
Helena Bennett é colunista do Facetubes NY.
PARIS — Poesia ocupa Saint-Sulpice e recoloca o livro no centro da cidade
Paris voltou a transformar a literatura em presença pública com o 43º Marché de la Poésie, realizado de 3 a 7 de junho de 2026, na Place Saint-Sulpice. O encontro reuniu editoras, revistas, autores, leitores e instituições ligadas ao livro, com programação estendida pela chamada “Périphérie”, que ampliou o evento para outros espaços culturais. A escolha da Irlanda como convidada de honra deu à edição um eixo internacional e aproximou a poesia francesa de uma tradição literária marcada por nomes como Yeats, Heaney e Joyce.
O fato mais relevante não está apenas na agenda, mas no gesto cultural. Em plena disputa mundial por atenção, Paris manteve a poesia no espaço aberto, em praça pública, fora do circuito fechado das vitrines comerciais. Na mesma semana, o Paris Book Market reuniu profissionais internacionais de direitos editoriais e casas francófonas, mostrando que a capital francesa trabalha em duas frentes: o livro como experiência pública e o livro como circulação internacional de catálogos, traduções e negócios editoriais.
Na mesma Paris Book Market/Paris Fellowship 2026, aparece o brasileiro Alex Januário, editor da Edições 100/cabeças, de São Paulo. O perfil oficial da France Livre informa que ele é autor e poeta, com ensaios, artigos e seis livros publicados, além de atuação ligada ao surrealismo no Brasil. O mesmo material informa que o Fellowship inclui participação no Paris Book Market, dentro da semana profissional em Paris.
Também em Paris, no Marché de la Poésie, aparece Patrícia Lavelle, poeta nascida no Rio de Janeiro, professora da PUC-Rio e autora de livros de poesia. Ela foi listada entre os nomes das leituras e dedicatórias do evento “Ti Punch poétique”, no stand das Éditions Idem, dentro do Marché de la Poésie, na Place Saint-Sulpice.
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VANCOUVER — Prêmios literários reforçam a força editorial da costa oeste canadense
Em Vancouver, a principal movimentação literária do momento passa pelos finalistas do B.C. and Yukon Book Prizes 2026, prêmio que chega à 42ª edição reconhecendo escritores, ilustradores e editoras da Colúmbia Britânica e do Yukon. A lista reúne ficção, poesia, não ficção, literatura infantil, obras indígenas, memória regional e livros de intervenção social. Entre os nomes citados estão Maria Reva, Jen Sookfong Lee, David A. Robertson, Lorna Goodison, Bob Joseph, Iona Whishaw e Léa Taranto. Os vencedores serão anunciados em gala em Vancouver, em 19 de setembro.
A cidade também mantém uma rede literária ativa fora da temporada de premiações. O Vancouver Writers Fest confirmou seu festival de 2026 para 18 a 25 de outubro e segue com eventos ao longo do ano, incluindo encontros da série Incite e conversas com autores. A Biblioteca Pública de Vancouver aparece como peça central dessa engrenagem, com leituras, oficinas e encontros que aproximam autores consagrados, novos escritores e leitores. É uma cena menos ruidosa que a de Paris, mas organizada, contínua e sustentada por instituições que tratam literatura como formação pública
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