
Orquídea Santos, chefe da ASCOM da Academia Poética Brasileira.
O Texto ENCANTADOS DO ITAQUI, do jornalista Fernando Baima, lido pelo colega Mhario Lincoln, na imprensa do Maranhão, foi o "start' para pesquisas e elaboração de um dos maiores bestsellers sobre o afundamento do HNW, em águas ludovicenses: INA-A VIOLAÇÃO DO SAGRADO. Tudo o que envolveu o acidente: erros de manobra, configurações técnicas, influências afro-religiosas, pareceres jurídicos, processo no Tribunal Marítimo e muito mais detalhes, que contou também com a colaboração jurídica do inesquecível Osvaldo Pereira Rocha.
Abaixo, o texto - a partir do qual - originou todo interesse do jornalista Mhario Lincoln em buscar fatos, tragédias e influências afro religiosas em produzir um livro contando detalhes de tudo isso, em cima de um fato gravíssimo, acontecido em águas da ilha de São Luís/Porto do Itaqui: o desastre com o terceiro maior graneleiro do Mundo, o Hyundai New World. Foram mais de 10 anos de pesquisa, centenas de horas de pesquisa e ajuda direta de vários amigos, um deles, o inesquecível Osvaldo Pereira Rocha, que embasou, juridicamente, todos os capítulos pertinentes ao processo, no Tribunal Marítimo, instaurado.
VÍDEO-BÔNUS
O jornalista Mhario Lincoln (membro da Sociedade Amigos da Marinha-Soamar-MA), sempre fez questão de mostrar suas principais fontes e nunca esqueceu a contribuição de Fernando Baima ( e de outros jornalistas da imprensa de São Luís, do Brasil e de jornais estrangeiros, pesquisados) que, indiretamente, são grandes personagens desse livro. E ainda agradecer de público ao empresário da área marítima do Porto do Itaqui, Mario Flexa Ribeiro, que mandou imprimir e distribuir 20 mil exemplares na Europa e Ásia, através dos navios que atendia, na segunda edição da obra, fato que catapultou e originou várias matérias internacionais sobre o acidente águas de São Luís-MA.
Destacaque-se que nesta 3a. edição revista e ampliada, o autor também agradece à SOAMAR - sociedade dos amigos da Marinha, seccional MA, pela presteza em resgatar a obra e distribuí-la entre co-irmão brasileiros da instituição nacional.
ENCANTADOS DO ITAQUI
Jornalista Luís Fernando Baima, no Livro “Ina a Violação do Sagrado”, de Mhario Lincoln.
O vento frio daquela noite sem lua convidava mais a dormir e sonhar do que fazer ronda na penumbra da beira do cais do Porto do Itaqui.
Um guarda portuário da Companhia Docas do Maranhão, caxiense, com mais de cinquenta anos, se agitou com a imprevista visão de um imenso navio surgindo por detrás da Ponta da Madeira, fartamente iluminado. A medida em que a deslumbrante embarcação se aproximava e se avizinhava do cais do armazém ele passou a distinguir, no ar, suave música e um palavreado aflito, incompreensível para seus ouvidos de gente humilde, em poucos dias de São Luís.
Sozinho, novato entre os companheiros, raciocinou nervoso que não teria condições de manusear, sem ajuda, os pesados cabos de amarração que deveriam ser acomodados nos ‘cabeços’, onde se prendem as cordas das embarcações, e partiu em direção ao portão principal do porto, em busca de dois ou três homens para efetuar a atracação inesperada.
Os guardas disponíveis se espantaram com a pressa do amigo e não acreditaram na alegação, afirmando que não tinham conhecimento de qualquer navio chegando naquela noite. Juntos e curiosos eles se dirigiram cépticos de volta à beira do cais e, lá chegando, só encontraram os guindastes de pórtico esqueléticos e sonolentos, cochichando intrigas com o vento manso que rolava sobre a baía, trazendo notícias frescas do outro lado do oceano. No outro dia, o guarda, apavorado, pediu demissão do serviço e regressou a sua cidade natal jurando que o Porto do Itaqui, em São Luís do Maranhão, era lugar de "encantados" e ele jamais voltaria.
Mas o cenário continua o mesmo há anos. As infindas ondas do mar, roçam as estruturas do cais, insensível ao cheiro acre de maresia que infesta o ar, conferindo a esbeltez das estruturas das lanças dos guindastes espetando nuvens no céu e vivenciando a agitação da operação portuária com empilhadeiras correndo ligeiras transportando fardos que não acabam, e estivadores em macacões azuis, tranquilos, na faina de apertar laçadas e pendurar ‘olhais’ nos ganchos dos ‘spreades’* carregados.
Algumas poucas vezes, de longe, ainda refletem singelas cerimônias em homenagem à princesa Ina, entidade formosa que habita um castelo de cristal encravado nas profundezas da área do porto, segundo os babalaôs mais prestigiados da terra, ouvindo o bater compassado e melancólico dos tambores de mina, soando para acalmar a fúria do Rei de Portugal.
D. Sebastião, desaparecido na batalha de Alcacebir, desterrado pelas bandas da Ilha dos Lençóis, no esquecido litoral Norte, município de Cururupu, de onde, afirmam os moradores albinos de lá, costuma sair para visitar a Ina, a caprichosa cortesã, em noites claras de lua. Há quem afirme que as entidades mais influentes vagueiam ciganas pelo imenso golfão maranhense e são autênticas protetoras do lugar. Por isso, vez por outra retumbam o bater dos tambores, maestrados por babalorixás do lugar.
Ouve-se, com clareza, o som das plantas dos pés descalços das poderosas e vistosas Mães-de-Santo, de cabeças enroladas em lenços alvos e perfumados de incenso, que, em rodopios, deixa um ruído cerimonioso, até o alvorecer quando finalmente o silêncio anuncia um novo dia entre o Céu e o mar.
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