Editoria de Cultura da Plataforma Nacional do Facetubes
O São João do Maranhão chega a julho sem perder sua função central na vida cultural do Estado. A programaçãotem na pauta mais de 700 atrações (no todo, 70 dias de festa) e 25 arraiais oficiais, confirmando que o ciclo junino maranhense não cabe no calendário estreito de junho. Ele se estende como rito, economia, fé, memória e ocupação de espaços públicos, levando bumba meu boi, tambor de crioula, cacuriá, quadrilhas, dança portuguesa, forró pé de serra e grupos populares a bairros, arraiais e ao Centro Histórico de São Luís.
No Centro Histórico, o projeto Caminhos da Cultura mantém viva a presença das manifestações juninas na Praia Grande e em outros pontos de circulação cultural. A ocupação desses espaços tem sentido que ultrapassa a festa. A cidade antiga, reconhecida por seu valor histórico, volta a receber os sotaques do boi, os tambores, as matracas, os pandeirões, as fitas, as indumentárias e os cortejos que fazem do Maranhão um território de criação coletiva. O patrimônio material da capital encontra o patrimônio imaterial que caminha, canta, dança e reúne.
O bumba meu boi é o núcleo simbólico desse processo. A manifestação, inscrita pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, não aparece apenas como atração de palco. Ela organiza linhagens, promessas, devoções, oficinas, costuras, bordados, ensaios, batismos e encontros comunitários. Cada grupo carrega história própria. Cada sotaque revela uma maneira de narrar o Maranhão. Zabumba, matraca, baixada, orquestra e costa de mão não são apenas classificações musicais. São formas de memória social.
A escala da programação também revela o peso econômico do ciclo junino. Arraiais movimentam artistas, brincantes, costureiras, bordadeiras, comerciantes, técnicos, músicos, produtores, vendedores de comidas típicas, transporte, hospedagem e turismo. O São João maranhense alimenta uma cadeia de trabalho que nasce nas comunidades e alcança a cidade.
Assim, o valor do São João do Maranhão está nessa combinação entre rito e rua. A brincadeira nasce de uma estrutura comunitária, atravessa promessas e devoções, ganha corpo nas noites de apresentação e retorna à vida cotidiana dos grupos. Não se trata de espetáculo isolado. Trata-se de uma gramática cultural que envolve fé, arte, oralidade, música, dança, indumentária, culinária, trabalho e transmissão entre gerações.
Em 2026, a continuidade da programação neste julho reafirma que o Maranhão folclórico não vive de lembrança. Vive de prática. O que se vê nos arraiais é uma cultura em movimento, com suas matracas, tambores, vozes, couros, bordados e personagens. O boi maranhense segue atravessando o tempo como uma das formas mais fortes de o Brasil reconhecer sua própria diversidade.
C/ estagiários de Comunicação Social convidados pela Plataforma Nacional do Facetubes.
*****
Vídeo-Bônus
Homenagem a Coxinho
Colunistas FT ESPECIAL: “Evoluímos quando enxergamos além dos reflexos”. Por Sharlene Serra
Convidados FT Textos escolhidos: “Um dia o espelho me chamou de Macabéa”, por Vitória Duarte
NÚMEROS do SJ São João movimenta no Nordeste bilhões de reais, fora do eixo tradicional do turismo
ESPECIAL 4 ANOS “Cordel: quando o futuro aprende com as raízes”, por Esmeralda Costa
Literatura Grandes escritores não nascem prontos: leitura, disciplina e revisão moldam a literatura duradoura
VITÓRIA DE JOEMA A glória da imortal Joema Carvalho (APB-PR) em integrar importante publicação nacional Mín. 15° Máx. 24°
Mín. 11° Máx. 18°
Chuvas esparsasMín. 10° Máx. 11°
Tempo nublado
Coluna de Sharlene Serra ESPECIAL: “Evoluímos quando enxergamos além dos reflexos”. Por Sharlene Serra
Poeta e escritora maranhense VITÓRIA DUARTE Textos escolhidos: “Um dia o espelho me chamou de Macabéa”, por Vitória Duarte
O Mundo Digital do Antes e do Depois “Fenomenologia do Espírito”: Hegel, o pensador da consciência em movimento
A LINGUAGEM DA INTERNET Por que os filhos tem odiado tantos os pais? Há uma razão para isso?