Quinta, 02 de Julho de 2026 14:41
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ESPECIAL: “Evoluímos quando enxergamos além dos reflexos”. Por Sharlene Serra

“Cada pessoa carrega histórias aos olhos apressados demais para ver e que acabam enxergando o superficial.”. SHS.

02/07/2026 11h33 Atualizada há 3 horas atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Sharlene Serra (autor)
Sharlene Serra (Coleção Incluir)
Sharlene Serra (Coleção Incluir)

Sharlene Serra

 Quem nunca ouviu a pergunta da rainha em Branca de Neve?

"Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?"

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Durante muito tempo, pensei que o espelho fosse um dos vilões daquela história. Muitos estudiosos até defendem essa interpretação. Mas, com o tempo, cheguei a outra conclusão.

O espelho nunca foi o vilão.

 

Ele apenas refletia a verdade que era perguntada. Quem transformava aquela verdade  em inveja, competição e desejo de destruição  era a rainha. O problema nunca esteve no espelho. Estava no olhar de quem não conseguia enxergar além de si mesma.

Ela  enxergava ameaça onde havia apenas outra pessoa.

Talvez seja assim a vida.

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Os espelhos nunca foram nossos inimigos. Eles apenas devolvem imagens.

Somos nós que decidimos o que fazer com elas.

Há quem olhe para um rosto e encontre rugas.

Há quem encontre histórias.

 

Há quem veja dor.

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Há quem descubra cor.

Há quem enxergue uma limitação.

Há quem reconheça possibilidades.

O reflexo é o mesmo.

O olhar, nunca.

Foi então que compreendi que vivemos cercados de espelhos. Cada encontro devolve algo sobre quem somos. Porque a forma como enxergamos o outro revela a qualidade do nosso próprio olhar.

Na inclusão, isso se torna ainda mais evidente.

Podemos olhar para uma criança e enxergar apenas seu diagnóstico. Ou podemos olhar para uma criança e enxergar sonhos, talentos, afetos e possibilidades.

Podemos olhar uma pessoa com deficiência e perceber apenas a sua condição ou podemos reconhecer tudo aquilo que ela é capaz de construir, ensinar e inspirar.

Podemos enxergar apenas aquilo que falta ou reconhecer tudo aquilo que já existe.

 

Nosso olhar pode ferir.

Mas também pode acolher.

Pode excluir.

Ou fazer alguém sentir, que pertence.

A verdadeira inclusão não começa nas leis,nas adaptações ou nos discursos. Ela começa no olhar.

A verdadeira evolução acontece quando deixamos de olhar apenas para o reflexo e aprendemos a enxergar a pessoa.

Quando entendemos que ninguém cabe em um rótulo, em uma condição, em uma aparência ou em um instante da vida.

Cada pessoa carrega histórias aos olhos apressados demais para ver e que acabam enxergando o superficial.

E talvez seja justamente por isso que o mundo precise de menos espelhos que alimentem vaidades e de mais olhares capazes de revelar a humanidade que existe em cada encontro.

Então, antes de conversar com o espelho sobre o que ele vê sobre você e sobre o outro, pergunte para si que tipo de olhar estou oferecendo ao mundo?

Porque os espelhos refletem imagens.

Mas somos nós que precisamos olhar além dos reflexos.

 

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Coluna de Sharlene Serra
Sobre Coluna de Sharlene Serra
Sharlene Serra é uma escritora, educadora e pesquisadora maranhense, natural de São Luís, reconhecida por sua forte atuação na literatura inclusiva e na educação especial. Ela é autora da "Coleção Incluir", uma série de livros infantis que abordam deficiências de forma lúdica, e idealizadora do projeto Geração de Escritores. Mora em Brasília DF.
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