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Segunda Poética Especial com membros da Academia Maranhense de Letras

A ideia é relembrar (nas fotos) o príodo de ouro da Pop-Art, cujo destaque era Andy Warhol.

02/03/2026 às 10h27 Atualizada em 02/03/2026 às 13h32
Por: Mhario Lincoln Fonte: Facetubes/Mhario Lincoln
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Poetas: Laura Damous, Ana Ferro, Ronaldo Fernandes, José Neres, Alex Brasil, Sonia Almeida e Félix Alberto. (AML). O ensaio fotográfico tem como base a Pop-Art (Andy Warhol).
Poetas: Laura Damous, Ana Ferro, Ronaldo Fernandes, José Neres, Alex Brasil, Sonia Almeida e Félix Alberto. (AML). O ensaio fotográfico tem como base a Pop-Art (Andy Warhol).

Da editoria de Litertura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes

Alex Brasil

Tempero Divino
ALEX BRASIL

Um pouco de veneno,
um pouco de mel,
um pouco de inferno,
um pouco de céu:
assim Deus tempera
a nossa sorte,
enquanto nos espera
na eternidade, além da morte

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"(...)  Um poeta entre a dor e a beleza. Assim, Alex define sua poética em uma frase emblemática: "No poeta até a beleza dói". Seus poemas são expressões do eterno dilema humano entre nossos ideais e a realidade que nos rodeia, entre o que aspiramos ser e o que somos forçados a enfrentar". Mhario Lincoln. 
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José Neres

Trístico 01 – Ménage
JOSÉ NERES
 
Na cama, éramos sempre três:
Eu, você e a solidão.
Cada um esperando sua vez.

  ***

DA POESIA
José Neres

Jamais desistir
De tão doce intento
De tornar palavras
As cores do vento.

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"(...) a força de José Neres está, nessas lágrimas líricas, em transformar a intimidade ferida em linguagem nítida, breve e cortante. Sua poesia intestina não grita por excesso; ela fere ou torna-se magia, pela contenção. É essa capacidade de falar de abismos ou de êxtases, com poucas palavras. Eis o segredo!(...)". Mhario Lincoln
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Laura Amélia Damous.

Vésper
LAURA AMÉLIA DAMOUS

quando a luz despedaçar
a noite e
o grito atravessar o tempo
é hora de acudir
o soluço amordaçado do dia

CIMITARRA
Laura Amélia Damous
 
a lua afiada
decepa
a noite
estamos órfãos

"(...) é a mais expressiva da lírica maranhense, surgida nesta nova geração de poetas(...)". MARCONI CALDAS.

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Sonia Almeida.

Intimidade
SONIA ALMEIDA

 Percorro meu corpo e, aos poucos, vou percebendo-me cruz de mim mesma.

Pesa-me esse pensamento que não para e essa visão de mundo sem cortina.

Pesa-me a espera, o desejo, a certeza da mudança diante da rotina e, em mim, essa tonelada de verdades que ainda não sei.

Mas quero o comum inevitável de minha intimidade, onde espero sempre a ilusão de tantas novidades.

Tiro a roupa de estreia e visto-me do lençol de tantas vezes: a mesma árvore, a mesma flor e o mesmo beija-flor que me confunde.

Visto-me do lençol que me veste  e me despe. Tiro meu cheiro e viro frasco de minhas essências.

Escondo-me na mesma intimidade em que me mostro.

 

"(...) Neste poema de Sonia Almeida, a força poética nasce de uma interioridade que se observa sem piedade e sem ornamento: é aqui que sua lírica vira altar, ferida e testemunha de si. Portanto, é uma poética de rara maturidade, em que o corpo pensa, a intimidade encena e a alma se reconhece no próprio labirinto(...)". Mhario Lincoln.

 

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Ana Luiza Almeida Ferro.

Quando
ANA LUIZA ALMEIDA FERRO 

Quando a última luz se apagar
a noite eterna será meu sol
as estrelas piscarão no atol
e eu lá, pequena, a cismar.

Quando a última voz se calar
ouvirei o silêncio dos ressentidos
soltarei o grito engasgado dos contidos
em meio à solidão do mar.

Quando o último perfume se esvair
buscarei a fragrância das flores
com o cheiro de mil amores
e me porei, surpresa, a sorrir.

Quando o último sabor se perder
encontrarei o gosto da vida
no doce aceno da partida
e degustarei as delícias do ser.

Quando o último toque se findar
sentirei a chama que me consome
apalparei a frágua da minha fome
e descobrirei o verdadeiro lar.

Quando a última porta se fechar
daquele parapeito da janela do tempo
verei a vida passar em contratempo
e me olvidarei nas asas do sonhar.

"(...) Aqui, um exemplo raro de força poética se impondo pela extraordinária capacidade de converter a ideia do fim em rito de transfiguração, como se cada perda sensorial não anunciasse aniquilamento, mas uma forma mais funda de revelação do ser. Ou seja, inclui-se, igualmente, rara delicadeza que prova que a linguagem lírica não serve apenas para nomear o efêmero, mas para arrancar da ruína uma centelha de permanência(...)". Mhario Lincoln.

 

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Costa Fernandes.

Rupestre
RONALDO COSTA FERNANDES

Minha imprudência
é feita de cavernas
onde caço animais
nas paredes do desejo.

Ando rude e encovado
nos desenhos primitivos
da minha memória
quase extinta
pelos anos de escuridão.
No meu corpo
tão áspero e rupestre
há uma pré-história de mim. 

"(...)" Nestes versos, um Ronaldo radical: escavando essa instância confessional do poema, onde o poeta desloca o impulso humano para um plano primevo, em que desejo, memória e instinto se confundem numa substância única, mostrando uma poesia de alta densidade simbólica, em que a linguagem parece tatear a origem do homem dentro do próprio homem(...)". Mhario Lincoln.

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Félix Alberto.

Ode ao mundo lá fora
Félix Alberto

se fosse solidão
eu saberia
mas no fundo
é só uma casa
dentro de mim
vazia
de tanta multidão

"Nestes versos, a solidão é de uma interioridade sitiada pelo excesso. Há aqui uma notável inversão poética e existencial: a multidão, que em tese deveria preencher, aparece como força de desgaste, de ruído e de despersonalização, fazendo lembrar a velha tensão entre o ser e o mundo, entre a intimidade que deseja recolhimento e a vida social que tantas vezes nos fragmenta." (Mhario Lincoln).

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Sejam sempre bem-vindos, sempre à "Plataforma Nacional do Facetubes" (www.facetubes.com.br).

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Joizacawpy Há 2 semanas São Luís Mais uma segunda poética sensacional, assim alimentamos nossa leitura e nosso prazer em.nos deleitar com poesia de grande valor. Obrigada Facetubes.
alcina maria silva azevedoHá 2 semanas Campinas -SPTODOS VOCÊS SÃO LUZ, NESTE MUNDO DE INCERTEZAS. PARABÉNS, QUE DEUS OS ILUMINE CADA VEZ MAIS.
Antônio Flores (ULP)Há 2 semanas Porto PTUm momento marcante, que virá a servir como documento histórico para futuros estudiosos portugueses. Felicito este espaço pela sua enorme importância literária.
Luiza Sutti Amarante. Escritora.Há 2 semanas Rio de Janeiro RioUm desfile de grandes poetas. Conhecia a professora Ana somente por seus ensaios preciosos e precisos.
Luis Cláudio Cantuária NevesHá 2 semanas Professor Emérito Aposentado / SPQuero deixar aqui todo o meu apreço por está valiosa publicação nacional. Ela me fez conhecer magníficos poetas maranhenses como Sônia Almeida e Costa Fernandes. Acho esta Plataforma atual a maior referência nacional de literatura. Parabéns aos idealizadores.
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