
Editoria de Cultura do Facetubes/supervisão Mhario LIncoln(*)
Há 1 ano. Matérias recuperadas do Centro de Dados da Plataforma Nacional do Facetubes.
Em uma conquista marcante para a pesquisa acadêmica e a literatura maranhense, a dissertação muito aguardada e agora adaptada em livro com o título “Diários de Josué Montello: as urdiduras da criação romanesca e a busca da fluidez do eterno inacabado”, elaborada pelo pesquisador e Mestre em Teoria Literária Saulo Barreto Lima Fernandes, foi anunciada como a grande vencedora do 19º Prêmio FAPEMA na categoria Dissertação, na área de Linguística, Letras e Artes.
A obra, que foi orientada pelo pós-doutor em Literatura, Douglas Rodrigues de Sousa (UEMA), acaba de ser publicada em formato de livro pela editora paulista UICLAP, elevando ainda mais o seu significado.
O prêmio, considerado o “Oscar” da ciência no estado do Maranhão, ressalta a excelência da pesquisa e o compromisso com a valorização da cultura local. A dissertação de Saulo Barreto examina de forma profunda e crítica os diários do romancista maranhense Josué Montello, um dos principais nomes da literatura brasileira do século XX.
A obra “Diários de Josué Montello: as urdiduras da criação romanesca e a busca da fluidez do eterno inacabado” vai emocionar muitos leitores. Vai provocar reflexões sobre a rica obra literária maranhense, sob a luz do talento inigualável de Josué Montello.
Para resumir o trabalho “Diários de Josué Montello: as urdiduras da criação romanesca e a busca da fluidez do eterno inacabado”, vale destacar, especialmente, os aspectos centrais do texto, em linguagem crítica e humanista, mantendo uma análise clássica e refinada.
O autor, Saulo Barreto Lima Fernandes, explora a relevância dos diários de Josué Montello como expressões literárias singulares, onde o diário emerge como uma manifestação íntima e confessional, transcendente ao simples registro cotidiano.
Este gênero literário (diário), muitas vezes subestimado, ganha em Montello uma complexidade artística que vai além da introspecção pessoal para alcançar a reflexão criativa e histórica. (Alguns impolutos preferem "Cartas Íntimas e/ou Pessoais", à "Diários".
Montello, um mestre do romance brasileiro, é reconhecido por sua meticulosa disciplina literária e erudição clássica. Seus diários – como "Diário da Manhã" e "Diário do Entardecer" – representam um esforço contínuo de mais de quatro décadas. Nessas obras, o autor não apenas narra sua trajetória como romancista, mas também reflete sobre o processo criativo, unindo a fluidez temporal ao rigor da escrita. Seus registros, ao invés de serem meras confissões, tornam-se verdadeiros espelhos de uma época e testemunhos de um artista.
Críticos e pesquisadores, como Sheila Dias Maciel, destacam que os diários de Montello configuram um painel vasto mostrando tanto o homem quanto o escritor em diálogo com seu tempo. A escolha simbólica de percursos que remetem às fases do dia reflete a plenitude de sua jornada criativa.
Essa unidade simbólica, segundo o autor, ressalta o esforço do escritor em transformar experiências pessoais e coletivas em narrativas de alto teor artístico. Assim, Montello foi além das convenções do gênero diarístico, imprimindo em seus escritos uma dinâmica criativa que dialogava com a tradição clássica, a modernidade e a vivência maranhense.
São Luís, capital do Estado do Maranhão, sua terra natal, figura não apenas como cenário, mas como coautora de seus textos, compondo uma sinfonia de realidades urbanas e imaginárias. Este vínculo visceral entre o autor e sua cidade confere aos seus romances uma deficiência cultural e histórica inigualável.
O crítico Alberto Giordano identifica nos diários de escritores um espaço vital para a experimentação narrativa, algo que Montello utilizou como laboratório literário. Tal prática revela um escritor atento e profundo conhecedor de sua arte. Esse rigor técnico, fascina quaisquer leitores. ainda mais por combinar entrega emocional com riqueza de detalhes.
Finalmente, a análise de Fernandes destaca o conceito de “eterno inacabado”, presente na obra de Montello, onde o processo criativo nunca cessa, mas continuamente se renova. Este "palimpsesto montelliano" reflete a luta do autor contra os bloqueios criativos e a busca incessante por um ideal de perfeição literária.
Parabéns portanto, ao Mestre em Teoria Literária Saulo Barreto Lima Fernandes, em cuja abordagem celebra um Montello não apenas como romancista, mas como um arquiteto de memórias e um curador de sua própria história, iluminando a literatura brasileira com sua voz única.
Viva o Maranhão!
(*) Jornalista e poeta Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira e editor-sênio da Plataforma Nacional do Facetubes (www.facetubes.com.br)
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