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Gabriel Melônio, um anjo entre nós (ou) a voz que sustenta a avenida

Gabriel Melônio virou enredo campeão e referência do Carnaval maranhense. Sem dúvida, um dos maiores intérpretes até hoje.

14/02/2026 às 11h49 Atualizada em 14/02/2026 às 12h43
Por: Mhario Lincoln Fonte: Facetubes/Mhario Lincoln (autor)
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arte: mhl
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Editoria da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln, poeta e jornalista

Se alguém sair pelas ruas das cidades maranhenses com uma lanterna nas mãos, querendo saber qual o grande intérprete da música carnavalesca regional, o nome que vai aparecer com mais força, recorrência e simbolismo na memória da população é o de Gabriel Melônio, voz oficial da Turma do Quinto, por décadas. Isso fica evidente quando a própria escola decide transformar o intérprete em enredo, anunciando “O Anjo Gabriel” como tema para narrar a trajetória artística dele. E, no desfile, a imprensa local reforçou a dimensão do gesto ao dizer que ele é a personalidade que “dá voz” aos sambas da escola.

E isso é fato porque há vozes que não apenas cantam um samba-enredo. Elas organizam a avenida por dentro, costuram o coro da comunidade e, com um tom sóbrio, mas poderoso (esse é o impacto da reversão: tom sóbrio em meios aos gritos de guerra dos cantadores de samba-enredo), Gabriel vai virando mito, enquanto já garante ser uma bússola de um Carnaval inteiro.

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É nesse lugar simbólico que Gabriel Melônio se impõe como referência, não pelo excesso, mas pela constância de décadas, pela dicção de quem respeita a palavra e pela coragem de sustentar a emoção no ponto exato em que a bateria pede alma, invés de calma!

As fontes mais consistentes sobre o início dessa travessia apontam 1977 como o ponto de virada, quando ele assumiu o posto de intérprete oficial da Turma do Quinto, escola da Madre Deus que carrega no corpo a tradição do canto comunitário.

 

Em entrevista recente, houve consenso quando a própria agremiação o trata como símbolo de resistência e identidade cultural, linguagem que não surge por gentileza, mas por evidência, já que o Carnaval cobra prova anual. Antes da passarela, houve o rádio e a vocação. Nascido em Anajatuba, Melônio aparece em registros culturais como alguém que começou cedo, cantando ainda menino na Rádio Ribamar. É a formação clássica de quem aprende a projetar a voz sem perder o sentimento, com o microfone como escola de respiração e o ouvido como juiz.

 

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O reconhecimento musical mais documentado fora da avenida vem de 1985, quando ele venceu o Festival Viva defendendo “Oração Latina”, obra de César Teixeira em duo com Cláudio Pinheiro. O jornalista Zema Ribeiro registra que a canção se tornou um “hino” e continua sendo cantada em atos e mobilizações, sinal de que a interpretação ultrapassou o palco e entrou na vida pública.

No Carnaval, o ápice de consagração veio quando a própria escola transformou o intérprete em enredo. “O Anjo Gabriel” contou sua trajetória e, no desfile de 2016, a Turma do Quinto foi a campeã com o tributo, em uma vitória que carrega um sentido raro, ou seja, a avenida, ali, não homenageou uma abstração. Homenageou uma voz em carne, tempo e serviço prestado, e isso diz muito sobre a força de Melônio como patrimônio vivo.

Quem observa por fora entende o resultado. O Quadrante Brasil o apresenta como puxador oficial há mais de quatro décadas e registra o próprio Melônio falando da relação com a escola com simplicidade e verdade, “pra mim é um prazer, uma alegria enorme cantar no Quinto”. Esse tipo de frase, no Carnaval, vale como certidão. Porque ninguém sustenta décadas na linha de frente apenas com técnica, é preciso amor e nervo. E isso o anjo Gabriel demonstra sucessivamente.

 

E a presença dele não se limita ao desfile de passarela. O Príncipe de Roma, bloco tradicional de peso no Carnaval ludovicense, deve contar novamente com Melônio como intérprete, ampliando esse alcance para o circuito do povo, onde a rua ensina outra ciência do canto, a de segurar a multidão sem perder o sorriso.

Some-se a isso homenagens e registros de carreira, como a lembrança de que foi celebrado pela Favela do Samba em 2010, além de premiações de interpretação em outros palcos culturais da cidade.

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Melônio é ou não é um anjo entre nós?

 

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Joizacawpy Muniz CostaHá 1 mês São luís Ano passado enquanto brincava num bloquinho de rua que passava nas ruas do centro até chegar na Madre Deus vi Gabriel Melônio na porta de uma residência apreciando as manifestações culturais que por ali passavam. A lenda viva. Obrigada pelo belo texto Mhario.
José de Ribamar SilvaHá 1 mês Anajatuba MaranhãoMeu príncipe. Meu rei. Meu representante maior da Música do Maanhão.
Lilica PedrosaHá 1 mês Bacabal MAMhario Mhario. que coisa linda. Deus te proteja meu irmão.
Carmen Lucia SaldanhaHá 1 mês S.Luís MaMhario Lincoln sem dúvida foi um dos escrito que voce escreveu mais bonitos que li sobre a lenda Gabriel Melônio.
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