SAPEÁ
Convidada: Joema Carvalho
Metade da montanha subimos dentro de uma kombi velha. A porta, estragada, precisava ser fechada do lado de fora. Quando o restante do percurso se tornou mais íngreme, seguimos a pé.
Chegamos à tarde na aldeia, na Serra do Mar, local envolvido por um fragmento de floresta atlântica — dentro dos 9% que ainda restam ao longo da costa. Um desmembramento do Peabiru, caminho de mato amassado.
Agostinho, o cacique, recepcionava todos. Contemplava cada um no seu tempo, diferente do nosso, por isso despendido à vontade, sem preocupação com o relógio. A comida, em atmosfera de harmonia, era farta e distribuída entre pessoas de todas as regiões do Brasil. Artistas, professores universitários e advogados aguardavam o batismo na tribo guarani. Entre elas, Ian, nosso filho de três anos. Como não seguíamos nenhuma religião convencional, julgamos essa benção como a mais adequada a ele, por respeito à espiritualidade.
A cerimônia ocorria em uma oca, com uso de erva-mate, milho e água —elementos sagrados. Às mulheres só era permitido entrar com saia, todos descalços. A noite avançava. Ian passou a resmungar de sono, cada vez mais irritado. No momento certo, dirigi-me com ele à presença do pajé, no centro da oca. Fomos envolvidos por um movimento de mãos. Ele se acalmou, parou de chorar. Senti-me batizada também.
Após a cerimônia, vieram a dança e o petynguá: uma pitada e uma cuspida, todos ainda descalços e com profundo sentimento de paz. Pernoitamos na aldeia. Na oca maior, instalavam-se barracas — não tínhamos levado a nossa. Dividimos outra oca, desta vez menor, com outras pessoas. Ian, num saco de dormir dobrado emprestado, eu em duas cadeiras juntas, meu companheiro, no chão, sobre o seu anorak.
Regressamos no dia seguinte, a pé, montanha abaixo. O filhote ia de cavalinho. Acolheu o nome indígena, sem padrinhos. Seu guia é o índio amigo e ele, o Sapeá.

1 foto Apresentação do e-book dos mais importantes quando o assunto é: poéticas, identidades e resistências
1 foto E-BOOK: Literatura, memória e discursos em trânsito: poéticas, identidades e resistências
1 foto VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA MENORES EM QUATRO AUTORES CONTEMPORÂNEOS 002
1 foto Ebook: Literatura, memória e discursos em trânsito: poéticas, identidades e resistências 003
1 foto Leonardo de Magalhaens:“História das religiões. Budismo. Zen budismo”
1 foto A CULTURA DE IMPUNIDADE NO BRASIL CONTEMPORÂNEO Mín. 11° Máx. 23°
Mín. 10° Máx. 18°
Chuvas esparsasMín. 8° Máx. 16°
Tempo nublado
Coluna de RUY PALHANO “Exortemos o perdão e libertemo-nos do cárcere do ressentimento”. Dr Ruy Palhano
ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA BOMBA: “Artista rotulada como regionalista pela indústria cultural acabou esquecida pelos maranhenses”
Renata Barcellos EXPOSIÇÃO E ESPETÁCULO: “RAMPA, O PARAÍSO ESCONDIDO” . Por Renata Barcellos (BarcellArtes)
Crônicas de Eloy Melonio Crônica de Eloy Melonio, exclusivo para o Facetubes: “CÉU DE BRIGADEIRO”