RESENHAS MHL
O poema de Joizacawpy Muniz Costa é, sem dúvida, fora da curva, da igualdade poética tão em voga hoje em dia. Isso porque, trabalha uma ideia central: a existência humana não se cumpre no isolamento. O texto parte da experiência individual para alcançar uma visão de totalidade. A luz, o sol, a lua, as estrelas, as cores e o universo não aparecem apenas como imagens complementares de rima ou ideia.Funcionam como símbolos de uma consciência que percebe que viver é participar de algo maior. A pergunta “ou seria um todo que se divide em partes?” Isso, então, abre uma dimensão metafísica importante: o ser humano é fragmento do universo ou o universo se manifesta em cada ser humano?
O sol que me aquece, aquece também o outro.
A lua que ilumina a minha noite
também ilumina as noites de outrem.
As estrelas no céu cintilam para nós,
não apenas para mim.
Uma concepção lírica de Joizacawpy onde o texto tem uma linguagem clara, de tom reflexivo e afirmativo. A autora usa imagens amplas — luz, cor, labirinto, sol, lua, estrelas, tela multicor — para construir uma poesia de pensamento. Não é um poema de ruptura formal, nem de obscuridade. É uma poesia de comunicação direta, próxima da meditação existencial. Sua força está menos no hermetismo verbal e mais na capacidade de transformar elementos naturais em lições sobre vida, convivência e resistência.
Inclue-se ai, também, o plano social, o poema quando ela afirma uma ética da coletividade. Quando diz que o sol aquece também o outro e que as estrelas cintilam “para nós, não apenas para mim”, a autora recusa o individualismo. A existência aparece como partilha. A vida não é apenas sobrevivência pessoal, mas convivência, reconhecimento, solidariedade. O poema sugere que a luz interior só tem sentido quando ultrapassa o próprio sujeito e alcança outras pessoas.
A análise geral revela uma poesia de esperança consciente. Não se trata de ingenuidade diante dos caminhos difíceis. A autora reconhece os labirintos, as tentativas, as partidas, os caminhos tortuosos. Ainda assim, transforma a dificuldade em formação humana. O poema defende que viver é misturar experiências, aceitar diferenças, compreender que cada existência é cor dentro de uma tela maior. Seu núcleo filosófico, poético e social está nessa passagem do “eu” para o “nós”.
O poema de Joizacawpy Muniz Costa trabalha uma ideia central que é a da existência humana que não se cumpre no isolamento. Isso leva o texto para uma experiência individual - e daí - alcançar uma visão de totalidade.
CORES, LUZES E UNIVERSO
Luzes e cores cercam o ambiente existencial,
labirintos formados por situações diferentes.
É a realidade da vida que não se esconde
lutar para viver é mais que lutar para sobreviver.
Não há acertos sem tentativas,
não há chegada sem partida.
Os encontros só são possíveis
porque existe mais de um.
A luz que habita em mim
deve reluzir para além de mim.
Os caminhos tortuosos
não são um convite à desistência;
pelo contrário, são lições que nos fortalecem.
O sol que me aquece, aquece também o outro.
A lua que ilumina a minha noite
também ilumina as noites de outrem.
As estrelas no céu cintilam para nós,
não apenas para mim.
Não há divisões no universo infinito;
há partes que formam um todo,
ou seria um todo que se divide em partes?
A hermenêutica universal deve explicar.
E assim as cores da existência se misturam,
formando uma bela tela multicor,
enfeitando os recantos da vida
com a suavidade da cor do amar e do amor.
Joizacawpy Muniz Costa
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