DÉFICIT DE ATENÇÃO
Joema Carvalho
O moleque voltou da escola com um bilhete da professora que comunicava que o filho de uma mãe, durante a excursão, havia feito um gesto obsceno com o dedo para um caminhoneiro.
Aquela mãe já estava traumatizada devido as frequências de comunicados da escola sobre o filho dela, durante o primeiro ano escolar do ensino fundamental. Todo dia a mesma frase, escrita com as mesmas palavras, por diferentes professores: “O seu filho tem déficit de atenção”.
Questionou para o filho se o gesto obsceno era verdade. Disse que não. Aquela mãe ficou confusa. Sabia que havia algo a mais. Ligou para a mãe de outro moleque da turma. Esta mãe a recebeu com acolhimento e questionou para o filho dela se o ocorrido era fato. Ele confirmou.
A mãe ficou transtornada. Pouco pelo ocorrido, demais pela mentira. Ficou muito brava com a criança, expondo a questão.
No dia seguinte, o filho chega, de forma tímida.
- Mãe... eu imitei a Família Buscapé, cumprimentando as pessoas quando chegaram em Nova York.
.....
“Déficit de atenção”! Motivo da escola ter solicitado terapia para uma criança de seis anos. Retorno da psicóloga: “O que vocês estão fazendo aqui?”. Situação recorrente com filhos de amigos. Escolas recomendando psicólogas para doparem crianças com ritalina para facilitar a “adestração”.
Optou-se por retirar a criança da escola. O CNPJ de ensino chamou para uma reunião. Não aceitou o fato dos pais não terem renovado a matrícula. A diretora expos suas considerações. A criança era réu, incapaz e delinquente. Naquele cenário, a professora era um ser submisso à diretora, proprietária do CNPJ de ensino. Muda. A cessão reunião forá encerrada.
De forma delicada, aquela mãe colocou que se foram chamados para uma reunião, ela também faria as suas considerações. Fora enxotada pela diretora proprietária do CNPJ de ensino: “Você é doutora em outra coisa, não em educação!”
Os bons costumes e aparências sociais desaguaram no lodo de ignorâncias e vaidades. Carteiras e regentes dispostos conforme no século XVIII. Crise hídrica de ensino, moral, ética e cívica refletem o desejo do oprimido em manter a sua rotina. Déficit de atenção de quem fica.
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