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Poetas homenageiam 410 anos de São Luís do Maranhão: prosa & poesia

Convidados e membros da Academia Poética Brasileira.

08/09/2022 às 19h32 Atualizada em 09/09/2022 às 06h22
Por: Mhario Lincoln Fonte: Academia Poética Brasileira
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Crédito: Cordeiro F.
Crédito: Cordeiro F.

CAPA: Fotos da cidade histórica de São Luís - Maranhão recuperadas e coloridas pelo artista e membro da Academia Poética Brasileira, José de Ribamar Cordeiro Filho. 

Daqui a quatrocentos anos

Que será desta cidade?

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Estará firme, de pé,

Ou será só saudade

Dos tempos de magia

Em álbum de fotografia?

(Excerto do livro "São Luís em Cores & Dores, de José Neres).

 

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F.Tribuzi, da APB.

Velha, São Luís eterna 

Francisco Tribuzi

Parado o tempo, as folhas dos galhos das árvores seculares nem mexiam, um sol escaldante. a beira-mar parecia um quadro primitivo banhado de luz, contra a treva melancólica do provincianismo ludovicense.  Os portugueses, senhores plenos do comércio de grande porte, chegavam com os primeiros raios da manhã e, espantavam os pássaros e estivadores que, sonolentos, cochilavam nas calçadas bordadas de pedras de cantaria, quando levantavam as portas sanfonadas de alumínio, dos armazéns. As senhoras, logo depois, chegavam com as comprar, com seus vestidos rendados e compridos e seus chapéus-de-sol. O mar furioso de agosto esmurrava a rampa Campos Melo adjacências, trazendo os primeiros barcos e lanchas com porcos, galinhas da terra,vindo das ilhas circunvizinhas, o famoso caranguejo da ilha do mesmo nome e dos peixes fresquinhos da hora, pescado ali mesmo, nas imediações do que hoje chamamos de Bacanga; trecho que liga por estrada asfaltada, o centro da cidade via madre de Deus à Universidade Federal do Maranhão e bairros do lado de lá do mar, tais como Sá Viana, Vila Embratel, Anjo da Guarda... Tudo era calmaria, a cidade, podemos dizer assim, funcionava a vapor. Suas ruas de paralelepípedos davam-lhe, um ar histórico contracenando com a riqueza de suas lendas e seu vasto arsenal de cultura. Efervescia os primeiros movimentos culturais, associações... nas quais varavam as noites discutindo, declamando, aperfeiçoando, enfim, fazendo acontecer as tendencias artísticas em suas variações e multiplicidades na pacata São Luís de então. Nos fins de semana, quando as estrelas ascendiam o céu e a noite resplandeciam fulgurante sobre o nosso telhado e sobradões de azulejo  o cassino abria suas portas, para tertúlias  onde os "coronéis" e barões de então acompanhados por damas de finas roupagens, embelezavam os salões encadeados por lustres e candelabros dos mais belos acabamentos. No fundo, uma orquestra formada por senhores de fraque e regida por um maestro francês que, aqui vindo a negócios  apaixonou-se e, esqueceu-se por completo de sua decantada Paris. Nos bondes, sonolentos trabalhadores viajavam seus trajetos de volta ao lar, ansiosos para desfrutarem do manjar da ultima refeição do dia, do banho

morno relaxador, enfim do tão esperado descanso de mais um dia de trabalho árduo, na ULEM, Refesa, nos Armazéns, no Liceu Maranhense  na Escola Modelo Benedito Leito, nos postos do Banco do Brasil, nos Correios e Telegraphos... etc. Esta era a São Luís de outrora, uma cidade sitiada de lendas, bons costumes, bordada de azulejos  com seus telhados melancólicos  e seus passeios orquestrados por ruas rendadas de paralelepípedos - seus museus ricos em arquivos arquitetônicos e preciosidades históricas. Ilha plena de amor iluminada por um céu bucólico e estrelas-vagalumes de ternura e banhada por um mar vivo de poesia.

 

DE SÃO MARCOS A SÃO JOSÉ

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(Josias Sobrinho e Eloy Melonio, faixa 4 do LP VINIL & POESIA)

Maresia na onda do mar

Travessia na vela da canoa

Porto do Sol a me esperar

Vento soprando na proa  

Rezo uma prece 

Um anjo me mostra a baía

De São Marcos, Boqueirão,

Praia da Guia

No horizonte te vejo em tela azul 

Beirando o mar, Ilha de Upaon-Açú (2X)

Josias & Eloy.

No alto do farol do Araçagy

Uma voz se faz ouvir 

Manhã de sol sempre morou aqui

Caúra, Raposa, Panaquatira

Tô no rumo, tô na mira

Em São José fortaleço a minha fé 

Minh'alma canta, avisto a cidade, alegria 

Gole de felicidade na boca do dia 

No horizonte te vejo em tela azul

Beirando o mar, Ilha de Upaon-Açú

Maresia na onda do mar

Vídeo Bônus: de São Marcos a São José

 

A rendição de La Ravardière

por EUGES LIMA 

Historiador, professor, bibliófilo e membro efetivo do IHGM

Euges Lima.

Foi numa manhã de quarta-feira, no dia 4 de novembro de 1615 que o general francês Daniel de La Touche, o senhor de La Ravardière, depois de muito postergar, no afã de ganhar tempo a espera de socorro da França que nunca veio, finalmente, sem mais alternativas e pressionado pelo capitão Alexandre de Moura, resolveu se render oficialmente às tropas portuguesas e entregar o forte São Luís.

Toda essa história está descrita no documento de N.º 18, intitulado "Auto de posse que se tomou da fortaleza", apenso ao Relatório de Alexandre de Moura, capitão-mor do Maranhão, onde ele relata de forma detalhada como se deu essa conquista aos franceses, anexando, 25 documentos acerca desses acontecimentos e que foram entregues a V. Majestade o Rei Felipe II em setembro de 1616. 

Hoje, os originais desses documentos, encontram-se no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa e em 1905, foram publicadas suas transcrições nos Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

La Ravárdière.

Em 2010, o Instituto Geia, com base na edição dos Anais da Biblioteca Nacional, também publicou o Relatório de Alexandre de Moura e outros documentos sob o título de "A Rendição dos Franceses do Maranhão".

Embora alguns digam, que a rendição de La Ravardière se deu no forte do Sardinha, na verdade, não é bem assim. O forte pertencia aos franceses, teve seu nome substituído por Alexandre de Moura para forte São Francisco e obviamente, por questões estratégicas, foi o primeiro a ser tomado pelos portugueses, quando surpreendentemente conseguiram entrar na barra do Maranhão com sua poderosa esquadra de nove navios e seiscentos homens. 

O forte do Sardinha, foi nessa história, apenas o local marcado, onde muitos desses personagens históricos, a exemplo de Alexandre de Moura, La Ravardière, Diogo de Campos Moreno, Francisco Frias de Mesquita (engenheiro mor do Brasil) e tantos outros se encontraram inicialmente, naquela manhã de 4 de novembro para então a partir desse forte, irem tomar posse da principal fortaleza, o forte São Luís, e finalmente selar o fim da França Equinocial, onde ocorreu de fato, a rendição oficial e incondicional de La Ravardière e seus homens, com direito a entrega da "chave" do forte São Luís pelo comandante francês ao capitão Alexandre de Moura, conforme comprova o referido documento de N.º 18: 

“[...] Estando as ditas pessoas juntas, veio o d. general francês, e deu por resposta que elle estava de acordo no apontamento atrás, e que cada ves que quizessem poderiao ir tomar posse do forte Sant Luís em nome de Sua Mag. de de que fez o termo assima, e assinou de sua própria mão, o que visto, e ouvido pelo dito capitão mor Alexandre de Moura dispondo as coisas conforme ao estado prezente mandou marchar o Sargento mor do estado Diogo de Campos Moreno, com o Capitão Henrique Afonso, com cento, e vinte soldados pessoas nobres, e se foi em bateis para o dito forte Sam Luís, onde depois de Reconhecido pelo dito sargento mor, e pelo engenheiro mor fran.co de Frias de Mesquita o d. Capitão Mor Alexandre de Moura entrou com a dita Companhia no dito forte onde a porta  lhe entregou as chaves dele o d. s.r de la Ravardiere geral dos franceses, e depois de aver reconhecido todos os particulares do d. forte, e artilharia deixando lhe a dita Companhia de guarda com o dito sargento mor em seu lugar ouve a dita posse por tomada em nome, e por sua Mag. de [...]” ( ANNAES DA BIBLIOTHECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO, 1905, p. 227/229)

Os portugueses tomaram posse do forte São Luís dos franceses e mudaram o nome para São Felipe, sendo reconstruído em pedra e cal. Essa data é considerada um marco da expulsão dos franceses e do início da colonização portuguesa no Maranhão. 

A historiografia tradicional maranhense, sempre afirmou que em 31 de outubro de 1615, Jerônimo de Albuquerque Maranhão acampou com suas tropas na Fonte das Pedras, quando fazia o cerco ao forte Francês. Alexandre de Moura, assim que entra na barra do Maranhão, uma de suas primeiras ordens, foi mandar “marchar Hierônimo de d'Albuquerque, a que com trezentos homens da sua gente [...] se pusesse pela parte de terra à vista do Forte São Luís," confirmando assim, essa ideia de que houve realmente um cerco por terra. Isso consta no seu Relatório de 1616.

Ravardière, cercado por terra pelas tropas de Jerônimo de Albuquerque Maranhão e bloqueado por mar pela armada de Alexandre de Moura, ficou sem alternativa, tendo que render-se pacificamente, sem disparar um único tiro e aceitar todos os termos do "acordo" de rendição imposto pelos portugueses.

 

Acad. Francisco Baia.

PARABÉNS AMADA

Francisco Baia, da Academia Poética Brasileira

Nossa São Luís, 

Cheia de alegria

Magia e poesia, completa

Mais um aninho.

Por ti amada, passaram 

Outros povos que nem sabiam

Que tu existia, mas te amaram

Como até hoje és.

Franceses, portugueses, holandeses,

Se instalaram nos teus cômodos,

Te tornaram numa ninfeta,

Bela, e sedutora menina, e te transformaram num bela mulher.

Cidade do encantos nossos.

Porém, apesar dos franceses se

Arvorarem dizendo que, fomos nós

Os fundadores de ti, São Luís, se esqueceram de nós, filhos teus, e

Que quem nos criou, foram nossos

Indígenas, que permitiram que nos 

Chamassem: UPAON AÇU, que até hoje

Poucos sabem, que se significa , ILHA GRANDE, ILHA DO AMOR!

Homenagens jorrarão sobre ti hoje, entretanto tenha conhecimento, tua

História, teus cantos e encantos, como teus azulejos

belos e misteriosos, estarão cravados

e inesquecíveis na nossa memória de filhos teus.

Parabéns São Luís, cidade AMADA.

 

Quatrocentos e dez anos

Rômulo Reis e Maria José Lima

Rômulo e Maria José.

Quatrocentos e dez anos 

São Luís vai completar

Em versos e rimas

Essa história celebrar

Nosso amor por ela

Hoje vamos declarar.

 

Patrimônio da humanidade 

Histórico e cultural

Esta tão bela cidade

Localizada no litoral

Conhecida pelos casarões 

E seu acervo colonial.

 

As numerosas fachadas 

Suas longas escadarias

Seu horizonte belo

E as pedras de cantarias

A cidade dos poetas

Cenário dos nossos dias.

 

 Atenas brasileira 

De encantos e sabores

De um povo aguerrido

Ilha de tantos amores

Terra do bumba meu boi

Do batuque e dos tambores.

 

Joizacawpy Costa.

QUEM ÉS TU

Joizacawpy Muniz Costa

Quem és tu cidade divina? 

Quem és tu cidade de cor?

Que carrega na alma a beleza 

Que resplandece no sol a luz do amor.

 

Seria tu mesmo encantada?

Seria tu a imagem da perfeição?

Seria tu o abrigo que aninha?

Será que és a mensageira da emoção?

 

Quem és tu cidade divina?

Quem és tu cidade do amor?

Beleza que em mim repousa

És o balsamo que alivia a dor.

 

Seria tu além do encanto

Um porto onde a poesia ancorou?

Seria tu um mar de pranto

De quem um dia partiu e não mais voltou?

 

Quem és tu cidade divina?

Quem és tu cidade de ardor?

Tenho certeza que é chão fecundo

Onde a poesia se eternizou.

 

João B do Lago.

ODE A SÃO LUIS 

João Batista do Lago

 

Ó tu, leito-mãe dos Tupinambás

Reina dos mares do Sul, sois vós

Vitoriosa, oh! amada Upaon-açu

Carregas nome e cetro de realeza

N’alma saber e virtude de Atenas

No peito o brasão de viva Natureza

 

Ó tu, São Luís – Ilha dos Amores!

Amada de francos, lusos e neerlandeses

Sois vós o encanto de Arúspice

Profeta da vossa eterna glória e pureza:

– Vosso destino é conservar em si toda beleza

serás deste teu Orfeu a eterna Eurídice

 

Ó tu, São Luís – Jamaica brasileira

Sou-vos grato pela vida inteira pois

Sabei-vos de muitos ser uma só pessoa

Jamais vos deixaste vencer. Sois guerreira!

Ainda que vos queira estuprar o monstro da modernice

Haverá sempre um filho teu que não fugirá a luta

 

Ó tu, São Luís – Cidade dos Azulejos

Perdoai o jugo da desgraçada sorte (e)

Tomai por exemplo o Cristo da hora da morte

Perdoai os filhos que vos sangra em realejos

Todos serão defenestrados, enfim, para que

Possamos amar-vos entre ruas e curvas de azulejos

 

Vídeo Bônus: 410 anos de S.Luís(MA).

 

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Kalil Guimarães Há 4 anos Brasília DFQuerido Uimar, parabéns pela belíssima homenagem aos poetas e a beleza dos poemas maranhenses.
Josias Padilha Há 4 anos Campina Grande do SulTrabalho magnífico!
Jorge Luís e esposa Graça AranhaHá 4 anos São LuísCaro Uimar parabéns pelo seu belo recitar de poesias de autores maranhenses. Com sua autorização gostaria de enviar ao José Graça Aranha se assim não o fez. Forte abraço Jorge Luis e Graça Aranha (esposa)
José Graça Aranha Há 4 anos SuiçaBelo trabalho e linda homenagem aos poetas e à poesia do Maranhão
Samara LeiteHá 4 anos são luisEloy Melônio. que música linda. Orgulhosa de ser ludovicense.
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(A) MARCO NEVES (De Lisboa/Portugal)
Sobre o blog/coluna
Marco Neves nasceu em Peniche e vive em Lisboa. Tem sete ofícios, todos virados para as línguas: tradutor, revisor, professor, leitor, conversador e autor. Não são sete? Falta este: é também pai, com o ofício de contar histórias. É professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e diretor do escritório de Lisboa da Eurologos. Escreve regularmente no blogue Certas Palavras. Já publicou os livros Doze Segredos da Língua Portuguesa, A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e o romance A Baleia que Engoliu Um Espanhol. Publicou também um ensaio literário, José Cardoso Pires e o Leitor Desassossegado. Regressa às dúvidas e subtilezas da nossa língua com a Gramática para Todos: O Português na Ponta da Língua.
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