
Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes.
Em 2025, a poeta, escritora e professora Joizacawpy Muniz Costa consolidou, com fidelidade rara, uma sequência de publicações de alto valor cultural na Plataforma Nacional do Facetubes — um percurso que ultrapassou a marca de 10 mil acessos no ano e justificou, por decisão diretiva, a outorga da Comenda Mérito Participativo.
No centro dessa homenagem, há um detalhe muito interessante que pode, de certa forma, justificar essa abundância de criatividade: Joiza sempre declarou uma atração “inexplicável” pelo número 5 — e esse tipo de vínculo, quando aparece com insistência na vida criativa, merece ser compreendido com seriedade.
A pergunta da Editoria de Pesquisa e Extensão da PNFT foi direta: por que algumas pessoas elegem certos números como “seus”, e como isso pode se ligar à robustez de ideias que desfilam, semana a semana, na obra de artistas, escritores, poetas e músicos? A resposta, quando sustentada em fontes, não precisa de mistificação.
Ela nasce do encontro entre cérebro, cultura e memória — e, no caso do 5, encontra ainda uma base corporal e musical muito concreta. Pesquisas populares e levantamentos amplos sobre “número favorito” mostram um padrão recorrente: as pessoas não escolhem números ao acaso.
Em uma grande enquete internacional conduzida por Alex Bellos, divulgada na Scientific American e no The Guardian, importantes e acreditáveis veículos de comunicação técnica europeus, certos números aparecem repetidamente no topo — e o 5 figura entre os mais citados, atrás dos campeões clássicos (como 7 e 3), mas com presença consistente.
Isso acontece por razões cumulativas e pode ter – a priori -uma explicação lógica. Se não vejamos:
• Memória autobiográfica: datas, idades, endereços, capítulos de vida, rotinas de trabalho; o número vira “marcador afetivo”.
• Cultura e simbolismo: educação, religião, tradições, linguagem (“quinto”, “quintessência”, “cinco sentidos”) e repertório artístico.
• Preferências cognitivas: nosso cérebro gosta de âncoras — sinais simples que organizam decisões e criam sensação de ordem.
Apesar de tudo, nada disso prova que o número tenha “força mística” independente. Prova algo mais interessante (e mais útil): o número muda o modo como a pessoa decide, insiste, organiza, lembra e repete. Ou seja: ele ajuda, todavia, pela via da disciplina, da atenção e do hábito — exatamente os ingredientes que sustentam uma obra semanal, constante e lida.
Há de se observar, assim, que existe um ponto onde o tema (numerologia) encosta na estética: algumas pessoas não apenas preferem números — elas os “sentem”. A psicologia descreve casos em que números evocam qualidades, temperamentos, cores, gêneros ou caráter (um campo que conversa com sinestesia e personificação de conceitos).
Um estudo em Frontiers in Psychology analisou como crianças podem atribuir traços e “personalidade” a números em processos de desenvolvimento e linguagem. Traduzindo isso para a oficina do artista: quando um número vira personagem íntimo, ele passa a operar como gatilho criativo.
No caso de Joizacawpy, 5 tem uma singularidade rara: ele é simbólico, mas também é corporal, acústico (compõe letras fortes/harmoniosas) e estrutural.
1. Os 5 dedos ensinam antes da escola. Uma linha forte de pesquisa sobre cognição numérica aponta o papel dos dedos na aprendizagem e na representação de quantidades. Em síntese: contar nos dedos não é infantilidade — é a base material de como o número se instala no pensamento, e isso pode deixar “marcas” cognitivas duradouras (inclusive padrões de agrupamento).
2. Cinco sons: a escala que atravessa culturas
Na música, o 5 não é enfeite: é arquitetura. A escala pentatônica — literalmente, uma escala com cinco tons — é descrita como presente, em diferentes formas, em muitas tradições musicais ao redor do mundo. Quando o ouvido aprende cedo uma gramática de cinco notas, o 5 deixa de ser número: vira respiração melódica.
3. Cinco como “forma de forma” na ideia filosófica: na tradição pitagórica (onde número é mais que contagem: é princípio de ordem), textos atribuídos a Iâmblico registram leituras simbólicas do 5 como união do par e do ímpar (2 e 3), associado à ideia de mediação. Em termos culturais, é o número que “faz ponte”.
4. A quinta essência: a filosofia antiga também deixou uma herança vocabular que atravessa a literatura: a noção de quintessência (associada ao “quinto elemento” em tradições aristotélicas e posteriores) — a ideia de algo mais fino, mais essencial, mais permanente. É por isso que, na escrita, “quintessência” soa como um destino. Exemplos luminosos do 5 na criação artística.
A melhor maneira de enxergar a influência de um número na criatividade é observar como ele funciona em obras e estruturas que sobreviveram ao tempo — não como superstição, mas como método, forma e ritmo.
Bom e como Joiza também mexe com música, há de se salientar que a música também tem o 5 como pulso e identidade:
• “The Five”: o grupo de cinco compositores russos do século XIX que se uniu para afirmar uma escola nacional de música, buscando identidade própria frente a modelos europeus dominantes.
• Take Five: celebrizada no universo do jazz e marcada pela assinatura rítmica incomum (5/4), a peça virou um lembrete universal de que restrição formal pode ser liberdade expressiva.
• A própria lógica pentatônica: cinco notas como ferramenta de invenção quase inesgotável.
Na poesia (5 como moldura de precisão):
• O tanka, forma clássica japonesa, é definido como poema de cinco linhas e 31 sílabas, historicamente central na poesia do Japão.
• Em William Shakespeare, há um caso emblemático: o Soneto 99 é conhecido por ser incomum por conter 15 linhas, com um primeiro bloco expandido — um desvio formal que revela como o poeta usa a quebra do padrão para intensificar o efeito.
Na prosa contemporânea (5 como metáfora de ciclo e sobrevivência):
• N. K. Jemisin, em “The Fifth Season”, transforma o “quinto” em signo de época — um nome que sugere ruptura do calendário e reinvenção de mundo.
Mesmo quando o tema é duro, a engrenagem literária é positiva: a linguagem faz o humano resistir.
Destarte, o que a pesquisa permite afirmar, com honestidade:
1. Pessoas tendem a preferir certos números, e o 5 aparece com frequência em levantamentos de preferência.
2. Preferências numéricas influenciam escolhas, especialmente em finais de dígitos e padrões de decisão.
3. Para alguns, números têm qualidades subjetivas fortes, o que pode alimentar imaginação e simbolização.
4. O 5 tem lastro corporal, musical e filosófico: dedos, escalas de cinco tons, e tradições que o leem como mediação e essência.
5. Nada disso substitui a autoria: o número não escreve. Quem escreve é a pessoa — e o que o número faz, quando bem usado, é manter a chama apontada para o mesmo lugar: constância.
Se a obra semanal de Joizacawpy Muniz Costa é robusta, a pesquisa sugere uma síntese elegante, onde o 5 pode ser o seu ritual de foco — uma pequena engrenagem simbólica que organiza o gesto de criar. E quando a criação se organiza, ela ganha aquilo que o tempo respeita, que é continuidade, qualidade e presença. Parabéns. Reconhecer, mais ainda, o valor individual dos colabores FT é necessário e justo!
Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes.
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