*Mhario Lincoln
Amigos e amigas, para diminuir minha vontade de estar presente, acabo de receber inúmeras fotos de mais uma iniciativa do Grupo de Estudos e Pesquisa em Literatura Maranhense, o GELMA, vinculado à Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Integram esse grupo pessoas que se doam diariamente ao resgate da literatura do Estado, pela formação de leitores atentos às questões culturais e históricas do Maranhão e pelo uso do estudo e da pesquisa como caminhos de identidade, memória e transformação.
Falo do encontro que aconteceu neste 2 de julho de 2026, na Galeria Trapiche, no Centro de São Luís, reunindo literatura, tambor e memória em torno do tema “Os Tambores ecoam na Literatura Maranhense: Mostra de Canções Juninas”. Quando uma iniciativa dessa natureza reúne nomes como José Neres, Dino Cavalcante, Linda Barros, colaboradores, alunos, professores e pesquisadores, a literatura regional ganha presença, voz e corpo diante do público.
Pois bem! Entre tantas fotos recebidas, uma me tocou de modo especial: a performance de Linda Barros como Catirina, personagem do enredo teatral do Bumba-Meu-Boi. Parecia ter movimento dentro da foto parada. Havia corpo, palavra, expressão e verdade cênica. Linda, que hoje também foi eleita pela Executiva Nacional da Academia Poética Brasileira, Secretária-executiva da APB-MA, carrega uma simplicidade que merece aplauso. Seus heróis ainda parecem nascer do espírito, de um lugar onde a vida ensina sem alarde, longe dos berços de ouro e dos palácios de pedra.
Permita-me, caro leitor, então, dedicar este restinho de texto a Linda Barros. Diante da beleza desse evento, seria injusto não destacá-la. Começo contando um segredo simples: o talento dela parece ter emergido da terra vermelha, das ruas de barro batido, do cheiro de café fresco, na manhã. São essas experiências livres e naturais que Linda costuma levar para suas apresentações públicas, sem vaidade de cena, como fez hoje, diante de uma plateia atenta a cada palavra dita, no palco da Galeria Trapiche.
Por essa formação de raiz, Linda vai moldando seu caminho ao lado de José Neres, seu marido, dos filhos Laura e Gabriel e do neto, como quem constrói uma família sobre aquilo que quase nunca aparece nos retratos: amor, exemplo, palavra e fé. Foi esse mesmo espírito que atravessou a noite de 2 de julho, na Galeria Trapiche, espaço conduzido por Uimar Junior, também confrade da APB-MA.
Pois bem! Escrevo às pressas, sem revisão, porque as fotos me emocionaram. Inclusive, outro ponto alto do encontro: a homenagem do GELMA ao jornalista José Raimundo Rodrigues. O gesto deu à noite uma dimensão de gratidão pública. Assim, ao entregar uma placa comemorativa, o grupo reconheceu o trabalho de um jornalista ligado diretamente à preservação da cultura maranhense.
O mesmo José Raimundo que sempre se doou ao resgate da cultura do Maranhão. Jornalista e radialista, é autor de livros-catálogo sobre a discografia das brincadeiras juninas e carnavalescas do Estado, com registros de bumba-meu-boi, blocos afro, escolas de samba, tambor de mina e festivais de toadas. Também mantém atuação em rádio e televisão, com o Maranhão TV no ar há décadas.
Como se vê, a placa, nesse contexto, não foi apenas homenagem. Foi um gesto de justiça cultural diante de quem ajudou a guardar, em som, papel e presença, parte da alma pública do Maranhão.
Ao fim, ao reunir cada elemento dessa festa, confesso minha emoção, especialmente diante da atuação da confreira Linda Barros como Catirina.
Por isso vale repeteco da opinião de outro grande ator sobre Linda Barros, nascida Lindalva. Em uma performance anterior, assistida por mim e por Domingos Tourinho, ele me disse: “Mhario, veja a pisada no palco de Linda. Uma grande atriz. Um bom ator precisa reunir interpretação, versatilidade, expressão corporal, técnica vocal e capacidade de trabalho em equipe. Precisa compreender profundamente o personagem, suas motivações e emoções, usando corpo e voz como instrumentos de comunicação cênica”.
Pronto! Nada mais preciso dizer sobre Catirina/Linda Barros. Na verdade, eu queria estar lá. Não deu! Mas fiquei com as fotos. Ao olhá-las sinto que o mais bonito de tudo, além das homenagens, da coordenação, do auditório cheio e da energia do encontro, foi assistir esse insaciável empenho do GELMA nessa busca pelo resgate do que ainda permanece vivo nas manifestações culturais de uma ilha desbotada e de um Estado que respira cultura em seus quatro cantos. Basta atravessar a velha ponte do Estreito dos Mosquitos para descobrir o que digo.
Parabéns, amigos e amigas. Repito: queria estar aí.
Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira
Madalena Pizzatto Madalena Pizzatto e a delicadeza dos oito segundos. Um ponto raro da trova social: a denúncia sem discurso
Vale relembrar Domingo poético: Manoel Serrão & João Batista do Lago
Convidados FT “O QUE ME MOVE?”. Por José Carlos Castro Sanches.
REPLAY IHGM 100 ANOS DE PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE MARANHENSE
Colunistas FT Leopoldo Vaz: “Por que a festa de São João é tão importante em Vinhais Velho?”
Colunistras FT Joizacawpy Costa, colunista do Facetubes, escreve sobre a 1 FELICAM Mín. 8° Máx. 21°
Mín. 6° Máx. 18°
Chuvas esparsasMín. 10° Máx. 19°
Tempo nublado
Coluna SILVÂNIA TAMER, Literatura, arte e eventos APB na posse da Procuradora de Justiça Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro
Coluna de Sharlene Serra ESPECIAL: “Evoluímos quando enxergamos além dos reflexos”. Por Sharlene Serra
Poeta e escritora maranhense VITÓRIA DUARTE Textos escolhidos: “Um dia o espelho me chamou de Macabéa”, por Vitória Duarte
O Mundo Digital do Antes e do Depois “Fenomenologia do Espírito”: Hegel, o pensador da consciência em movimento