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editor-sênior, jornalista Mhario Lincoln
Meio Ambiente Especiais

Uma luz se apaga para uma das maiores luminárias da botânica e fitoterapia no Maranhão

Na madrugada desta sexta-feira, (03.05/24) faleceu aos 91 anos a Professora Terezinha de Moraes Rego, um nome sinônimo de dedicação e inovação na utilização medicinal da flora brasileira.

03/05/2024 12h02 Atualizada há 2 meses
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln c/Google
Divulgação. Prof. Terezinha Rego.
Divulgação. Prof. Terezinha Rego.

Acordei hoje com essa triste notícia: a morte da professora premiada e que salvou milhares de vidas em todo o Planeta pela dedicação que tinha em descobrir novos medicamentos fitoterápicos que pudessem complementar a vida daqueles que sofriam, como no caso (naquela época sombria) dos tratamentos da AIDS, cujos efeitos colaterais causavam danos tão prejudiciais quanto a própria doença. eu tive a oportunidade de entrevistá-la várias vezes sobre os prêmios recebidos por salvar milhares de vidas. Mais abaixo, escolhi duas dessas entrevistas para reproduzir hoje, numa homenagem imortal a queridíssima professora Terezinha Moraes Rego. A Professora passou seus últimos dias no UDI Hospital em São Luís, após complicações de uma queda em sua residência, que resultou em um trauma facial e pneumonia.


A MESTRA

Nascida em São Luís, Professora Rego foi uma figura central no estudo da etnobotânica e fitoterapia. Dedicando mais de seis décadas à pesquisa, ela se formou em Farmácia pela Universidade Federal do Maranhão em 1957 e não tardou em marcar o estado com seu impacto. Sua tese de doutorado, concluída em 1977 na mesma universidade, abriu portas para uma carreira que transcendia o ambiente acadêmico, alcançando as comunidades.


Doutora em Botânica, a professora era membro fundadora da Academia Maranhense de Ciências; Livre Docente em Botânica Geral, permaneceu três anos na Universidade de São Paulo (USP), como bolsista da Capes, onde concluiu sua tese defendida em 1977 na Universidade Federal do Maranhão; foi eleita, em Cuba, representante de Etnobotânica junto à América Latina, de 1990 a 1994; representa no Maranhão a Sociedade Botânica do Brasil; fundou o herbário Ático Seabra; coordenou o Polo de Biotecnologia do Maranhão (MAR-BIO); foi professora titular do Departamento de Farmácia da UFMA e coordenava projetos de fitoterapia em comunidades carentes do Maranhão por meio do programa estadual Farmácia Viva.

 

AÇÕES INESQUECÍVEIS

A perda de Terezinha de Jesus Almeida Silva Rego, renomada educadora e fitoterapeuta do Maranhão, marca um momento de luto para a comunidade científica e educacional brasileira. A professora Terezinha, que faleceu aos 91 anos devido a complicações respiratórias após uma queda, dedicou mais de seis décadas à pesquisa e ao ensino da fitoterapia, deixando um legado inestimável no uso medicinal de plantas nativas​, informações inseridas, inclusive, na "Wikipédia".


A professora foi uma figura chave no desenvolvimento do programa "Farmácia Viva" no Maranhão, que cultivava plantas medicinais em comunidades locais para que pudessem preparar seus próprios remédios. Este programa não apenas promoveu a autonomia das comunidades, mas também serviu como um campo fértil para a descoberta de novas aplicações terapêuticas para a flora local.​ 

 

Prof. Terezinha Rego.

Além do seu impacto local, Terezinha Rego ganhou reconhecimento internacional, com prêmios e homenagens de instituições em países como Espanha, China e Índia. Ela lamentou a falta de suporte e recursos no Brasil para pesquisas em fitoterapia, especialmente quando comparado ao apoio encontrado em nações com avançadas infraestruturas tecnológicas​.


Sem dúvida, Terezinha de Moraes Rego, é imortalizada por sua notável ação fitoterapeutica, não só como professora, mas pelo importante legado ao estudo e promoção da flora medicinal de seu estado do Maranhão. Isso porque, apesar das adversidades, como a falta de infraestrutura adequada para pesquisa e a forte oposição da indústria farmacêutica, Terezinha perseverou, dedicando-se penhoradamente ao estudo da "luffa operculata", isolando um princípio ativo utilizado no tratamento de condições respiratórias como sinusite.


Um dos destaques da sua carreira foi a descoberta fitoterápica de um medicamento que promove a cura da sinusite, rinite alérgica e adenoide. Outro destaque foi a descoberta da chanana, uma flor amarela, cuja  substância energética melhora o sistema imunológico. O componente foi usado no tratamento do câncer no Hospital Aldenora Bello, em São Luís, com indícios de que aumenta a resistência orgânica.


A mestra maranhense também destacou-se por sua resiliência e dedicação, enfrentando desafios significativos, como a perda da visão devido ao trabalho contínuo em microscópios de baixa qualidade, um problema que só foi resolvido após uma cirurgia em Brasília​. Seu falecimento deixa um vazio na comunidade científica, mas também reforça a importância de seu trabalho e o potencial ainda inexplorado da fitoterapia. Terezinha de Jesus Almeida Silva Rego tem seu trabalho continuado por suas duas filhas, Tânia Maria Silva Rego e Telma Maria Silva Rego, e deixa um legado de inovação e paixão pela ciência das plantas que certamente continuará a influenciar gerações futuras​. 

 

VÍDEOS-BÔNUS

Abaixo, duas entrevistas feitas pelo jornalista Mhario Lincoln com a professora Teresinha de Moraes Rego.

PARTE (I)

4.008 visualizações 18 de jun. de 2010. O jornalista Mhario Lincoln foi a São Luís entrevistar a fitoterapeuta, prof. dra. Terezinha de Moraes Rego (Ufma) e conversou sobre plantas que podem ajudar e dar mais rapidez no combate aos efeitos colaterais em aidéticos. Outras plantas curam a Sinusite. E mais outras, cujos princípios ativos ela mesmo descobriu, podem ser coadjuvantes nos tratamentos de Diabetes, Pneumonia e Tuberculose. 

PARTE (II)

3.269 visualizações  22 de abr. de 2013- Entrevista exclusiva com a professora Terezinha de Moraes Rego, especialista em fitoterapia. Ela desenvolveu uma tintura com base na planta "Chanana", para diminuir os efeitos colaterais causados pelos coquetéis anti-AIDS e para amenizar o mal estar do tratamento radioterápico do Câncer, além de ajudar na melhorias das interações  com pessoas autistas e hiperativas.

 
3 comentários
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JaimeHá 2 meses Brasília/DFDeixa uma lacuna, difícil de preencher. Descanse em paz.
Joema Carvalho Há 2 meses Curitiba, PRPrecursora de uma ciência que ainda está em expansão. Deixou uma grande contribuição
Rogerio Rocha Há 2 meses São LuísUma grande mulher, cientista e pesquisadora.
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