SEU DEMÉTRIO E DONA ARMÍNIA
Joema Carvalho
- “Va la fora menino, bata palma e mande aquele índio velho parar de espantar as galinhas. Fale para ele ir embora”.
Eu fui. Era pequeno, deveria ter uns 5 anos. Não havia índio Depois que fiz o que a Dona Armínia mandou, minha avó, as galinhas se acalmaram.
Todo o final de tarde, ela sentava no terreiro, nos fundos da casa dela para pitar cachimbo.
Seu Demétrio era seu companheiro, um negro velho criado em senzala. Esta rotina não o incomodava. Aproveitava para incorporar os tambores de algum momento. Sentir as cores fortes em tons de marrom, amarelo, vermelho e rosa de Iansã. Observar no ar o cheiro do cachimbo, da mulher e da fogueira.
A vida seguia, no movimento do vento forte, com a proteção dos que já foram.
Poema do livro Luas & Hormônios, versão digital editada pelo selo Marinas Edições (2020), disponível na Amazon) e impressa editada pela Secretaria do Estado da Cultura do Estado do Paraná (2010).
Contato:
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Livro da autora
https://www.amazon.com.br/Luas-Horm%C3%B4nios-Joema-Carvalho-ebook/dp/B08P1Z987P

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