Segunda, 22 de Junho de 2026 19:09
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Mundo SÉCULO XXI

A Terra não precisa da nossa soberba. Precisa de união e compreensão

Segundo um dos homens mais ricos do mundo, Elon Musk, vem discutindo em livros físicos e em palestras, as três assuntos ultrarrelevantes para todos nós: a inteligência artificial, a mudança climática e o risco de uma nova extinção em massa. 

22/06/2026 16h49
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria-Geral do Facetubes
Arte: mhl/ginaiFT
Arte: mhl/ginaiFT

Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes.

"Para Osho, a soberba é a principal máscara do ego e a maior ilusão humana. Longe de ser força, a soberba é vista como uma fraqueza que impede o autoconhecimento. Ele ensina que o orgulho não existe por si só: assim como as trevas, ele é apenas a ausência de luz e humildade. Isso porque o ego é uma ilha cercada pelo inferno

A Terra não está em perigo de morte. Quem está em perigo somos nós. O planeta já atravessou eras de fogo, gelo, colisões, desaparecimentos e recomeços. A vida mudou de forma muitas vezes. Espécies inteiras sumiram. Outras nasceram. A Terra continuou. A arrogância humana nasce justamente da incapacidade de aceitar essa verdade: não somos o centro da criação, não somos donos da natureza, não somos indispensáveis ao universo.
Quando se fala em extinção da humanidade, três sentimentos aparecem ao mesmo tempo: medo, culpa e vaidade coletiva. O medo vem da consciência antiga de que podemos desaparecer. A culpa nasce da percepção de que ultrapassamos limites.

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A vaidade coletiva sustenta a ilusão de que o planeta depende de nós para existir. Não depende. Somos apenas uma espécie entre milhões. A Terra não precisa de nossa licença para continuar girando. O divulgador científico Sérgio Sacani, ao comentar a visão de Elon Musk, resume três ameaças centrais colocadas por esse debate contemporâneo: a inteligência artificial, a mudança climática e o risco de uma nova extinção em massa. Segundo essa leitura, Musk vê a IA como primeiro grande problema, a mudança climática como segundo e a possibilidade de uma extinção em massa como terceiro. A observação tem força porque desloca a conversa do campo da fantasia para o campo da responsabilidade. Não se trata de medo teatral. Trata-se de reconhecer que uma civilização tecnicamente poderosa pode tornar-se espiritualmente imatura.

A humanidade aprendeu a construir máquinas, explorar o espaço, alterar paisagens, perfurar montanhas, represar rios, interferir nos ciclos da vida. Ainda não aprendeu a dominar a própria soberba. A tecnologia avançou mais depressa que a consciência. Esse descompasso talvez seja o retrato de nosso tempo: capacidade de criar instrumentos imensos, incapacidade de medir as consequências morais do uso desses instrumentos.

A filosofia grega chamava isso de hybris: o excesso que antecede a queda. O ser humano embriagado por si mesmo passa a acreditar que tudo pode, tudo controla, tudo compra, tudo substitui. Ocorre que uma árvore não é substituída por um discurso. Um rio morto não volta a correr por decreto. Uma floresta destruída não renasce por arrependimento tardio. A natureza não negocia com a vaidade. Ela responde com leis.

O aquecimento global, a perda de biodiversidade, a escassez de água potável, os eventos climáticos extremos, a insegurança alimentar e a disputa por recursos não anunciam o fim do planeta. Anunciam o estreitamento da nossa permanência nele. A Terra pode seguir sem nós. Nós não seguimos sem água, sem ar respirável, sem solo fértil, sem equilíbrio ecológico, sem alguma forma de paz entre povos que disputam sobrevivência.

Osho escreveu, em tradução livre, que “o ego é a maior doença que pode acontecer ao homem”. Também disse que “o ego é uma ilha cercada pelo inferno”. A frase atravessa o indivíduo e alcança a civilização. Uma pessoa dominada pelo ego destrói relações. Uma sociedade dominada pelo ego destrói rios, florestas, cidades, culturas e futuros. O ego, quando vira política, economia e comportamento coletivo, transforma a vida em objeto de consumo.

A soberba humana não vale absolutamente nada diante de uma seca prolongada, de uma enchente sem controle, de uma pandemia, de uma lavoura perdida, de uma cidade sem água, de um calor que torna o corpo incapaz de trabalhar. A arrogância se desfaz rápido quando o chão falta. Toda civilização que se imaginou eterna deixou ruínas. As ruínas são aulas que a vaidade se recusa a frequentar.

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O conselho mais urgente talvez seja o mais simples: precisamos reaprender a ocupar o mundo com humildade. Humildade não é fraqueza. É inteligência diante do limite. É saber que cada gesto tem consequência. É entender que consumir menos também é pensar nas próximas gerações. É compreender que ciência sem ética vira força cega. É aceitar que progresso sem cuidado pode ser apenas movimento em direção ao colapso.

A pergunta real não é se a Terra vai acabar. A pergunta é quanto tempo ainda teremos direito de viver nela com dignidade. Esse direito não está garantido por nenhuma lei humana. Ele depende de uma aliança concreta entre conhecimento, prudência, justiça e responsabilidade.

Não precisamos de pânico. Precisamos de lucidez. Não precisamos odiar a humanidade. Precisamos educá-la contra a própria soberba. A salvação possível começa quando o ser humano desce do pedestal e volta a olhar para o solo. Ali está a origem de tudo: a água, a semente, o alimento, o corpo, a morte e o recomeço.

A Terra continuará sua jornada. O que está em julgamento é a nossa permanência. A vida não nos deve explicações. Nós é que devemos respostas à vida.

 

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