Quase uma fábula. Mas fortificada com uma música forte no gênero das Big Bands Americanas, prompeada pela MharioMusic/TVFacetubes. Juntou-se, então, o útil ao agradável, tornando a letra do poeta e escritor (especialista em Jazz e Swing) uma grande página musical moderna, especialmente, quando se interpreta a letra que trabalha com uma atmosfera de estranhamento muito bem construída. Tudo começa num estado de inércia, quase apático, e a chegada da figura misteriosa rompe essa quietude sem alarde, o que já cria um clima de surrealismo. A simplicidade das ações — alguém que chega, deixa uma caixa e vai embora — contrasta com o peso simbólico que o narrador imediatamente atribui ao acontecimento.
O segundo movimento do texto reforça essa tensão entre o banal e o enigmático. A caixa embrulhada em papel pardo, um objeto cotidiano, ganha contornos de ritual. A descrição da entrega, quase cerimonial, sugere que o presente carrega algo mais profundo do que seu aspecto modesto indica. Há um jogo interessante entre o concreto da cena e o abstrato do que ela desperta.
Quando o narrador passa da surpresa à preocupação, a letra mergulha no terreno psicológico. A pergunta sobre o conteúdo — alegria ou tristeza, bênção ou danação — revela que a caixa funciona como metáfora para a própria vida interior. É um momento em que a narrativa externa se dissolve e dá lugar a uma reflexão existencial, ampliando o alcance emocional do texto.
O desfecho é o ponto mais forte: ao abrir a caixa, o narrador encontra seu passado e, dentro de outra caixinha, seu futuro. É uma imagem poderosa, que sintetiza memória, destino e autoconhecimento. A letra de Augusto Pellegrini, também interprete de grandes momentos deo Jazz internacional, inclusive ao final ouve-se rapidamente, um trechinho da sua própria voz (interpretando seu pídolo do Jazz mundial: Mel Tormé ). Na letra, Pellegrini, enfim, se destaca por transformar um gesto simples em uma alegoria sobre identidade e tempo, com uma sensibilidade que lembra composições introspectivas e poéticas do jazz contemporânea.
(Augusto Pellegrini)
Lá estava eu, sentado quieto no meu canto
Sem nada pra fazer, sem um destino certo
Quando ela veio, sem causar surpresa ou espanto
Sem qualquer emoção, e sem ninguém por perto
Tinha consigo uma caixa envolta em papel pardo
À guisa de presente, um tanto inusitado
Se aproximou e se desvencilhou do fardo
Depositando a caixa no chão, bem ao meu lado
Então tocado eu fui por imensa surpresa
Que foi se transformando em preocupação
A caixa conteria alegria ou tristeza?
Traria ela bons fluidos ou pranto e danação?
Me apoderei da caixa, rasguei o papel pardo
Curioso, quis saber o que ela continha
Lá dentro se encontrava todo o meu passado
E o meu futuro oculto em uma outra caixinha.
******
Vídeo com a letra de Augusto Pellegrini (MharioMusic).
As imagens do vídeo são homenagens a grandes artistas do Jazz e do Swing mundiais.
Em tempo: entrevista exclusiva à RádioFacetubes: AUGUSTO PELLEGRINI fala do futuro de sua carreira como intérprete de Jazz. Para ouvir, clica APENAS no link: https://on.soundcloud.com/zN0lMGZRSKGgQre5Rv
(A ilustração abaixo é só imagem).

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