso.
“Os filhos dos hebreus,
portando ramos de oliveira,
clamavam dizendo:
bendito o que vem
em nome do Senhor,
Hosana nas alturas”.
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ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA (MA)
Escritos&Saudades
Para mim, é relativo, o sentir - principalmente daquilo que passou...
Olhando meus escritos, constato um mundo de saudade, na medida que tenho convicção de que não há mais retorno...
Não posso mais me apropriar do que me causa esse sentimento de perda. Não há como...
O que posso fazer é apenas ficar com o substrato do que passou, nada mais.
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