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Cidades Matéria especial

As descrições sensoriais da poesia livre de Joema Carvalho, da Academia Poética Brasileira

Coletivo "Segunda Poética", APB/Facetubes.

29/05/2023 18h14 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Joema Carvalho/Mhario Lincoln
Arte: MHL (Joema Carvalho)
Arte: MHL (Joema Carvalho)

Apresentação: Mhario Lincoln

A poesia diferenciada de Joema Carvalho se manifesta através de uma disposição cuidadosa das palavras no espaço da página, buscando criar efeitos visuais e transmitir significados por meio da forma poética. Os versos apresentam imagens evocativas e simbólicas, explorando temas como a complementaridade entre elementos naturais, a complexidade da comunicação, o acaso e a conexão com a natureza.

 

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Aí está uma razão explícita para comprovar as diferentes maneiras de se construir um símbolo lírico, com forma, estrutura e figuras de linguagem, como metáforas, aliterações, assonâncias, entre outras. Joema usa muito esses recursos estilísticos - no conjunto de sua obra -  para ajudá-la a criar imagens vívidas, emoções e transmitir significados simbólicos. Isso a faz uma poeta expressiva e densa.

Vale ressaltar ainda o lado de suas descrições sensoriais detalhadas para criar uma representação visual ou vivencial de um objeto, pessoa ou cena. Com isso, ela repassa ao leitor mais ativo, significados profundos permitindo uma interpretação ampla, apesar, de algumas vezes, subjetiva.

 

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Nestes versos em particular, no primeiro, sente-se a repetição da palavra "só", seguida de uma quebra de linha para "sol" e outra quebra de linha para "lua", sugerindo uma associação entre a solidão e os elementos naturais, criando uma imagem poética e evocativa. A disposição dos versos no espaço também reforça essa ideia de separação e complementaridade entre o sol e a lua.

 

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No segundo verso, a poeta faz uso de termos como "signo", "algoritmos" e "hieróglifos" para fazer com que o leitor respire uma certa liberdade (foge aos complexos clássicos), na disposição dos versos em diferentes linhas. A mim me parece que há um cheiro de concretismo ao levar o leitor a visualizar múltiplas possibilidades e acessos ao significado.

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O terceiro verso explora a ideia de encontro fortuito e a entrega ao acaso. A expressão "deu nó em linhas retas" sugere uma quebra de padrões e a introdução da incerteza. A imagem do "pingo d'água" pode ser interpretada como uma metáfora do acidente, da imperfeição e da fluidez.

 

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Já no quarto verso, Joema faz uso de metáforas relacionadas à natureza, buscando sensações através do sentido do tato. A conjugação dos "três tempos" e a referência à clorofila indicam uma percepção mais profunda e conexões com o mundo natural. (Ela é engenheira florestal também). A descrição das nervuras das folhas como "flexíveis" e o uso da palavra "dinâmica" sugerem movimento e vida.

 

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Em tempo: apenas a pretexto de curiosidade, fui pesquisar sobre esse estilo da poesia sensorial, magnificamente incluída nestas produções de Joema Carvalho. Muitos poetas exploram a complexidade da experiência humana por meio de uma linguagem sensorial, utilizando imagens, cores, texturas e cheiros para transmitir sensações e emoções. Algumas poetas se destacaram nesse tema. Por exemplo, no Brasil, Adélia Prado, que combina o mundo sensorial em seus versos com elementos de cores, cheiros e sabores para transmitir emoções e experiências humanas.

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Nos Estados Unidos destaca-se Emily Dickinson. Ela usa, com frequência, elementos da natureza e sensações físicas para explorar temas como amor, morte e transcendência em seus poemas.

No poema de Dickinson, (Há um certo Slant da luz do inverno (Poema 258), ela menciona o canto de um pardal e utiliza elementos visuais, como o "ébano pálido" e as "vidraças do Sul"; "É esse o Éter de que aprendemos/ Através do Nosso Janelão/ Ele aponta no ébano pálido/ Através das Vidraças do Sul/ Ao dia nascente, ou a cada crepúsculo/ A própria vida corre". Como vemos, Emily Dickinson ao combinar esses elementos sensoriais, acaba criando uma imagem vívida e uma sensação de presença, que transporta para o ambiente lírico. São conjecturas e análises individuais, onde cada poeta traduz seus sentimentos a sua maneira. E isso é saudável, ao meu ver.

 

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O importante, destarte, é a interpretação de cada um. Por isso, vale muito ler esses versos, abaixo, de Joema Carvalho, convidada da SEGUNDA POÉTICA, da Academia Poética Brasileira:

 

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01

só 

sol 

e lua 

diferenças completam-se 

em partes

no si encontro-me

sou

céu 

enclave sol

 

02

signo sombra

traduz-me nos algoritmos 

transcrevo hieróglifos 

em sonhos

nunca mapeada

diversos acessos

 

03

no encontro do acaso 

entrega

de quem se banhou

rotas diversas

deu nó em linhas retas

junto da incerteza

pingo d´água

erro

parceiro 

tempero que faltava

 

 

04

no translúcido das folhas

busco o cheiro

através do tato

verde 

toco e sinto

os três tempos 

conjugo o que interessa

na lâmina lisa

percorro as nervuras

flexíveis 

refletem clorofila

na dinâmica 

do que vejo

 

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Evoé, poeta!

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JAIME Há 3 anos atrásBSB/DFCronista e poetiza juntos show. Aplausos de pé!!!
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