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Mulher Babaçu especial: 30 anos da Coletiva de Maio. O ano da glória de Uimar Junior

Entretenimento.

30/05/2021 16h46 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Mulher Babaçu
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Saibam todos meus leitores. Hoje minha coluna é toda para homenagear meu repórter Uimar Junior, o grande vencedor da Coletiva de Maio/1991, em São Luís Maranhão no belíssimo Convento das Mercês, da Fundação, idealizada pela Fundação da Memória Republicana e Universidade Federal do Maranhão, onde o próprio e grandioso e poderoso José Sarney, bem pertinho de Uimar, quando da entrega do prêmio, chegou a dizer: "sinto-me como na Semana de Arte Moderna". E Sarney estava certíssimo. Então meus piquenos, só pra dar uma de mulher culta, tô lembrando que a Semana de Arte Moderna foi uma manifestação artístico-cultural que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo entre os dias 13 a 18 de fevereiro de 1922. O evento reuniu diversas apresentações de dança, música, recital de poesias, exposição de obras - pintura e escultura - e palestras. Os artistas envolvidos propunham uma nova visão de arte, a partir de uma estética inovadora inspirada nas vanguardas europeias. Juntos, eles visavam uma renovação social e artística no país e que foi deflagrada pela "Semana de 22".

Performance premiada.

Mas, olha só o babado que Uimar Jr. conta, quando da discussão sobre a 'pasta d'água' que ele usou em sua primeira apresentação vitoriosa na Coletiva de Maio, em São Luís. Vou dar logo um 'spoiller'. Ele tinha que usar algo moderno para não privar os poros de seu corpo de respirar. Se não ele corria risco de vida. 

Com a palavra, o vencedor Uimar Jr. meu repórter:

CONCEPÇÃO, CRIAÇÃO E APRESENTAÇÃO TEATRAL DA ESCULTURA VIVA.

(*) Uimar Junior

Vou contar como surgiu a ideia de fazer a ESCULTURA VIVA. Primeiro, eu sempre fui louco por esculturas e, por meio de um estudo que fiz, as que me chamavam mais atenção eram aquelas em que os escultores da antiguidade retratavam a nudez. Eu nunca havia pensado em retratar uma. Mas por que elas me chamavam tanta atenção?? Hummm...

Um dia fui assistir ao espetáculo “ABC da Cultura Maranhense”, de Aldo Leite e nela havia bustos maquiados por Miguel Veiga. Em um dos espetáculos, cheguei até a fazer figuração e observando os bustos, fiquei pensando: será que se eu usasse essa maquiagem no corpo inteiro para fazer uma escultura de umas dessas que havia visto nos livros, eu conseguiria?

Uimar Jr. na Revista VEJA.

Comecei a observar. A maquiagem que Miguel usava era uma base e depois, era aplicada uma pasta ou pigmentação que não sabia ainda qual era. Bem... a ideia ficou só na imaginação. 

Em 1991, fui ao Convento das Mercês e lá encontrei Euclides Moreira Neto, que me avisou: “Uimar, vai acontecer a Coletiva de Maio. Venha fazer alguma coisa!” E eu, na mesma hora, respondi: Venho sim! A escultura veio imediatamente ao meu pensamento. Vou fazer uma Escultura Viva! Ele gostou da ideia: Que legal! Quando ele já estava se distanciando, chamei-o de volta e disse: Tem um “porém”. Vou fazer nu. Ele sorriu e bateu a mão: Vem!

Na verdade, Euclides não deu muito crédito ao que eu tinha dito. Na mesma hora, corri para casa e fui pesquisar qual escultura eu poderia retratar nu. Qual seria?? Depois desisti e conclui melhor nenhuma ou representar todos. O nu, antigamente, segundo os escultores, tinha uma conotação religiosa. Quanto mais puros, mais perto dos Deuses; assim como os seminus, semipuros. Bem... aí a preocupação agora era com a maquiagem. Como me pintar por completo sem ter problemas com a respiração da pele? Será que vai tapar meus poros? Preciso procurar um material que não seja a base normal para pintar o corpo inteiro. Lembrei da Dra. Márcia, da Facial (nos conhecemos há trinta anos). Expliquei tudo o que eu pretendia fazer. Ela me garantiu que a pasta d’água não taparia meus poros; ainda assim, fiquei com medo. Corri para casa e comecei a experimentar aos poucos. Passava nos braços e nas pernas... e ficava um bom tempo para ver se não sentia nada, até que um dia fui comprar mais pasta d’água e passei no corpo inteiro. Antes, no cabelo eu passava goma ou gel. Fiquei pintado umas duas horas e nada senti. Isso eu fazia perto do chuveiro né? Porque se eu sentisse qualquer mal, correria para debaixo dele.

Bem... estava comprovado que a pasta d’água não me fazia mal, realmente. O dia da exposição ia se aproximando e a ansiedade aumentava. Pensava: meu Deus, o que será de mim? Ou decolo com minha carreira ou vou destruir de vez! Qual seria a reação do público? Muita tensão junta: Medo de a maquiagem fazer mal, pois iria pintar o corpo inteiro e medo da não aceitação do público.

Jornais de São Luís/91

Sim, chegou o dia. Falei com Miguel Veiga, pois ele estaria ali também com um trabalho próprio. Perguntei se ele poderia me ajudar, pois eu estava muito nervoso e não ia conseguir pintar a parte de trás e, assim, ele prontamente me ajudou. Nunca pensei que diante de tanta pesquisa, concepção e criação, fiz errado em não agradecer a ele, na época. Deu tudo certo e fui o premiado com aclamação popular com mais de mil votos. A maquiagem usada era a pasta d'água, anilina comestível e, aplicada superficialmente, purpurina, jogada nas partes mais altas da anatomia do corpo. A partir dessa apresentação na Coletiva de Maio, recebi muitos convites e como não tinha como levar nenhum acompanhante, eu me virava sozinho para fazer toda a maquiagem corporal, mas sempre aparecia alguém para ajudar. Com o convite do MAM (Museu de Arte Moderna) do RJ, pude levar um auxiliar, que foi o finado Sergio Fontenele. Há alguns anos, contei essa história e o Miguel me agradeceu por ter lembrado dele.

Hoje me aposentei da Escultura Viva, mas este feito possibilitou tornar-me o pioneiro do estatuísmo no Brasil. Tenho muito orgulho de ter recebido o convite para fazer parte da Academia Poética Brasileira, onde ocupo a Cadeira 23, o que tem aberto muitas portas para mim.

Reprodução.
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Matéria abaixo foi publicada em O IMPARCIAL, diário de São Luís-MA/2021.

Links das reportagens de TV, sobre os 30 anos da Coletiva de Maio:

Coletiva de Maio completa 30 anos de arte no Maranhão

Exibição em 29 maio 2021

"Evento que acontecia no Convento das Mercês revelou artistas maranhenses para todo o país".

https://globoplay.globo.com/v/9557546/

 

 

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