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Mulher Babaçu tenta desfazer equívocos sobre a foto/arte da escritora Maria Firmina dos Reis

Coluna especial sobre Maria Firmina dos Reis.

14/03/2021 10h54 Atualizada há 4 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Uimar Junior
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MULHER BABAÇU TENTA DESFAZER OS EQUÍVOCOS SOBRE A FOTO/ARTE DE MARIA FIRMINA DOS REIS

Coluna especial sobre Maria Firmina dos Reis.

Eu, a Mulher Babaçu, decidi colocar nesta coluna especial de hoje e como estamos no mês das Mulheres e como, ainda, 11 de março é o Dia da Mulher Maranhense, um pouco da história dessa grande escritora brasileira, nascida neste Estado. Claro que alguns equívocos ainda constarão de algumas anotações, todavia, as principais celeumas acho que poderei tentar dirimir, como por exemplo, data de nascimento e a foto que aconteceu em três momentos, conforme eu explico abaixo. Quem tiver mais informações que queiram acrescentar a esta coluna, na forma de comentários, por favor, faça-a que serei grata. Quanto mais informações mais colocaremos no chão alguns mitos que foram criados em torno dessa mulher maravilhosa. Abro esta página com o belo texto de uma das conhecedoras premiadas de Maria Firmina. A amiga DILERCY ADLER, da Academia Ludovicense de Letras, a quem publicamente agradeço esta honra. Abaixo:

HOMENAGEM ESPECIAL

Maria Firmina dos Reis.

MARIA FIRMINA DOS REIS, PRIMEIRA ROMANCISTA BRASILEIRA: ilustre maranhense

“(...) Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista brasileira, nasceu no dia 11 de março de 1822, no Bairro de São Pantaleão (nas imediações da Igreja), em São Luís do Maranhão e, segundo a certidão de Batismo, é filha natural de Leonor Felippa, molata forra que foi escrava do Comendador Caetano José Teixeira. Foram seus padrinhos, o Tenente de Milícias - João Nogueira de Souza - e Nossa Senhora dos Remédios (Câmara Eclesiástica/ Episcopal, 1847 apud ADLER, 2017, p. 59). Como filha natural não tem registrado o nome do pai. No entanto, em fontes anteriores consta que é filha de João Pedro Esteves e nada mais é dito sobre ele. O Doutor Joaquim Franco de Sá Oficial da Imperial Ordem da Rosa, Cavalheiro da de Christo, juiz de Direito da Câmara de Alcântara, deputado à Assembleia Geral Legislativa, e Presidente da Província do Maranhão por sua Majestade O Imperador a Quem Deus Guarde.

Município de Guimarães-MA

Maria Firmina viveu 95 pródigos anos e faleceu em 11 de novembro de 1917, na cidade de Guimarães no Maranhão. Embora tenha nascido em São Luís, viveu grande parte da sua vida em Guimarães, onde produziu também a maioria das suas obras ou quiça todas. Há teses que contra argumentam que foi viver em Guimarães aos 05 anos de idade. Também é nessa cidade que assume a cadeira de primeiras letras do sexo feminino da Villa de Guimaraes, cuja nomeação apresenta o seguinte teor:

Faço saber aos que este Alvará virem, que atendendo a que Maria Firmina dos Reis opositora á cadeira de primeiras lettras do sexo feminino da Villa de Guimaraes, se acha competentemente habilitada na forma da Lei de quinze de outubro de mil oitocentos e vinte e sete, tem por bem, em conformidade das leis em vigor provêla na serventia vitalícia da mencionada cadeira, que se acha vaga, havendo o ordenado annual que legalmente lhe competir. Mando por tanto a quem pertencer, que dando-lhe a posse desta cadeira, depois de prestar o juramento do objeto, a deixa servir e exercitar […]

(Fundo Secretaria do Governo. Série Portarias de nomeações, licenças, demissões apud Adler 2017, pp. 60-61).

Na área da Educação, a Professora Régia ainda fundou a primeira escola mista em Maçaricó/Vila de Guimarães no Maranhão.

Foto adotada pela ALL.

Maria Firmina é indubitavelmente grande intelectual e artista de múltiplos talentos, pois, além do romance Úrsula (1859), Gupeva, romance de temática indianista (1861), Cantos à beira-mar (poesia, 1871), A escrava (conto antiescravista,1887), participou da Antologia Poética Parnaso Maranhense (coleção de poesias, editada por Flávio Reimar y Antonio Marques Rodrigues. 1861), é autora de charadas, incursiona pelo mundo da música compondo letras e melodias, entre os quais, Auto de bumba-meu-boi (letra e música), Valsa (letra e música), Hino à Mocidade (letra e música), Hino à liberdade dos escravos (letra e música) Rosinha, valsa (letra e música), Pastor estrela do oriente (letra e música), Canto de recordação - “à Praia de Cumã” (letra e música).

Nascimento Morais Filho, em seu livro: Maria Firmina, fragmentos de uma vida (1975) elenca os muitos jornais literários em que Maria Firmina publicou, entre eles: Federalista, Pacotilha, Diário do Maranhão, A Revista Maranhense, O País, O Domingo, Porto Livre, O Jardim dos Maranhenses, Semanário Maranhense, Eco da Juventude, Almanaque de Lembranças Brasileiras, A Verdadeira Marmota, Publicador Maranhense e A Imprensa. Entretanto, ainda conforme esse autor, Maria Firmina foi vítima posteriormente de uma amnésia coletiva, ficando totalmente esquecidos o seu nome e a sua obra, mas, como a Fênix, ressurgiu também das cinzas. Graças a ele, Maria Firmina e a sua obra renascem.

Assim, Morais Filho, como um Sankofa - pássaro africano de duas cabeças - uma cabeça voltada para o passado e outra para o futuro, que, segundo a filosofia africana, significa a volta ao passado para ressignificar o presente, dedicou-se, incansavelmente, para dar novo significado à Maria Firmina dos Reis como mulher e como escritora, dando a ela o lugar que lhe é devido na Literatura Maranhense e Brasileira. Hoje, mas estudiosos se agregam a essa missão e a Academia Ludovicense de Letras-ALL, Casa de Maria Firmina dos Reis e o Instituto Histórico e Geográfico de Guimarães, que a tem também como Patrona, procuram consolidar o trabalho de Nascimento Morais filho.

No entanto, há muito ainda a pesquisar sobre Maria Firmina: a imagem, a paternidade, a idade com que foi viver em Guimarães, onde realizou os seus estudos que a habilitaram para concorrer a uma vaga à Cadeira de Primeiras Lettras do Sexo Feminino da Villa de Guimarães. Existe uma longa jornada à frente que necessita de muitas mãos e dedicação.

Mas essas interrogações só nos instigam a buscar respostas, a garimpar informações, enquanto isso não há como ser refutada a tese da grandiosidade da obra de Maria Firmina dos Reis, como já argumentei ao longo de vários trabalhos sobre ela. Só me resta louvar Maria Firmina que, a despeito de todas as condições e características adversas: mulata, pobre, bastarda, mulher, tudo isso em um Brasil escravocrata no século XIX. Ainda assim, com os mais admiráveis méritos, se estabelece reconhecidamente hoje, como uma das escritoras mais admiráveis de toda a Literatura Brasileira.

Dilercy Adler, Membro Fundador e Presidente (Biênio 2016-2017) da Academia Ludovicense de Letras – ALL

Presidente da Sociedade de Cultura Latina do Brasil - SCLB

Membro Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM

Membro da Diretoria da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – AJEB/MA (...)”.

 

Esta é Benedita Bormann.

E AGORA, ALGUMAS EXPLICAÇÕES:

O GRANDE ERRO: Piquenos, vamos tirar uma dúvida, ou seja, corrigir um erro. Vamos deixar de colocar a foto de Maria Firmina dos Reis como sendo da ilustre Maria Benedita Câmara Bormann, gaúcha de Porto Alegre, nascida em 25 de novembro de 1853, também conhecida pelo pseudônimo Délia. Ela foi uma cronista, romancista, contista e jornalista brasileira. Mas não é nossa Maria Firmina dos Reis.

Para que essa dúvida fosse dirimida, foram feitas 3 momentos na busca de chegar o mais perto possível da imagem física de Firmina, já que ela não deixou nenhum registro fotográfico. A primeira tentativa foi feita pelo escritor, poeta e pesquisador Nascimento de Moraes Filho, que encomendou um busto de Firmina para o escultor Flory Gama. A esse foi designado também que ele construísse poeticamente a imagem dela, conforme informações físicas recolhidas por estudiosos. O busto foi feito para as comemorações dos 150 anos de nascimento dela.

Depois, um artista mais moderno, usando técnica de 3D, chamado Daniel Jorge Silva, generalista, e de acordo com informações mais detalhadas de Maria Firmina, conseguiu construir uma nova imagem, mais perto da realidade oral. E mais agora, o artista Luzinei Araújo, também descreveu uma Maria Firmina, bem parecida com a imagem criada em 3D.

Com relação a esse mais novo quadro de Maria Firmina, feito por Luzinei Araújo, quem quiser pode conferir mais detalhes no link do vídeo que reproduzo e fala da construção dessa nova imagem dela: https://www.facebook.com/watch/?v=890645685057373

O BUSTO DE FIRMINA: O busto (foto menor)

A réplica (E) e o busto de Flory Gama.

é da época da comemoração dos 150 anos de nascimento de Maria Firmina dos Reis. José Nascimento Moraes Filho encomendou para o escultor Flory Gama, com base nos dados de Firmina descritos por Nascimento Morais Filho no seu livro:

“Maria Firmina dos Reis: fragmentos de uma vida”. Além desse busto tem um outro que a artista Marlene Barros fez,  (na foto, com Uimar), reproduzido com molde do busto original de Flory. A réplica de Marlene foi usada na feira do livro. E como Maria Firmina dos Reis é a patrona de Dilercy Adler, ela aproveitou também e encomendou uma outra réplica do busto para colocar na Galeria da Academia Ludovicense de Letras.

Existem, na verdade, duas réplicas. A da Academia Ludovicense de Letras, que está na AMEI e outra replica, que está na “U.I. Maria Firmina dos Reis”, no Bairro da Cohama, em São Luís-Maranhão.

DESFAZER ESSE INACEITÁVEL EQUÍVOCO : O que eu, a Mulher Babaçu realmente desejo é que acabe por definitivo esse grande equívoco nacional sobre Maria Firmina dos Reis. E que parem de trocar as imagens fotográficas dessa maranhense pela imagem da escritora gaúcha Maria Benedita Câmara Bormann, conhecida pelo pseudônimo de Délia.

Desta forma, os membros da Academia Ludovicense de Letras, especialmente a poeta e pesquisadora Dilercy Adler, não estão poupando esforços para desfazer esse inaceitável equívoco.

Certidão.

CERTIDÃO DE BATISMO O QUE CONFIRMA A DATA DE NASCIMENTO DE FIRMINA : Aparentemente resolvido a questão da foto, eu, a Mulher Babaçu, tento desfazer um segundo erro. As datas de nascimento de Maria Firmina dos Reis.

Foto de 2016 e o busto de Firmina.

Conforme consta nas fotos mostradas aqui, a Certidão de Batismo dá a data de nascimento como sendo de 11 de março de 1822, data que ficou então marcada também como o Dia da Mulher Maranhense. Em outra foto, mostro meu repórter Uimar Junior, em 2016, comemorando os 191 anos de Firmina no pé do seu pedestal, sem o busto de Maria Firmina, antes da reforma da Praça do Pantheon /Complexo Deodoro.

 

Abaixo, mostro um vídeo chamado de “Maria Firmina em Libras”, postado no Youtube.

Vídeo base retirado do canal - https://www.youtube.com/watch?v=BoHwr​... - Hewerton Souza

Tradução e interpretação para Libras: Cleudinea Paurá e Josiane Duarte.

Orientação: Profª Drª Heridan Guterres.

Disciplina: EStágio Curricular II - Ensino fundamental.

Curso: Letras/ Libras, Universidade Federal do Maranhão.

O VÍDEO:

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