#NÓS!
'AOS DOMINGOS'
*Mhario Lincoln
Poetas Jeff Kaibers e Vander Piaia e suas obras
QUASE HEREGE/POESIA LIVRE
Vander Piaia me envia de Cascavel, oeste do Paraná, seu livro de contos "Quase Herege", reunindo 25 trabalhos que variam entre vicissitudes e glórias. Vou ler com bastante carinho e resenhá-lo depois. Num passar d'olhos já descobri coisas bastante interessantes. quero agradecer também, outra pérola que me foi enviada de Cascavel-PR pelo poeta Jeff Kaibers, em originalíssima embalagem. Seu livro "Poesia Livre". Como se vê, o oeste paranaense está cheio de grandes nomes da nossa literatura. Lá, a Academia Poética Brasileira tem sua representante, Carmen Regina Dias, vice-presidente regional da APB/PR, pessoa importantíssima na interação artística do sul do Brasil.
CARDÁPIO MUSICADO
Chiquinho e Marilena França nos receberam para almoço, eu e Wellington Reis, num desses dias incríveis que passei em São Luís-MA. Wellington levou duas delícias da culinária maranhense: "Pescada Amarela com Molho de Camarão" e "Sururu no Leite de Côco". Não precisa nem elogiar Wellington por essa 'sustança', servida antes de entrarmos no estúdio para colocar as últimas vozes na música "Flor de Açucena", nossa parceria, e interpretada pelo grande Erasmo Dibell, pérola da MPB. Aliás, vale relembrar o "Sotaque Maranhense na Arte de Cozinhar", de Wellington e Ignácio. Siga o link: https://www.facetubes.com.br/noticia/2448/vale-replay-wellington-reis-abocanha-um-dos-principais-premios-mundiais-com-qsotaque-maranhense-na-arte-de-cozinharq). E tem mais. Eu saí de lá com uma outra preciosidade: o primeiro LP gravado por Chiquinho França, em 1993 (foto). Então, como posso esquecer esses parceiros e amigos? Nunca!
LIVROS DE CABECEIRA
Desde garoto, costumo ter dois livros na cabeceira, ao mesmo tempo. Desta feita, começo a ler "Tempo Fragmentado em Memórias", de José Neres, algo como documentos literários fantásticos, elaborados durante o período pandêmico, onde ele, de forma carinhosa, oferece cada crônica a um amigo ou admirador. Às páginas iniciais, um lembrete: "Daqui a alguns anos, quando o momento presente for apenas uma longínqua lembrança ou uma nota de rodapé no livro da história da vida, talvez alguém encontre uma pausa em seus afazeres e se pergunte: o que eu fiz durante a pandemia iniciada em 2020? Muitas respostas virão (...)". E eu vou em busca dessas respostas.
Outro livro na minha cabeceira este mês: "Os Diários de Virgínia Woolf (Seleção entre 1897 a 1941). Fiquei assustado ao ler a resenha, porque é incomum que pessoas afortunadas da literatura mundial escrevam relatos tão pessoais. Relatos íntimos, que, mesmo assim, não deixam de mostrar a digital do talento que essas possuem. É clara a sensibilidade de Woolf aos papéis de gênero, especialmente numa referência a alta sociedade inglesa. No fundo, esses diários, escritos com experimentação estilística de significativa importância, além de mostrar seus demônios pessoais, exemplificam a vivência feminina, no contexto ideológico de hoje. Então, se deveria considerar, esse, um trabalho profético, sem dúvida.
JOEMA CARVALHO
Recebo da colaboradora do www.facetubes.com.br poeta e escritora Joema Carvalho (APB/PR), a seguinte observação acerca da Semana de 22: "Platão, Nietzsche, Goethe, Throreau, possivelmente, conversariam muito bem com Tarsila, Anita, Oswald, Mario, Raul. Todos são eternamente novos. A conexão entre o movimento dos sons, palavras, vegetação, elementos da terra, música e cor, sem dúvida, dita as nossas regras. Precisamos de outra Semana de Arte Moderna", diz Joema. Muito bom, na mosca!
E POR FALAR EM 1922...
À propósito do que se está falando tanto sobre a Semana de Arte Moderna de 22, apenas cito alguns manifestos tão necessários para entender um pouco mais:"Poesia Pau-Brasil, de 1924", e "Antropofágico", de 1928, além, claro, do romance experimental "Memórias Sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande", de 1933. então, que se faça justiça ao talento criador de Oswald de Andrade.
O MODERNISTA MONET
Edouard Monet, modernista francês, foi muito criticado em sua época, mesmo que suas obras tenham inspirado gerações de artistas. Mas existem alguns segredos que conto agora: o pai queria que ele fosse marinheiro e fez provas num navio-escola, cuja rota aportava no Rio de Janeiro. Reprovado, foi morar em Paris. Estabelecido na Cidade Luz, ele pintou "Almoço na Relva", que vale milhões de euros. Mas o juri do Salão de Artes de 1863, achou a obra-prima de Monet despudorada e assustadoramente mundana. Monet gostava de pintar motivos espanhóis. Vestia seus modelos e dava-lhes adereços andaluzes. Outro detalhe, mesmo que sua arte fosse 'impressionista', ele nunca participou de nenhum salão desse gênero. Há quem atribua a Monet um lado mais sentimental, como no quadro "Um bar no Folies-Begére", de 1882.
ANÁLISE DA CENA: o lado Eros da Filosofia
Na tela, a prostituta mais requintada e o filósofo do prazer: uma convivência agradável. "No encontro com Lais, define-se o ponto filosófico mais sério para um hedonista, especialmente para o primeiro deles: como viver a investida do eros. Aristipo de Cirene apresenta aqui um sério afastamento de Sócrates, seu professor. Não é inibido pelos perigos do eros nem o conecta ao verdadeiro conhecimento. Ao contrário, adere à filia, ao amor brincalhão e amigável, à brincadeira mamífera, livre de possessão e êxtase, em que os corpos se conhecem. E as hetairas formavam um grupo feminino economicamente independente e politicamente influente? Havia sem dúvida hetairas muito bem-sucedidas, aliás a própria Laís. Mas mesmo com independência financeira, sofisticação cultural e influência política, suas posições normalmente seriam muito menos elegantes e muito mais precárias." (Adán Méndez.). Fica o mote para quem quiser analisar esta cena, como o fez o crítico Adán Mendéz, na revista "Santiago". Aliás, essa publicação chilena me despertou muito interesse.
BÔNUS sobre MONET:
Imagem: Sotheby’s
Cinco pinturas de Monet podem alcançar 50 milhões de dólares na Sotheby’s
Pertencentes à mesma coleção de um estadunidense, as cinco obras estão avaliadas coletivamente em 35 milhões de libras (ou 50 milhões de dólares) e serão colocadas à venda no dia 02 de março, em Londres. O interesse renovado nas obras do mestre impressionista, assim como o recente aumento em seus preços, se deve sobretudo à grande demanda no mercado asiático.
Entre os trabalhos do grupo estão Massif de chrystanthèmes, uma pintura de crisântemos feita em 1987, avaliada entre US$ 13.6 e 20 milhões. Outra pintura indo para o leilão é Les Demoiselles de Giverny. Estimada entre US$ 20 e 27 milhões, a pintura representa uma cena de paisagem nebulosa mostrando um campo de palheiros e foi feita entre 1892 e 1893. A terceira e quarta obra são pinturas com paisagens à beira d’água: Glaçons, environs de Bennecourt (1892-93), estimada entre US$ 6.8 e 9.5 milhões, mostrando o rio Sena no inverno; e Sur la falaise près de Dieppe, soleil couchant (1897), apresentando a costa da Normandia e com estimativa entre US$ 4.8 e 6.8 milhões de dólares. A última pintura é uma natureza morta, chamada Prunes et Abricots (1882-85), estimada entre US$ 1.6 milhões e 2.5 milhões.
Todas as pinturas estarão em exposição pública na Sotheby’s em Nova Iorque, Hong Kong e Taipei antes de chegarem, no dia 02 de março, ao local do leilão em Londres.
PARA QUEM QUER MAIS, além da mídia
Aqui está uma rápida lista de livros que fogem à mesmice:
"Retratos da Quarentena": em tempos de pandemia, a arte se tornou um objeto essencial para expressar sentimentos e entrar em contato com o mundo exterior. O livro possui nove contos, cada um escrito por uma autora diferente, trazendo reflexões a respeito do isolamento social.
"Trânsito": para quem já terminou um relacionamento duradouro e passou pela fase de adaptação das novas rotinas práticas e sociais advindas desse final.
"Um homem só": um dos maiores clássicos da literatura LGBT, publicado pela primeira vez em 1964, e nesse ano ganhou nova tradução pela 'Companhia das Letras'. A história é do protagonista George, de cinquenta anos, que perdeu o marido em um acidente de trânsito. A partir desse insight trágico, o leitor acompanha a rotina do professor, desde seu café matutino e relações com os vizinhos até o fim da noite. A jornada envolve uma amiga Charley, suas aulas e até um encontro fortuito com um aluno.
"Morto Não Fala e Outros Segredos": o livro é do jornalista e cronista policial Marco de Castro. Nele, há uma forte denúncia de racismo, imoralidades e a violência da cidade de São Paulo em diferentes histórias de horror. Duas delas foram adaptadas para as telonas com os títulos Ninjas, curta-metragem de 2010, e Morto Não Fala, de 2019, ambos do diretor Dennison Ramalho.
UM PADRE FILÓSOFO
O que há de extraordinário ou porque está tão atual o pensamento do padre dominicano que viveu no distante século XIII, São Tomás de Aquino? Por que continua um interlocutor sábio e contemporâneo, autor de momentos filosóficos perenes? Será que foi sempre verdadeiro em suas ideias, abdicando de toda vaidade, de toda prepotência, muito comum em seus pares, de ontem e hoje?
Na verdade, Aquino teve o extraordinário poder de acolher e ordenar tudo o que é verdadeiro, venha de onde vier, esteja onde estiver. Não por complacência, mas em virtude de sua personalidade.
Por essa razão, a Fundação Biblioteca Nacional disponibiliza um artigo do suplemento literário do Estado de São Paulo, escrito em 27 de julho de 1980, por Pedro Secondi, professor da Universidade Santa Úrsula, sobre São Tomaz de Aquino. Vale muito ler. (Siga o link: http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=098116x&pagfis=9056).
"Sobre os Prazeres - Comentário ao Décimo Livro da Ética de Aristóteles" (foto), vale relembrar: São Tomás de Aquino foi um dos grandes libertadores do intelecto humano, dizia G. K. Chesterton. E basta olharmos a inumerável quantidade de assuntos tratados pelo 'Doutor Angélico', desde temas filosóficos, até as mais complexas contemplações teológicas, e teremos diante de nós um colossal monumento em honra da inteligência humana.
MODELOS DE PRIMEIRA LINHA
O que é ser modelo? Um padrão de beleza geralmente encontrado em mulheres brancas e de etnias muito específicas? A VOGUE britânica acha que não. Por isso tenta desaculturar essa ideia, mostrando em uma edição mais que especial, uma nova geração de modelos africanas, do Senegal a Ruanda, do Sudão do Sul, à Nigéria e à Etiópia. Para uma indústria há muito criticada por sua falta de diversidade nessa área, bem como por perpetuar padrões de beleza vistos através de lentes eurocêntricas, essa mudança é importante. Pensa assim, a nova Vogue britânica. De acordo com o site (uol.com.br), "predominantemente eurocêntrica e branca, a indústria da moda vem sofrendo crescentes pressões para se tornar mais diversa. No entanto, boa parte dos aparentes esforços para incluir representatividade em trabalhos, ainda é permeado pelo chamado tokenismo (com apenas uma ou duas modelos negras simbólicas", confessa o editor-chefe da publicação, Edward Enninful, um cidadão britânico nascido em Gana".
NATINHO FÊNIX
Em novas edições, "As aventuras de uma Gotinha D'água" e "O Gatinho que não sabia miar". Vendas: Livrarias Mundo de Sofia no Shopping da Ilha e Gold, em São Luís-MA. Trabalhos premiados pela crítica. Vale, portanto, valorizar o autor maranhense e independente, além do valioso 'Projeto Ler'. Parabéns Natinho Costa Fênix, meu amigo e irmão!
Para ler mais sobre esse escritor maranhense, basta seguir o link: "Brasil/LITERATURA FABULOSA/A literatura Infantil de Josué Montelo, na pauta do escritor maranhense Natinho Costa Fênix" (https://www.facetubes.com.br/noticia/1169/a-literatura-infantil-de-josue-montelo-na-pauta-do-escritor-maranhense-natinho-costa-fenix).
DO LIVRO "A BULA DOS 7 PECADOS"
TRÊS CICLOS DE SETE VIDAS
CICLO UM
Todos os dias
Passa o trem da memória
Pela minha porta.
E isso importa
Pra lembrar a história
Do meu último amor
Perdido na última estação
Onde permanece inerte
Há muito, meu último coração.
CICLO DOIS
Ei moço!
Vc viu uma sandália perdida por aí?
Insiste em ficar sozinha
Do que agasalhar os pés de um
Poeta que pisou em flores
Para matar paixões.
CICLO TRÊS
Dos passos que dei
Nas minhas sete vidas
Correndo atrás de todas elas,
Sobraram muitas ilusões
Faltaram rastros de calma,
Deixaram profundas feridas:
foi-se a Alma. Ficaram as chinelas...
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BÔNUS: Vídeo de Rogério Rocha
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