
Editoria da Plataforma Nacional do Facetubes c/Euclides Moreira Neto.
O carnavalesco e comentarista da TV Globo, Milton Cunha, aparece como figura convocada a ampliar a visibilidade da festa, sobretudo nos desfiles de 27 e 28 de fevereiro de 2026, quando voltou à capital paraense como anfitrião do Camarote Miltons, iniciativa articulada com a "Liga das Escolas de Samba Associadas" para projetar o espetáculo local para além das fronteiras do Estado.
O que mais chama atenção, porém, é que os jornais de Belém não trataram Milton apenas como celebridade convidada, mas como voz de legitimação cultural. Ao acompanhar ensaios técnicos desde 24 de fevereiro, ele exaltou o artista popular, disse celebrar o samba de Belém para além da competição e associou sua volta à cidade a um gesto de abraço aos sambistas da terra.
Em outra frente, defendeu que o camarote servisse às comunidades, ajudando a atrair turistas, investimentos e reconhecimento. A mensagem é direta: "o brilho, ali, não deveria encobrir a escola de samba, mas funcionar como refletor para ela", disse.
Esse movimento já vinha se desenhando antes. Em 2025, a imprensa local registrou que a presença de Milton nas duas noites de desfile era vista como parte de uma tentativa de resgatar a força histórica do carnaval de Belém.
A imagem mais eloquente dessa operação veio na madrugada de 1º de março de 2026, quando, debaixo de chuva, Milton Cunha atravessou a avenida molhada, dançou, acenou para as arquibancadas e virou um dos focos do encerramento do Grupo Especial.
O gesto não vale apenas pelo espetáculo da cena. Vale porque resume o que a capital paraense entendeu que, para fortalecer sua festa, precisa unir comunidade, memória, estética e comunicação. E Milton Cunha, nesse enredo, surge como ponte entre a exuberância popular do Carnaval paraense e a ambição legítima de fazer o Brasil olhar para Belém com a atenção que seu carnaval há muito merece.
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