A REVISTA PANORAMA, primeira tentativa real de tirar uma publicação de variedades, da ‘mesmice’ da época.
*Mhario Lincoln
Com toda certeza tiro o chapéu para jornalista Luís Guterres (ou o advogado Luís Augusto de Miranda Guterres), esse maranhense que conseguiu publicar e dirigir a revista de variedades “Panorama”, com uma visão futurista que impressiona até nossos dias.
A começar, pela diagramação. Ele tentou sair daquela coisa quadrada, própria das esquadrias de ferro, usadas para diagramar (ou montar) os linotipos (avançados) para a época.
A verdade é que olhando as capas dessas publicações vislumbrei rapidamente a primeira tentativa de um veículo de comunicação em São Luís, de ‘virar a mesa’ e fazer uma capa de forma mais moderna que o momento requeria. (Veja acima, na foto da chamada, a ilustração em duas cores e recortes das fotografias, coisas difíceis de fazer, pois as fotos eram feitas através do processo de ‘clichê’).
Então, trabalhar fotografias, recortes, sombreamento ou quaisquer outros tipos de efeitos, seria praticamente impossível. Mas Guterres, com inteligência e visão de futuro, acabou fazendo e tornando a revista “Panorama” um produto futurista.
Na época, entre 1952/53, as revistas internacionais que eram distribuídas pelo Brasil, tinham este mesmo estilo futurista de brincar com a imagem e com as letras de forma a tornar mais agradável a leitura para atrair o leitor.
Esse foi o mesmo olhar de Guterres com relação ao novo formato de revistas. Ele acompanhou uma transformação sistemática das lides impressas no Brasil, inserindo São Luís no contexto das produções modernas do produto impresso.
Vale lembrar aqui, da evolução da mídia brasileira. Muitas vezes isso se dava mais rápido no sul do país, haja vista a relação direta com o desenvolvimento das economias e das sociedades à sua volta. Dessa forma – acompanhar isso em São Luís – requeria muito mais espírito empreendedor e muita coragem. Na região nordeste, as coisas ainda pulsavam de forma mais quieta, quando os assuntos eram livros, revistas e jornais. Infelizmente, ainda não contextualizados com a vanguarda sulista.
Portanto, o empreendedorismo e a coragem foram os dois fatores que tornaram a revista “Panorama”, editada em São Luís pelo jornalista Luís Augusto Miranda Guterres, algo um pouco além de seu tempo, modificando alguns segmentos regionais como a própria cultura da informação e a maneira como os próprio “reclames” passaram a ser entronizados.
A verdade é que, enquanto durou, a revista “Panorama”, essa mostrou evolução rápida, responsável, com uma linha editorial diretamente ligada à liberdade de expressão artística e cultural, fato que contribuiu diretamente para as grandes mudanças político-sociais do Maranhão, nesse setor da informação.
Parabéns, portanto à criatividade e visão futurista do jornalista Luís Guterres por deixar na história da imprensa do Maranhão, que acabou de completar 200 anos, uma marca indelével de qualidade e responsabilidade, públicas.
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