
Mhario Lincoln, jornalista e poeta c/ editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes
Hoje vi publicado nas redes sociais um chamamento importante escrito pelo imortal APB-MA, Antonio Guimarães de Oliveira, lembrando que a data de 15/01 é dedicada à homenagem aos compositores e letristas brasileiros. Em sua mensagem, ele define o ato de compor "como a arte de modelar o que está disperso, dar forma ao que é aleatório, unir partes separadas e até traduzir sons do mundo — como o vento e a chuva — numa ordem capaz de ser sentida sem ferir, como quem organiza o caos para que a energia bruta vire linguagem".
Para reforçar essa visão, Antonio recorre a Shakespeare, ao lembrar que quem não traz música por dentro e não se comove com doces acordes pode ser capaz de traições e rapinas, destacando o compositor como alguém que adestra a fera. Ele amplia ainda o sentido do verbo compor para além da obra de arte: "compor também é ajustar faltas, rearranjar excedentes, lidar com o útil e o inútil, sabendo que a criação pode agradar ou desagradar, porque somos multifacetados. E conclui celebrando a potência quase geométrica do ofício, capaz de descrever do floco de neve à explosão de estrelas, saudando, com entusiasmo, a harmonia e a dissonância".
Esse chamamento do meu confrade me chamou a atenção e me fêz lembrar que há algumas décadas, um concurso na Rádio Timbira do Maranhão estava premiando os ouvintes que lembrassem o nome dos compositores de 3 músicas que são consideradas "eternas", no diapasão musical brasileiro. Na verdade, a meu ver, são três títulos que sempre aparecem como síntese do Brasil cantado, mesmo que tenha concorrência do "Tico-Tico no Fubá", mas que perde em composição e construção da letra para “Carinhoso”, “Naquela Mesa” e a marcha-rancho que o verso popularizou como “Tanto riso, quanta alegria” — isto é, “Máscara Negra”.
E, quando se abre o crédito, a história muda de profundidade: “Carinhoso” nasce da mão de Pixinguinha com letra de João de Barro. Neste caso, “Carinhoso”, o repertório brasileiro não só cantou essa obra, regravou, reiterou, como a fez atemporal.
Um levantamento citado pela própria página da canção aponta “Carinhoso” como uma das músicas mais regravadas do país, sinal de uma arquitetura autoral que atravessa gerações. E é aí que o compositor deixa de ser detalhe porque "vira o núcleo do fenômeno cultural", como bem disse o músico e produtor musical Chiquinho França, em entrevista exclusiva a TVFAcetubes, na edição do Jornal desta data. (Veja abaixo).
Outro sucesso inigualável é “Naquela Mesa”. Essa, não pede licença para comover. Seu autor, Sérgio Bittencourt, escreveu a canção como homenagem ao pai, Jacob do Bandolim e a obra foi incorporada ao repertório popular e regravada por diferentes intérpretes ao longo do tempo.
E a terceira lembrança do concurso — “Tanto riso, ó, quanta alegria…” — aponta diretamente para “Máscara Negra”, assinada por Zé Kéti e Pereira Matos (Hildebrando Pereira Matos). É um exemplo perfeito de como um verso pode ganhar vida própria e, ainda assim, exigir o retorno ao crédito para que a obra permaneça inteira. Os inbtérpretes fizam a música circular, "mas o autor precisa necessariamente ser reconhecido", nas palavras de Chiquinho França.
Porém, não vou finnalizar esse texto sem dois grandes exemplos de composições multiseculares: a primeira é hiperconhecida. “New York, New York” (o tema do filme New York, New York, de 1977), cujka interpretação de Frank Sinatra é memorável. Mas ela tem um compositor Fred Ebb. Esse foi o cara por trás do sucesso.
Por outro lado, há quem afirme que a relação entre compositor e intérprete, que o romantismo costuma vender como perfeita, tem zonas de atrito e recusa. A história de “Volare” (“Nel blu, dipinto di blu”) é didática. Você conhece? Pois bem! Domenico Modugno e Franco Migliacci assinaram a canção; e, segundo registro biográfico, não houve cantor sequer disposto a interpretá-la no palco do Festival Sanremo, em 1958, o que obrigou o próprio Modugno a subir ao palco e mudar a sorte da música e do festival. naquele ano. Raríssimas sãos as pessas nascidas na década de 60 que não conhecem essa música, "Volare".
Encerro dizendo, que o problema contemporâneo tem um viés. A cultura do 'clique e do streaming' tende a transformar o crédito em rodapé, quando não o apaga.
Um levantamento da UBC apontou média de créditos ausentes ou com erros em 31% das faixas analisadas no streaming, um número alto demais para um mercado que depende, estruturalmente, da autoria. Em paralelo, o tema chegou ao Judiciário, onde estão sendo julgado casos onde a discussão é a omissão de autoria em plataformas, tratados como violação ao direito moral do autor.
Assim, quando Antonio Guimarães de Oliveira levanta a questão do Dia do Compositor Brasileira, relembra algo que poucos se interessam, além do único prazer de ouvir a música. Ele lembra, no entanto, que valorizar o compositor não é diminuir o intérprete; é devolver à canção o seu eixo.
Abaixo, o programa da TVFacetubes com a observação valorosa do músico e produtor musical Chiquinho França, autor de "Fissura", hoje tocada em mais de 80 países, alkém de ter sido usada muitas vezes em programas de relevância da Rede Globo de Televisão.
VÍDEO-BÔNUS
ESPECIAL CHIQUINHO FRANÇA E OS COMPOSITORES
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