*Joema Carvalho
Ontem teve tempestade. Todos os dias, chuva forte, com vento. Alguns locais granizo. Muitos raios. Fiquei na minha janela vendo as brincadeiras de Iansã.
É necessária a tempestade. O sol amanheceu com um brilho diferente. Eu mais leve. Ontem estava envolvida em sombra. Esfumaçada. As águas tempestivas limparam o que precisava. Hoje flui no novo.
Em alguns locais foi preciso o efeito Tonga. O mundo inteiro sentiu. Em breve, vem mais tremores.
As peles ouriçadas do medo respondem de imediato ao movimento da terra.
O tsunami é água misturada com fogo e ar. Um monstro sem terra.
Equilíbrio?
Um cisco nos olhos para ver se enxerga.
Tem muito gigante vivo na Terra. Dormem por algum tempo.
Uma beleza extraordinária que ofusca o sol. Disputa a sua realeza.
O seu poder de construção e destruição, dita quando chega o fim.
Se tiver que seguir através das suas lavas, rumo ao infinito, ouviria Claire de Lune. Iria queimando aos poucos?
O rio de lavas laranja, às vezes, azuis ou verdes, vermelhas e amarelas, de calor extremo, expressa o disco das cores em ondas que se conectam com as da existência.
Os gigantes ditam as regras. Eles já entraram em movimento muitas vezes. Expressam a sua reação em cadeia.
Somos nada, no sentido de insignificantes. O nada as vezes pode ser tudo. Não neste caso. O gigante nos ensina que ele é o abstrato do nada. A potência extrema que faz tudo iniciar de novo.
Precisamos disto.
Sucessão inicial a partir de um campo estéreo. Fungos, esfagnos, bactérias, enfim, depois de muito tempo, as plantas iniciam a dança da produção de matéria orgânica e da produção de oxigênio.
Gotas de chuvas mais brandas começam a marcar um novo tempo. Sem ponteiros: O tempo d’água.
Tempo que flui depois da tempestade, depois dos abalos sísmicos. Tempo da água lenta de nascente que veio de baixo, de perto das lavas. Elas ficaram calmas e vão permanecer. Agora, de superiores só tem plantas. A linguagem é clara e direta, sem ruídos.
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