
Nota do editor: é sempre uma alegria publicar prosas poéticas da imortal APB, Joema Carvalho. Desta feita, a poeta e escritora residente e domiciliada em Curitiba, nos brinda com uma reflexão profunda sobre a experiência humana, explorando a dualidade entre a visão ampla e a proximidade, entre o macro e o microcosmo. Ao observar algo de longe, os detalhes se dissolvem, e somos presenteados com um painel belo e simplificado. Essa visão panorâmica, como um sol maior, expressa apenas o essencial. No entanto, quando nos aproximamos, os fragmentos de nossa existência se unem em um grande universo, nos fractais da vida que se expandem e se comprimem.
Isso nos leva a crer que a sombra e a luz coexistem no movimento, harmonizando-se com o silêncio. A razão e o sentir convergem nessa direção. Ver de perto pode gerar vertigem, mas é a única opção. O giro constante mantém a estabilidade aos olhos de quem está presente. O sentido de tudo é simplesmente estar vivo, enquanto o ego e a vaidade encontram significado na distância. (Achei essa interpretação espetacular). Desta forma, desmaterializar o que for possível nos permite quebrar conceitos e julgamentos. Cada ponto de dor nega a imutabilidade, segurando o tempo em uma imagem única e constante. O “shape” mental, moldado pela prática, eventualmente se liberta, dispensando a necessidade de tantas amarras.
Considero este texto, cara confreira, um primor. Obrigado.
(Mhario Lincoln).
O TOQUE DO VAZIO
Joema Carvalho
Vendo de longe fica mais fácil.
Os detalhes de sombra desaparecem. Um painel único e belo resplandece em sol maior, expressa apenas o que se deseja.
No micro, os cacos de si, fazem um mosaico que se expande e se comprime em uma Dança Butô.
Na ciranda dos fractais, a segurança busca um ninho para acomodar os espaços entre as imagens do tempo para repousar.
A sombra e a luz acontecem no movimento e estão em harmonia com o silêncio.
A razão encontra-se com o sentir nesta mesma direção.
Ver de perto, gera vertigem. Única opção. O giro não deixa cair.
O movimento torna-se estático e contínuo aos olhos de quem está presente.
O sentido de tudo, inexiste. Basta estar vivo.
O sentido do ego e da vaidade é a distância.
É tão difícil não se dar sentido.
Nos faz acessíveis. Gera a tal sensação de felicidade.
O ar entra por entre os espaços. O tempo é uma unidade de medida mística que varia conforme o peso ou a massa em cada lugar, o ponto de vista, na intensidade de um sentimento.
O que for possível deixar desmaterializar, melhor. O processo nos dará a oportunidade de quebrar os conceitos e julgamentos.
A existência permanece através das imagens que ficam nos intervalos de tempo.
A inconstância nos brinda através do seu melhor.
Todo ponto de dor a nega. Insiste em segurar o tempo em uma imagem única e constante.
O “shape” mental depende de prática. Até que ele vire algo que desprenda e não precise mais de tanta coisa.
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Livro da autora
Luas & Hormônios
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Crônicas de Uma Jornada Florestal (em português e em espanhol)
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