
Editoria de Ciência da Plataforma Nacional do Facetubes
Em um trecho que ganhou circulação nas redes, o físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser revisita a própria formação intelectual e descreve como a juventude marcada por inquietações “místicas” não foi abandonada, mas reorganizada pela disciplina de uma carreira acadêmica altamente competitiva nos Estados Unidos.
Nesse episódio. Gleiser faz uma revelação: ele criou o curso “Física para Poetas”, onde afirma que a “ciência não precisa ser tratada como um território estéril, separado do assombro, da imaginação e da dimensão simbólica com que a humanidade historicamente tentou compreender o mundo”. No recorte, ele sustenta que a investigação científica pode funcionar, também, como caminho de sentido, lembrando que muitos personagens centrais da história da ciência produziram seus trabalhos em contextos culturais atravessados por crenças e linguagem religiosa.
O ponto de virada da fala aparece quando ele recorre a Einstein para defender que a “criatividade nasce do espanto”, (Ferreira Gullar, poeta maranhense, também disse isso). Nasce do fascínio pelo que ainda não se entende, e que “perder essa chama significaria empobrecer tanto a arte quanto a ciência”, completa Gleiser. O trecho viraliza justamente por recolocar a palavra “mistério” como motor de criação, sem abdicar do rigor intelectual e do método.
Por sua vez, o Curso “Física para Poetas” não é apenas uma ideia mencionada em entrevistas: o curso existe como série pública no canal de Gleiser, organizada em playlists no YouTube, com aulas que percorrem perguntas clássicas sobre origem, tempo, matéria e cosmologia em formato acessível, sem exigir formação técnica do espectador.
Além do ambiente digital, o curso também aparece na programação do Island of Knowledge, iniciativa ligada a Gleiser, que anuncia “Física para Poetas” como curso imersivo, descrevendo um percurso que começa nos mitos de criação e alcança o Big Bang e a física quântica, com abordagem transdisciplinar e foco nos contextos culturais, filosóficos e religiosos que influenciaram a história das ideias científicas.
Na prática, o recado central de Gleiser é direto: a ciência, quando bem contada, não reduz o universo a um inventário de fórmulas, mas devolve ao público a dimensão de pergunta que sustenta todo avanço. E, para ele, é exatamente nessa fronteira — entre o que se mede e o que ainda não se alcança — que a linguagem da poesia volta a ser útil, não como ornamento, mas como ferramenta de percepção.
VÍDEOS DE MARCELO GLEISER
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Origem do vídeo (referência editorial): episódio “Denise Fraga e Marcelo Gleiser – Tantos Tempos Ep 32”, apresentado por Candice Pomi, publicado em 18/07/2025 (YouTube e Spotify). YouTube+1
Fontes complementares sobre o curso “Física para Poetas”: playlists e descrições no canal de Marcelo Gleiser no YouTube; página do curso no Island of Knowledge.
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