
CAPA: Fotos da cidade histórica de São Luís - Maranhão recuperadas e coloridas pelo artista e membro da Academia Poética Brasileira, José de Ribamar Cordeiro Filho.
Daqui a quatrocentos anos
Que será desta cidade?
Estará firme, de pé,
Ou será só saudade
Dos tempos de magia
Em álbum de fotografia?
(Excerto do livro "São Luís em Cores & Dores, de José Neres).
Velha, São Luís eterna
Francisco Tribuzi
Parado o tempo, as folhas dos galhos das árvores seculares nem mexiam, um sol escaldante. a beira-mar parecia um quadro primitivo banhado de luz, contra a treva melancólica do provincianismo ludovicense. Os portugueses, senhores plenos do comércio de grande porte, chegavam com os primeiros raios da manhã e, espantavam os pássaros e estivadores que, sonolentos, cochilavam nas calçadas bordadas de pedras de cantaria, quando levantavam as portas sanfonadas de alumínio, dos armazéns. As senhoras, logo depois, chegavam com as comprar, com seus vestidos rendados e compridos e seus chapéus-de-sol. O mar furioso de agosto esmurrava a rampa Campos Melo adjacências, trazendo os primeiros barcos e lanchas com porcos, galinhas da terra,vindo das ilhas circunvizinhas, o famoso caranguejo da ilha do mesmo nome e dos peixes fresquinhos da hora, pescado ali mesmo, nas imediações do que hoje chamamos de Bacanga; trecho que liga por estrada asfaltada, o centro da cidade via madre de Deus à Universidade Federal do Maranhão e bairros do lado de lá do mar, tais como Sá Viana, Vila Embratel, Anjo da Guarda... Tudo era calmaria, a cidade, podemos dizer assim, funcionava a vapor. Suas ruas de paralelepípedos davam-lhe, um ar histórico contracenando com a riqueza de suas lendas e seu vasto arsenal de cultura. Efervescia os primeiros movimentos culturais, associações... nas quais varavam as noites discutindo, declamando, aperfeiçoando, enfim, fazendo acontecer as tendencias artísticas em suas variações e multiplicidades na pacata São Luís de então. Nos fins de semana, quando as estrelas ascendiam o céu e a noite resplandeciam fulgurante sobre o nosso telhado e sobradões de azulejo o cassino abria suas portas, para tertúlias onde os "coronéis" e barões de então acompanhados por damas de finas roupagens, embelezavam os salões encadeados por lustres e candelabros dos mais belos acabamentos. No fundo, uma orquestra formada por senhores de fraque e regida por um maestro francês que, aqui vindo a negócios apaixonou-se e, esqueceu-se por completo de sua decantada Paris. Nos bondes, sonolentos trabalhadores viajavam seus trajetos de volta ao lar, ansiosos para desfrutarem do manjar da ultima refeição do dia, do banho
morno relaxador, enfim do tão esperado descanso de mais um dia de trabalho árduo, na ULEM, Refesa, nos Armazéns, no Liceu Maranhense na Escola Modelo Benedito Leito, nos postos do Banco do Brasil, nos Correios e Telegraphos... etc. Esta era a São Luís de outrora, uma cidade sitiada de lendas, bons costumes, bordada de azulejos com seus telhados melancólicos e seus passeios orquestrados por ruas rendadas de paralelepípedos - seus museus ricos em arquivos arquitetônicos e preciosidades históricas. Ilha plena de amor iluminada por um céu bucólico e estrelas-vagalumes de ternura e banhada por um mar vivo de poesia.
DE SÃO MARCOS A SÃO JOSÉ
(Josias Sobrinho e Eloy Melonio, faixa 4 do LP VINIL & POESIA)
Maresia na onda do mar
Travessia na vela da canoa
Porto do Sol a me esperar
Vento soprando na proa
Rezo uma prece
Um anjo me mostra a baía
De São Marcos, Boqueirão,
Praia da Guia
No horizonte te vejo em tela azul
Beirando o mar, Ilha de Upaon-Açú (2X)
No alto do farol do Araçagy
Uma voz se faz ouvir
Manhã de sol sempre morou aqui
Caúra, Raposa, Panaquatira
Tô no rumo, tô na mira
Em São José fortaleço a minha fé
Minh'alma canta, avisto a cidade, alegria
Gole de felicidade na boca do dia
No horizonte te vejo em tela azul
Beirando o mar, Ilha de Upaon-Açú
Maresia na onda do mar
Vídeo Bônus: de São Marcos a São José
A rendição de La Ravardière
por EUGES LIMA
Historiador, professor, bibliófilo e membro efetivo do IHGM
Foi numa manhã de quarta-feira, no dia 4 de novembro de 1615 que o general francês Daniel de La Touche, o senhor de La Ravardière, depois de muito postergar, no afã de ganhar tempo a espera de socorro da França que nunca veio, finalmente, sem mais alternativas e pressionado pelo capitão Alexandre de Moura, resolveu se render oficialmente às tropas portuguesas e entregar o forte São Luís.
Toda essa história está descrita no documento de N.º 18, intitulado "Auto de posse que se tomou da fortaleza", apenso ao Relatório de Alexandre de Moura, capitão-mor do Maranhão, onde ele relata de forma detalhada como se deu essa conquista aos franceses, anexando, 25 documentos acerca desses acontecimentos e que foram entregues a V. Majestade o Rei Felipe II em setembro de 1616.
Hoje, os originais desses documentos, encontram-se no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa e em 1905, foram publicadas suas transcrições nos Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Em 2010, o Instituto Geia, com base na edição dos Anais da Biblioteca Nacional, também publicou o Relatório de Alexandre de Moura e outros documentos sob o título de "A Rendição dos Franceses do Maranhão".
Embora alguns digam, que a rendição de La Ravardière se deu no forte do Sardinha, na verdade, não é bem assim. O forte pertencia aos franceses, teve seu nome substituído por Alexandre de Moura para forte São Francisco e obviamente, por questões estratégicas, foi o primeiro a ser tomado pelos portugueses, quando surpreendentemente conseguiram entrar na barra do Maranhão com sua poderosa esquadra de nove navios e seiscentos homens.
O forte do Sardinha, foi nessa história, apenas o local marcado, onde muitos desses personagens históricos, a exemplo de Alexandre de Moura, La Ravardière, Diogo de Campos Moreno, Francisco Frias de Mesquita (engenheiro mor do Brasil) e tantos outros se encontraram inicialmente, naquela manhã de 4 de novembro para então a partir desse forte, irem tomar posse da principal fortaleza, o forte São Luís, e finalmente selar o fim da França Equinocial, onde ocorreu de fato, a rendição oficial e incondicional de La Ravardière e seus homens, com direito a entrega da "chave" do forte São Luís pelo comandante francês ao capitão Alexandre de Moura, conforme comprova o referido documento de N.º 18:
“[...] Estando as ditas pessoas juntas, veio o d. general francês, e deu por resposta que elle estava de acordo no apontamento atrás, e que cada ves que quizessem poderiao ir tomar posse do forte Sant Luís em nome de Sua Mag. de de que fez o termo assima, e assinou de sua própria mão, o que visto, e ouvido pelo dito capitão mor Alexandre de Moura dispondo as coisas conforme ao estado prezente mandou marchar o Sargento mor do estado Diogo de Campos Moreno, com o Capitão Henrique Afonso, com cento, e vinte soldados pessoas nobres, e se foi em bateis para o dito forte Sam Luís, onde depois de Reconhecido pelo dito sargento mor, e pelo engenheiro mor fran.co de Frias de Mesquita o d. Capitão Mor Alexandre de Moura entrou com a dita Companhia no dito forte onde a porta lhe entregou as chaves dele o d. s.r de la Ravardiere geral dos franceses, e depois de aver reconhecido todos os particulares do d. forte, e artilharia deixando lhe a dita Companhia de guarda com o dito sargento mor em seu lugar ouve a dita posse por tomada em nome, e por sua Mag. de [...]” ( ANNAES DA BIBLIOTHECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO, 1905, p. 227/229)
Os portugueses tomaram posse do forte São Luís dos franceses e mudaram o nome para São Felipe, sendo reconstruído em pedra e cal. Essa data é considerada um marco da expulsão dos franceses e do início da colonização portuguesa no Maranhão.
A historiografia tradicional maranhense, sempre afirmou que em 31 de outubro de 1615, Jerônimo de Albuquerque Maranhão acampou com suas tropas na Fonte das Pedras, quando fazia o cerco ao forte Francês. Alexandre de Moura, assim que entra na barra do Maranhão, uma de suas primeiras ordens, foi mandar “marchar Hierônimo de d'Albuquerque, a que com trezentos homens da sua gente [...] se pusesse pela parte de terra à vista do Forte São Luís," confirmando assim, essa ideia de que houve realmente um cerco por terra. Isso consta no seu Relatório de 1616.
Ravardière, cercado por terra pelas tropas de Jerônimo de Albuquerque Maranhão e bloqueado por mar pela armada de Alexandre de Moura, ficou sem alternativa, tendo que render-se pacificamente, sem disparar um único tiro e aceitar todos os termos do "acordo" de rendição imposto pelos portugueses.
PARABÉNS AMADA
Francisco Baia, da Academia Poética Brasileira
Nossa São Luís,
Cheia de alegria
Magia e poesia, completa
Mais um aninho.
Por ti amada, passaram
Outros povos que nem sabiam
Que tu existia, mas te amaram
Como até hoje és.
Franceses, portugueses, holandeses,
Se instalaram nos teus cômodos,
Te tornaram numa ninfeta,
Bela, e sedutora menina, e te transformaram num bela mulher.
Cidade do encantos nossos.
Porém, apesar dos franceses se
Arvorarem dizendo que, fomos nós
Os fundadores de ti, São Luís, se esqueceram de nós, filhos teus, e
Que quem nos criou, foram nossos
Indígenas, que permitiram que nos
Chamassem: UPAON AÇU, que até hoje
Poucos sabem, que se significa , ILHA GRANDE, ILHA DO AMOR!
Homenagens jorrarão sobre ti hoje, entretanto tenha conhecimento, tua
História, teus cantos e encantos, como teus azulejos
belos e misteriosos, estarão cravados
e inesquecíveis na nossa memória de filhos teus.
Parabéns São Luís, cidade AMADA.
Quatrocentos e dez anos
Rômulo Reis e Maria José Lima
Quatrocentos e dez anos
São Luís vai completar
Em versos e rimas
Essa história celebrar
Nosso amor por ela
Hoje vamos declarar.
Patrimônio da humanidade
Histórico e cultural
Esta tão bela cidade
Localizada no litoral
Conhecida pelos casarões
E seu acervo colonial.
As numerosas fachadas
Suas longas escadarias
Seu horizonte belo
E as pedras de cantarias
A cidade dos poetas
Cenário dos nossos dias.
Atenas brasileira
De encantos e sabores
De um povo aguerrido
Ilha de tantos amores
Terra do bumba meu boi
Do batuque e dos tambores.
QUEM ÉS TU
Joizacawpy Muniz Costa
Quem és tu cidade divina?
Quem és tu cidade de cor?
Que carrega na alma a beleza
Que resplandece no sol a luz do amor.
Seria tu mesmo encantada?
Seria tu a imagem da perfeição?
Seria tu o abrigo que aninha?
Será que és a mensageira da emoção?
Quem és tu cidade divina?
Quem és tu cidade do amor?
Beleza que em mim repousa
És o balsamo que alivia a dor.
Seria tu além do encanto
Um porto onde a poesia ancorou?
Seria tu um mar de pranto
De quem um dia partiu e não mais voltou?
Quem és tu cidade divina?
Quem és tu cidade de ardor?
Tenho certeza que é chão fecundo
Onde a poesia se eternizou.
ODE A SÃO LUIS
João Batista do Lago
Ó tu, leito-mãe dos Tupinambás
Reina dos mares do Sul, sois vós
Vitoriosa, oh! amada Upaon-açu
Carregas nome e cetro de realeza
N’alma saber e virtude de Atenas
No peito o brasão de viva Natureza
Ó tu, São Luís – Ilha dos Amores!
Amada de francos, lusos e neerlandeses
Sois vós o encanto de Arúspice
Profeta da vossa eterna glória e pureza:
– Vosso destino é conservar em si toda beleza
serás deste teu Orfeu a eterna Eurídice
Ó tu, São Luís – Jamaica brasileira
Sou-vos grato pela vida inteira pois
Sabei-vos de muitos ser uma só pessoa
Jamais vos deixaste vencer. Sois guerreira!
Ainda que vos queira estuprar o monstro da modernice
Haverá sempre um filho teu que não fugirá a luta
Ó tu, São Luís – Cidade dos Azulejos
Perdoai o jugo da desgraçada sorte (e)
Tomai por exemplo o Cristo da hora da morte
Perdoai os filhos que vos sangra em realejos
Todos serão defenestrados, enfim, para que
Possamos amar-vos entre ruas e curvas de azulejos
Vídeo Bônus: 410 anos de S.Luís(MA).
Mín. 13° Máx. 20°