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Mulher Babaçu fala do pavoroso incêndio do navio

Vídeo com depoimento do sobrevivente Apolônio Melônio.

21/03/2021 17h20 Atualizada há 3 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Mulher Babaçu/Pesquisas
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MULHER BABAÇU

Em tempo: Piquenos quero agradecer muito a todos pela leitura da Maria Firmina dos Reis e a todos os comentários . As críticas construtivas essências para fortificar sua memória. Babado forte até um amigo Engenheiro Arquiteto, Ronald Almeida, descobriu uma rua com o nome dela, numa homenagem feita em 1976. Vamos conhecer sim é só passar essa pandemia e nós vamos conhecer essa rua. No momento é para todos ficarem em casa. Quanto à coluna, ultrapassamos 1 mil acessos. Parabéns para todos nós. 

O PAVOROSO INCÊNCIO DO MARIA CELESTE

Fonte de pesquisa: Agenda Maranhão /google / walkeminia

Pintura de Telésforo Rego.

67 anos do incêndio do navio Maria Celeste.

Dia 16 de março de 2021 fez 67 anos do incêndio do navio Maria Celeste quando estava no Rio Anil, próximo à Avenida Beira-Mar, em São Luís. A pintura (foto) do incêndio é de autoria de Telésforo de Moraes Rego (1900-1962). Esse aplaudido pintor foi também fotógrafo, desenhista, caricaturista, cenógrafo, restaurador e professor.

O historiador Carlos de Lima o define como um artista que trabalhou com material variado. “Sobressaindo-se como aquarelista, com uma série de trabalhos retratando aspectos pitorescos de São Luís” 

O MARIA CELESTE

O navio Maria Celeste finalmente encalhou na lama do canal, na manhã do dia 19 de março de 1954, após queimar por três dias, deixando 16 mortos.

Até hoje não foi detectada a causa exata do incêndio. A mais difundida é que o fogo começou quando um cilindro de gasolina foi atingido por uma faísca, que havia saído do tambor de um guindaste enguiçado. Outra versão afirma que a fagulha se originou de uma falha elétrica.

Tragédia do navio "Maria Celeste".

A embarcação era de propriedade da Companhia de Navegação São Paulo, construído em 1944.

Um dos sobreviventes da tragédia foi Apolônio Melônio, cantador do bumba-meu-boi da Floresta, que faleceu no dia 02 de junho de 2015, aos 96 anos. Na época do incêndio, ele trabalhava como estivador.

Mestre Apolônio Melônio lembrando o acidente do Maria Celeste (Veja vídeo abaixo).

 

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 ACIDENTES ANTERIORES

Maria Celeste foi uma embarcação cargueira, de propriedade da Companhia de Navegação São Paulo, construída em 1944.  Já havia passado por dois acidentes. Na noite de 18 de agosto de 1949, colidiu com uma pedra na Ilha da Galé, em Santa Catarina, após deixar o porto de Florianópolis. Em 29 de agosto de 1952, por volta das 11h, colidiu com o navio Atlântico no canal de Setiá, na Lagoa dos Patos, no Rio Grande Sul. 

A HISTÓRIA E A FOTO

A imagem fotográfica mais difundida do incêndio do Maria Celeste é de autoria de fotógrafo Dreyfus Azoubel (1919-2002).

Azoubel foi homenageado, por toda a sua obra como repórter-fotográfico de grandes matutinos de São Luís, em 2019, na Feira do Livro de São Luís, e pelos seus 100 anos de nascimento. A viúva, Lourdinha Azoubel, em nome da família, honrada pela lembrança agradeceu a homenagem em comemoração ao centenário de nascimento do primeiro repórter fotográfico do Maranhão.

Foto clássica do incêndio do navio Maria Celeste, de autoria de Dreyfus Azoubel (1919-2002). Pensem nessa embarcação, em chamas e afundando, em uma área bem ao lado da Av. Beira-Mar, na São Luís de 1954. Muito movimentada.

UM POUCO DA HISTÓRIA

Maria Celeste foi uma embarcação cargueira, de propriedade da Companhia de Navegação São Paulo, construída em 1944, que sofreu grave acidente em 16 de março de 1954, no Rio Anil, nas proximidades do Palácio dos Leões, em São Luís, mais propriamente ao lado do Cais da Sagração. O navio foi atingido por um incêndio durante a operação de descarga de combustível.

EXCLUSIVO: o Manifesto do Navio e suas Especificações Técnicas.

O NAVIO

Maria Celeste

Carreira:  Bandeira da marinha que serviu

Construção: 1944

Estaleiro: Kane Shipbuilding Corp.

Estados Unidos, Galveston, Texas 

Armador(es): Companhia de Navegação São Paulo

Período de serviço 1944-1954

Destino: encalhou na lama da Baia de São Marcos, após incêndio.

Outro(s) nome(s): Y-106 (1944-1946)

Características gerais

Tipo de navio: Navio-tanque

Deslocamento: 1.030 t

Maquinário: 2 motores de 6 cilindros a diesel, 460 hp

Comprimento: 55,8 m

Boca: 9,1 m

Calado: 3,35 m

Propulsão: 2 hélices

Velocidade:  9 nós (16,7 km/h)

Armamento: 2 canhões de 20 mm (somente até 1945)

Tripulação: 23 tripulantes

Carga:  1.089 m³ (capacidade total).

 

DETALHE: antes de virar cargueiro, o navio Maria Celeste era um bólido de guerra. Por isso tinha essa sessão de armamento com 2 canhões de 20mm, retirados com a reforma que o transformou em cargueiro.

DEPOIMENTOS: Piquenos o acidente foi uma tragédia para a pacata cidade de São Luís. A mãe do meu repórter Uimar Jr., senhora Nair da Gama, nascida em 1927, contou que tinha, na época, 27 anos e morava no centro. Escutou vários barulhos. Chegou a sair na rua, quando viu um objeto preto no céu que subia e descia. Mas não sabia o que era. Só após o marido chegar, que ficou sabendo. Ele contou para ela que eram barris de gasolina que explodiam e subiam metros e depois caiam nas águas, em chamas. Cenas horríveis.

Já meu amigo Mhario Lincoln tem uma história bem dramática para contar. A mãe dele, nossa querida Flor de Lys, nessa hora, estava entrando no Palácio dos Leões que fica bem próximo de onde o Maria Celeste estava fundeado. Ela estava grávida do filho Mhario Lincoln. Foi nesse momento que houve a primeira explosão, estilhaçando parte das vidraças da fachada do Palácio dos Leões o que a fez ser jogada ao chão. Atendida por amigo foi levado às pressas para o Hospital e lá ficou constatado que houve um deslocamento do bebê e que ela deveria ficar hospitalizada por uns dias. Assim, Mhario acabou nascendo no dia 27 de março; e não, em 03 ou 04 de abril como anteriormente pensado.

Apolônio Melônio, foto atual.

DEPOIMENTO ACERCA DE SOBREVIVENTES

Meu pai, Claudionor Cândido, era taifeiro nesse navio. Do que já ouvi dele, o acidente ocorreu a partir de um problema elétrico junto ao mastro principal, e havia um carregamento de combustível (querosene e gasolina de aviação) no convés do navio, muitos galões acondicionados neste local. Um deles apresentou um vazamento que não foi percebido pela equipe de manutenção e uma possível faísca provocada por algum curto, teria deflagrado o incêndio que devorou o navio.

Os momentos que se sucederam foram de muita angústia e desespero. Nesse navio estava também um irmão de meu pai, José Cândido.

Percebendo a gravidade da situação os dois foram para a popa do navio e se lançaram ao mar nadando para alcançar as embarcações que buscavam resgatar os náufragos. Uma grande dificuldade das equipes de resgate (barqueiros voluntários que tentavam chegar na embarcação em chamas) era a cortina de fumaça e chamas no mar, provocada pela queima do combustível na superfície do mar.

As explosões dos barris no convés faziam com que estes decolassem como foguetes e ao caírem no mar provocavam grandes poças de combustível em chamas. Os náufragos necessitavam nadar entre as “poças de combustível” em chamas e muitos morreram por serem atingidos pelos barris ou por serem envolvidos nas ilhas de fogo provocadas pelo combustível que flutuava em chamas. O acidente ocorreu a pouco mais de 500 metros do muro da Beira-Mar, mas o número de vítimas fatais foi alto. Meu pai e seu irmão foram resgatados por uma pequena embarcação. Meu tio, por ter mais vigor e mais capacidade de natação, muito ajudou a meu pai com palavras de estímulos isso foi decisivo para que hoje pudéssemos relembrar episódio tão marcante na vida dos dois.

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MULHER BABAÇU pergunta: e você tem alguma história viva para me contar??? Conta aqui em baixo, nos comentários.

Beijos de leite babaçu.

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Sobre MULHER BABAÇU
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