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Texto inédito do prof. Natalino Salgado Filho: "A Arte e a inspiração de novos cientistas"

Acredito que um país com tantas expertises pode voltar a sonhar novos cientistas.

26/09/2021 19h00 Atualizada há 5 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Natalino Salgado Filho
Capa com o prof. Natalino Fº
Capa com o prof. Natalino Fº

Destaco o cinema como um meio de inspiração para aprender a tornar o mundo melhor. Na maratona dos streamings, deparei-me com o tocante filme “O menino que descobriu o vento”, estrelado por Maxwell Simba, Aïssa Maïga e Chiwetel Ejiofor, que também é o diretor. O longa é emocionante e inspirador sob diversos aspectos, mas em especial por ser baseado numa história verídica: a de William KamKwamba, um menino que viu solução quando todos a seu redor só viam problemas, numa pequena aldeia, no interior do Malaui, na África. 

Determinado a estudar, ele não se abateu com as dificuldades financeiras que assolavam sua casa. A seca e a pobreza eram dois elementos cotidianos e com elas, a fome. Não estou exaltando essas circunstâncias – pelo contrário, lamento e muito – mas quero ressaltar a coragem do garoto e sua genialidade em descobrir do lixão uma alternativa para resolver um problema que parece insolúvel. Ele desenvolveu um moinho de vento capaz de bombear água e, assim, evitar que as plantações morressem. E tudo isso foi possível, graças à paixão pela ciência.

Hoje, William KamKwamba é bacharel em estudos ambientais e especializou-se em Engenharia pela faculdade Dartmouth College, nos Estados Unidos. Ele inspira garotos mundo afora e decidiu que a experiência de sucesso vivida seja também prática. Por meio de uma organização sem fins lucrativos chamada WiderNet, disponibiliza ideias simples para serem concretizadas na área da inovação e tecnologia.

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O filme é mais uma prova do que ela, a ciência, é capaz de fazer para mudar vidas e destinos de uma comunidade inteira. E mais ainda quando encontra discípulos devotados entre os jovens que, em tese, possuem muito mais anos e tempo de qualidade para dedicar à causa escolhida. A ciência não depende de convicções religiosas, políticas, raciais. Pelo contrário, ela atravessa soberana por cima de todos esses elementos e floresce, quando cultivada num solo fértil de incentivo.

Como pesquisador apaixonado, nada mais me alegra do que ver o brilho nos olhos daqueles que também abraçam a ciência como uma de suas norteadoras, na vida, a despeito das dificuldades com as quais se deparem. E é por causa dessa tenacidade que, de acordo com os dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, mantemo-nos como o 13º maior produtor de conhecimento científico ao redor do planeta. No período de 2015-2020, mais de 370 mil trabalhos foram publicados em revistas internacionais, de acordo com dados recentes.

Relatório de ciências da Unesco, divulgado em junho, comprovou que são investidos menos de 1% de seu PIB em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), em 80% dos países. Nesse quesito, o Brasil investe 1,15%. Sim, eu sei que precisamos avançar. E muito. A começar por despertar vocacionados desde a mais tenra idade, possibilitando experiências e vivências, na área, as quais poderão influenciar na tomada de decisões políticas, para que o cenário mude radicalmente. Acredito que um país que já legou ao mundo tantas expertises pode voltar a sonhar com novas descobertas e novos cientistas. E que eles também encontrem inspiração para a ciência por meio da arte.

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Natalino Salgado Filho

Médico Nefrologista, Reitor da UFMA, Titular da Academia Nacional de Medicina, Academia de Letras do MA e da Academia Maranhense de Medicina.

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Antonio Há 5 anos atrásSão LuisOs textos de Natalino Salgado, sempre são bem construídos. Um grande escritor do Maranhão!
Leila NascimentoHá 5 anos atrásSão Luís Do Maranhão BrasilBravo professor Natalino, amigo de infância. Penso, que assim posso referir-me dentre outros orgulhos que temos de você. A arte,é expressão e condução da vida, como também mutiplicadora de ideias, pensamentos e ações. Obrigada, pelo seu trabalho e valorização da cultura e da ciência. Abraços,Leila Nascimento.
Antonio Guimarães de Oliveira Há 5 anos atrásSão LuisDoutor Natalino Salgado, um grande médico, literato, lente, e cientista do Maranhão. Através de sua pena e lavra, escreve livros marcantes... Um grande escritor do Maranhão!
Anely Guimarães SantosHá 5 anos atrásBrasilia DFProfessor Natalino, parabéns pelo conteúdo do texto. Fui professora da UFMA, na década de 70. Gostaria de ter sua autorização para divulgá-lo, na minha página do Facebook.
Jandira RaferHá 5 anos atráspARNAIBA piA diferença é pequena. Mas já é importante: Relatório de ciências da Unesco, divulgado em junho, comprovou que são investidos menos de 1% de seu PIB em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), em 80% dos países.
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