
Editoria de Literatura e arte da Plataforma Nacional do Facetubes
A literatura brasileira voltou a ganhar projeção internacional em 2025, desta vez pela força da prosa. A jornalista e escritora Silvana Tavano conquistou o Prêmio Oceanos na categoria prosa com Ressuscitar Mamutes, publicado pela 'Editora Autêntica', num resultado que reforça a presença do Brasil em uma premiação voltada ao universo da língua portuguesa.
O Oceanos avalia obras produzidas em diferentes regiões que escrevem em português, reunindo títulos do Brasil, de países africanos e da Europa. Na mesma edição, a jovem alagoana Ana Maria Vasconcelos foi reconhecida na categoria poesia com Longarinas, o que desenha um retrato de diversidade geracional e de repertórios convivendo no mesmo pódio.
Para Tavano, o prêmio tem um valor que ultrapassa a conquista individual e aponta um movimento mais amplo no mercado e na criação literária. Ela observa que as livrarias e os catálogos exibem uma presença cada vez maior de mulheres, inclusive autoras jovens, e que esse avanço se dá acompanhado de uma pluralidade de experiências, com vozes que emergem de territórios, condições e visões de mundo distintas, ampliando o alcance do que se entende como literatura brasileira contemporânea.
A trajetória recente da autora ajuda a contextualizar esse momento. Em 2022, Tavano venceu o Prêmio Jabuti com Sonhos, voltado ao público infantil. No ano seguinte, publicou O Último Sábado de Julho Amanhece Quieto, que chegou à final do 'Prêmio São Paulo de Literatura', consolidando um percurso marcado por trânsito entre registros e públicos diferentes.
Em Ressuscitar Mamutes, o centro da narrativa é o tempo, tratado não como pano de fundo, mas como personagem que determina a maneira de lembrar e de continuar vivendo. A obra trabalha a reinvenção do passado e do futuro a partir da ausência de uma mãe já falecida, explorando como a memória reorganiza o presente e como o afeto produz continuidade mesmo quando a pessoa não está mais ali.
Ao comentar o livro, Tavano associa a figura materna a uma ideia de permanência e diz ter buscado encenar a simultaneidade com que atravessamos passado, presente e futuro no cotidiano. É nessa costura entre luto, memória e tempo que Ressuscitar Mamutes encontra sua força, e é também aí que o prêmio, ao reconhecer duas mulheres de perfis tão distintos, parece iluminar um dado decisivo do cenário atual, a literatura em português se alarga quando mais experiências conseguem, enfim, ocupar o centro da página.
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