A IMPORTÂNCIA DOS PRIMEIROS SABERES
Escritora convidada: Joizacawpy Muniz Costa
A educação sem sombra de dúvidas é o pilar de uma sociedade que converge para o progresso. Nesse contexto é importante perceber que as primeiras letras são extremamente indispensáveis para o desenvolvimento da inteligência humana, é o primeiro degrau na evolução intelectual, não se chega nas fases seguintes sem passar pelas aprendizagens primeiras.
Mediante o levante dessa temática, proponho ao leitor uma reflexão sobre educação formal, em especial a primeira fase do saber. Em minhas pesquisas constantes deparei-me com uma perspectiva pedagógica voltada para os primeiros saberes que me chamou muito atenção, a proposta Reggio Emilia uma proposição interessante que se conectou com meu estilo educativo e com as experiências pedagógicas que tenho desenvolvido há alguns anos, tanto na trajetória acadêmica quanto na trajetória efetiva com o trabalho educacional.
A perspectiva Reggio Emilia surgiu na Itália após a segunda guerra mundial tendo como idealizador o pedagogo Loris Maguzzi. A proposta tem como principal ponto o protagonismo da criança na construção do conhecimento. Percebe-se nessa orientação contribuições de várias teorias que circundam a educação formal, como: Piaget, Vigostsky, Montessori, Jhon Dewey, dentre outros. Uma orientação pedagógica que não se limita a apenas uma possibilidade, mas condensa várias ideias no sentido de potencializar o trabalho educativo.
Percebo nessa concepção um rico caminho contributivo, visto que, quando planejamos e executamos trabalhos que proporcionam ao aluno interagir com o meio, com seus pares, quando aproveitamos situações cotidianas para desenvolver habilidades e conhecimentos, possibilitando situações para criar e recriar seus saberes, notamos um salto de qualidade no fazer pedagógico. Sendo assim noto um caminho pedagógico pautado em contribuições que foram alicerçadas ao longo do processo da história do progresso humano. Não vejo possibilidades apenas de repetição de métodos, mas sim como caminhos que iluminam as ideias.
Vale ressaltar que para além da concepção Reggio Emilia, nós brasileiros temos uma das maiores referências de educação no mundo “Paulo Freire”, e que embora seu método tenha sido desenvolvido para educação de adultos, a sua pedagogia cabe em qualquer seguimento, ao passo que sua base filosófica pautada no materialismo histórico dialético, considerando saberes sociais e contextuais, considerando conhecimentos prévios que contribuem para a formação do sujeito de forma plena alcançando a dimensão cidadã. Nesse sentido considero a “Pedagogia da Autonomia” como uma das maiores referências para educadores que buscam autogestão de seus trabalhos educativos, bem como a melhor condução de trabalhos pedagógicos que visam a formação plena do sujeito.
Percebo ser necessário uma maior valorização no campo dos primeiros saberes, tanto considerando o aprendiz quanto o professor. É preciso pensar e agir como sociedade evolutiva, a exemplo da realidade denominada de “primeiro mundo’’. É bem verdade que em termos de Brasil temos muitos entraves para realização de alguns objetivos, especialmente na esfera da educação pública. Para nós professores que palmilhamos o chão da escola pública há inúmeras dificuldades a serem vencidas, os desafios no sentido de promover e garantir uma educação de qualidade nos termos que estamos dispostos a fazer são imensos, visto que não somos subsidiados de forma adequada para fazermos mais, nossas condições de trabalho estão aquém de uma realidade qualitativa. A vontade e os esforços são muitos, tanto é que não paramos, fazemos mesmo sem condições adequadas. Porém não somos uma estrutura isolada, precisamos que a orquestra esteja em sua completude afinada para termos bons resultados.
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