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Mhario Lincoln analisa Puccinelli: “Carnaval como emoção de um povo”

Na poesia de Mônica Puccinelli, a dor vira ritmo e emoção coletiva.

16/02/2026 às 14h43
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
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Arte: mhl.
Arte: mhl.

A visão italo-brasileira de Monica Puccineli sobre o Carnaval.

É  CARNAVAL. 

Adormece a realidade 
que a terra vive e nosso 
amado Brasil, sai a sambar.

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Recarrega as batera  deste 
povo maravilhoso que até 
suas dores em samba sabe 
transformar.

É  um presente que Deus 
lhe deu para nunca fraquejar 
Povo lindo, sorridente, que 
coragem e galhardia ao mundo 
sabe demonstrar.

Agradeçamos  a Deus por mais 
um Carnaval, que dobrem suas 
forças, sua fé,  sua esperança 
e que este Brasil  maravilhoso 
continue a brilhar.

Feliz Carnaval!!!!

******

 

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*Mhario Lincoln

Preferi analisar um pouco mais demorado o poema da confreira Monica Puccinelli (APB/IT) porque há um gesto raro nele, mesmo sendo curto e frontal. A poeta começa pedindo licença ao cotidiano para que o país respire. Quando ela escreve que “adormece a realidade” e que o Brasil “sai a sambar”, o verso não trata a festa como fuga, mas como um intervalo necessário de recomposição.

O Carnaval aparece como motor simbólico de sobrevivência, uma espécie de bateria que recarrega o corpo social, porque este povo, diz a autora, aprendeu a converter feridas em cadência. Nesse ponto, a italianidade de quem escolheu o Brasil como casa, funciona como lente afetiva. Ela olha de fora e, ao mesmo tempo, já olha de dentro, com gratidão de quem se espanta e se reconhece.

A palavra “transformar” é o núcleo ético do poema. Não é só cantar apesar da dor, é transmutá-la em forma compartilhável, pública, comunitária. E como eu gosto muito de olhar os versos pela lente filosófica, aqui, esse meu olhar veio a descobrir nesses versos, um parentesco com a ideia de resistência íntima que impede o colapso, mesmo quando o mundo pesa.

 

A poeta APB/IT

Lembra Albert Camus quando afirma, em “Retour à Tipasa”, “Au milieu de l’hiver, j’apprenais enfin qu’il y avait en moi un été invincible.” O que Camus disse foi: "No meio do inverno, aprendi finalmente que havia em mim um verão invencível." Essa citação publicada em L'Été (O Verão), em 1954 é uma metáfora sobre a resiliência humana e a força interior. Pois bem. É a mesma convicção, aqui tropical e coletiva, de que existe uma luz guardada no povo, pronta para reaparecer como dança, sorriso e coragem. Poeticamente, a autora escolhe um tom de benção. Ela repete Deus como eixo e transforma a alegria em ato de fé, sem moralismo, com um desejo simples de continuidade. Por isso, o fecho pede que dobrem força, fé e esperança, como quem pede mais fôlego para o mesmo corpo atravessar o ano. Esse movimento conversa com a imagem de reintegração tão brasileira na sua delicadeza, sintetizada por Cecília Meireles. “Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.”

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Já no poema de Puccinelli, o Carnaval é exatamente isso, a volta inteira depois dos cortes diários, a prova pública de que ainda há música suficiente para não fraquejar. Porque no fim, “é Carnaval” e isso funciona como um cartão de amor ao Brasil, datado e assumido, com a alegria de quem agradece sem ingenuidade.

Há brilho, sim, mas há também um respeito pelo que custa sorrir. E é esse respeito que dá peso ao elogio do povo, porque a festa não apaga a dor, apenas a reorganiza em esperança cantável, para que o país continue a brilhar.

*Presidente da Academia POética Brasileira.

 

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Monica Puccinelli Há 4 semanas Curitiba pr brMhario Lincoln, você e maravilhoso, não sei como agradecer a leitura "gigantesca" que você faz de minha alma, através de minhas palavras. Grazie, caríssimo fraterno,un forte abraço
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